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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Não é?

Levantou-se, saiu.

Depois de tantos desaforos coisa e tal, era melhor ir embora. Não adiantava tentar demonstrar sentimento àquele que não conseguia compreendê-lo. Entendia que depois de tudo escutado e tudo dito não tinha mais nada a ser sentido.

Ela esperaria se recuperar, como uma tentativa sôfrega de se livrar de uma droga, um vicio imenso. Sonharia ainda, depois de tudo, conseguir se entender, coisa meio idiota a se fazer quando se tem um coração quebrado, partido; ela iria continuar modificando vidas, como sempre o fez, mesmo calada, no seu canto. Porém, ela tinha aquele poder, e onde tocava, mudava. Mudaria, de novo, ela sabia, todos sabiam. Não era pra ser diferente, não é?

E quando menos esperasse iriam se encontrar em uma primavera ou outono qualquer, debaixo de um sol escaldante, que faz os sentimentos incendiarem e virarem cinzas, ou então, debaixo de uma garoa fininha, dessas que ferem como pequenas lâminas que machucam a pele, e claro, cruzando olhares se distantes; se perto, iriam trocar um cumprimento qualquer, sem mais delongas. Afinal, depois de tantas coisas, o que acontecia já não tinha mais força pra prosseguir. Não havia mais nada de nada. Nada dela, nada dele. Nada dos dois.

Ela iria, depois de tudo, pra casa, novamente sem compreender, choraria o mar, como uma boba, patética, inútil. Os olhos dela, novamente conheceriam o vermelho freqüente, aquele que sempre a habitava, sem pedir permissão. Sentada, parada. Parada, como sempre.

Rendida.

Doía, é claro.

Mas me diz, não era pra ser diferente, não é?

Sem luz.

E de repente tudo fica escuro.

Vem aquela coisa que sufoca o peito, que machuca... Sabe?

Fere, corta. É difícil dar adeus a quem se ama. E mais difícil é fingir, pra você e pra outros, que está tudo bem. Não está bem. Não vai ficar bem. Pare com essa ilusão de que “tudo vai passar”. Não vai. Você sabe disso, e eu sei também.

Sempre tive medo dessa coisa que chamam de amor. Aprendi a fugir de tudo, e de todos, porque era o que eu fazia de melhor... E era a minha forma de proteção.

E eu fugi tanto, de você, de nós, e no caminho que seguíamos, eu corria pra longe de tudo que me tocava na alma. Porque eu tinha medo. É, covardia mesmo, eu sei...

E nesse caminho, nessa fuga, me perdi e te perdi.

E você, que era quem clareava o meu trajeto, desistiu de tentar iluminar. Fica escuro. Eu não lhe culpo, sabes?

Só que eu tenho tanto medo do escuro... E é triste, entende?

Porque a luz se apagou. A nossa luz.

Quando se perde algo que era teu, dói mais do que nunca ter tido. E esse é o problema. Te tive, e por instantes, me completei, e ficava tudo bem.

E agora, fica esse vazio. Grande vazio.

E fica tudo escuro...Tão escuro. E dói.