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quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Saída
Que você deveria saber que eu acabei apenas desenhando esses dois riscos nos meus punhos,sem coragem de pesar a mão sobre os meus braços e fazer cortes mais profundos.que você deveria saber que esses olhos vermelhos são por chorar,escondida no banheiro,sufocando os soluços com a mão,sentada sobre o chão gelado,evitando o espelho pra não ver minha cara com maquiagem borrada e lápis preto escorrido pelo rosto,como lágrima negra até o queixo.que você deveria saber que mesmo assim sem forças,eu joguei aquelas flores mortas do vaso e saí pra comprar uma dúzia de novas,brancas.e,que na volta,arranquei os sapatos e acelerei descalça querendo jogar o carro contra o poste e contra o muro e contra um monte de coisas que eu vi pelo caminho.que você deveria saber que eu passei a tarde toda gritando com a cabeça enfiada no travesseiro fazendo a voz sumir aos poucos.e que eu quebrei um copo na parede da sala,manchando aquele bege,cor de nada com o vermelho do resto do vinho.que você deveria saber que eu saí no meio da chuva,pisando poças e passando sob as goteiras e pedindo pra que um raio apenas um daqueles todos,me acertasse em cheio.eu achei que você deveria saber que eu achei que você deveria saber um monte de coisas,antes de me deixar.que eu mandei trocar as fechaduras da porta enquanto você dormia.achei que você deveria saber que com essa chave você não vai embora.que ela não serve pra mais nada.eu achei que deveria saber que agora você só sai daqui se for por essa janela.pulando,assim como eu.
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Eduardo Baszczyn
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
A culpa é minha!
A culpa é minha. só minha. eu que te enxergo como mar, quando não passa de uma gota, quase evaporada, caída sobre a calçada.
A culpa é toda minha. Que te ouço como sonata, quando não passa apenas de uma nota, sozinha, tocada sem querer na limpeza do piano.
Eu que te engulo como banquete, quando você não sustenta mais do que uma migalha.
Que te guardo como tesouro, escondido e trancado, quando você não vale nada mais do que uma moeda. centavo esquecido no fundo da bolsa.
Eu que te corôo como rei, quando deveria te dar esmola. Te sustentar com meus restos.
Eu que te vejo gigante, quando poderia te esmagar, em segundos, sob meu sapato. eu que sempre disse que me trouxe mudanças como um furação, quando não passou de um sopro.
A culpa é minha. Só minha. Eu que teimo em achar que é único, quando o que mais me faz tropeçar por aí são coisas idênticas à você.
A culpa é toda minha. Que te ouço como sonata, quando não passa apenas de uma nota, sozinha, tocada sem querer na limpeza do piano.
Eu que te engulo como banquete, quando você não sustenta mais do que uma migalha.
Que te guardo como tesouro, escondido e trancado, quando você não vale nada mais do que uma moeda. centavo esquecido no fundo da bolsa.
Eu que te corôo como rei, quando deveria te dar esmola. Te sustentar com meus restos.
Eu que te vejo gigante, quando poderia te esmagar, em segundos, sob meu sapato. eu que sempre disse que me trouxe mudanças como um furação, quando não passou de um sopro.
A culpa é minha. Só minha. Eu que teimo em achar que é único, quando o que mais me faz tropeçar por aí são coisas idênticas à você.
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