domingo, 9 de janeiro de 2011

Vai em frente!

A vida é fruto da decisão de cada momento. Viver é plantar. É atitude de constante semeadura, de deixar cair na terra de nossa existencia as mais diversas formas de sementes. Cada escolha, por menor que seja, é uma forma de semente que lançamos sobre o canteiro que somos. Um dia, tudo o que agora silenciosamente plantamos, ou deixamos plantar em nós,será plantação que poderá ser vista de longe...Para cada dia, o seu empenho. A sabedoria bíblica nos confirma isso, quando nos diz que "debaixo do céu há um tempo para cada coisa!" As escolhas que você procura, os amigos que você cultiva, as leituras que você faz, os valores que você abraça, os amores que você ama, tudo será determinante para a colheita futura. Felicidade talvez seja isso: alegria de recolher da terra que somos, frutos que sejam agradáveis aos olhos! Não tenha medo de se olhar no espelho. É nessa cara safada que você tem, que Deus resolveu expressar mais uma vez, o amor que Ele tem pelo mundo. Não coloque um ponto final nas suas esperanças. Ainda há muito o que fazer, ainda há muito o que plantar, e o que amar nessa vida. Ao invés de ficar parado no que você fez de errado, olhe para frente, e veja o que ainda pode ser feito... A vida ainda não terminou. Vai em frente. Sorriso no rosto e firmeza nas decisões.
Eu fico olhando esse espaço em branco ainda e não consigo achar o que dizer.Embora, as palavras pulam, gritam, e quase se matam para sair e poder pedir ajuda.SOCORRO.Ah! Ninguém percebe.Mais uma noite chegou e já me canso da minha rotina melancólica de ter que ir deitar sem estar com sono, e ficar ali chorando lágrimas que eu nem sei porque saem.A verdade, é que eu já me decidi.Eu não quero essa vida pra mim não.Me desculpem aqueles que me gostam, mas eu vou morar sozinha,num lugar desconhecido e poder começar tudo outra vez de uma forma menos dolorosa,assim espero..Eu cansei de chorar todas as noites sabiam.Cansei de correr atrás da felicidade enquanto ela brinca de esconde-esconde comigo.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Tudo aquilo que eu sempre quiz te dizer

Hoje eu quero falar sobre você e sobre tudo aquilo que me maltrata por dentro. Sabe, são tantas coisas. Acredito que você também tenha as suas mágoas escondidinhas em um canto do peito. Poucas vezes te vi chorar. Muitas vezes te vi calar e guardar. Sempre achei melhor colocar as coisas para fora, gritar, explodir, falar, conversar. Mas existe algo que me deixa muda. Nunca consegui falar sobre os meus sentimentos mais profundos para você. Algo me travava. Hoje resolvi dizer.
Escrevo porque você tem muita importância na minha vida. Não quero que a gente se perca. Não quero que a gente se afaste. E me pergunto: será que fomos realmente próximos por algum instante? Creio que sim, mas acho que nos afastamos faz tempo. Eu não entendo seu jeito racional, você não compreende minhas emoções e muitas vezes não respeita os caminhos que escolhi para a minha vida.
Sabe, eu só queria ser boa. É, é isso mesmo. Eu queria ser boa o suficiente para você se orgulhar de mim. Por isso, pintei vários quadros. Por isso, queria chamar a sua atenção. Queria um elogio, algo assim. Queria que você lesse meus textos, se orgulhasse do meu livro, das minhas conquistas. Mas você se detém nos meus tropeços. Usa escudos, não se aproxima. Usa a palavra para me repelir. Você não sabe o quanto me magoa a cada vez que me agride com as palavras e não entende a minha subjetividade. Eu vejo a vida de uma forma bonita. Tenho olhos de otimismo, um coração que nunca para, uma emoção que vive de braços abertos.
Eu queria os seus braços abertos. Não queria críticas, nem cobranças, nem caras feias. Queria colo, atenção, queria que pelo menos uma vez você secasse as minhas lágrimas. Sabe, sempre tive vergonha de chorar na sua frente. Me sinto boba, quase infantil. Antes, eu saía, batia portas, me escondia, chorava. Sempre esperei que você fosse atrás de mim, me abraçasse. Meu Deus, quantas vezes esperei por um abraço que nunca veio.
Tenho defeitos. Muitos deles. E você sempre me apontou cada um. Por favor, entenda que você tem defeitos também. Eu busco evoluir, crescer, aprender a andar com as próprias pernas, mas sinto que você não sorri com minhas conquistas. Você não gosta da vida que escolhi para mim, não tolera meu trabalho, não vê graça no meu caminho, acha burrice e bobagem tantas coisas que me importam demais.

Sei que errei ao tentar ser perfeita e andar em linha reta. Sei que errei ao passar grande parte da vida tentando ser alguém. Sei que tenho minha parcela de culpa. Ei, existe culpa nisso? Você tem um coração tão bom, é uma pessoa tão cheia de qualidades e bondade. Mas você não sabe lidar com emoção, tem uma couraça, uma casca, um escudo, se protege talvez de você mesmo. Por favor, se abra para a vida. Sorria para a vida. Se encante pela vida. Libere as suas tensões. E tente achar o amor no meio disso tudo.
Vejo você com o baixinho e penso ele-tem-amor-pra-dar. Mas cadê esse amor todo? Cadê o olhar terno e cheio de carinho e orgulho? Tento lembrar quando você disse que eu era bonita ou inteligente ou engraçada ou legal ou sei lá, alguma coisa boa. Não lembro. Desculpa, eu não consigo lembrar! Isso me dói tanto. Você não sabe o quanto. Você pode escolher maneiras mais delicadas de falar as coisas. Mas você prefere dizer que estou gorda ao invés de dizer olha, é bom você emagrecer, está acima do peso, emagrecer vai te fazer bem. Mas você prefere a ofensa do que o carinho. O peso do que a leveza.

Lembro de antes. De muito antes. Você teve tanto amor e cuidado um dia. Depois, quando a gente se mudou, as cobranças vieram. Queria resultados, dez, dez, dez. E eu não conseguia, pois era preguiçosa demais. Então, tentei de outras formas. Tentei a arte. Não deu. Abandonei a arte, me abandonei um pouco. Tinha medo de você. Medo de ser eu mesma, de expor meus sentimentos, verdades e vontades. Medo do olhar torto, da crítica feroz. Você não gosta das minhas brincadeiras, não engole minhas ironias, não sabe quando estou brincando. Eu só queria me sentir importante para você, sabia? Minha vida inteira busquei isso, busquei admiração. É essa a palavra: queria que você me admirasse. Admirasse meu trabalho, minhas escolhas, minha força, meus caminhos.
Há pouco tempo, passamos por uma situação bem difícil que me fez um mal absurdo. Durante quase um mês, pensei que não ia aguentar. Mas vi o quanto sou forte e capaz de encarar as adversidades, os contratempos. Talvez você não saiba o quanto aquilo me marcou, o quanto eu sofri. Dormia chorando todas as noites, mas acordava e te ouvia. Dei meu ombro, meu conselho, meu amor. Era exatamente isso que esperava de você: seu ombro. Mas eu tenho vergonha de pedir, eu não sei pedir e não sei se você sabe se dar, se doar. Largue as armas, os escudos, os disfarces.
Precisei tanto de você. Do seu apoio. Mas parece que você sempre me apoiou a contragosto. Engolindo, aceitando, mas não concordando. E eu precisei da sua aprovação, do seu empurrão. Não financeiramente, mas emocionalmente. Precisei da sua força. Precisei ouvir um elogio. Uma palavra incentivadora. Mas sempre me senti devendo. Sei que te decepcionei, sei que não fui por onde você achava que deveria, mas, por favor, entenda: cada um faz o seu caminho.
Hoje, estou mais madura e um pouco mais serena. Entendi que não tenho que provar nada, nem ficar tentando agradar sendo quem não sou. Eu sou essa que você está vendo e, sim, tenho falhas. E, sim, sou pura emoção. Tenho algumas cicatrizes, feridas que não fecharam direito, raivas, coisas mal resolvidas. Quero me livrar disso tudo e seguir em frente. Preciso resolver isso e seguir no caminho que escolhi para mim. Espero que você se livre das coisas ruins e me acompanhe também. Nunca é tarde para aparar arestas. Vem.

Família é pra sempre!

Por algum motivo eu ainda acredito nas coisas simples da vida, talvez seja por que as coisas mais valorizadas tenham perdido o sentido pra mim.

Não falo nada da boca pra fora. Se eu te gosto, te gosto. Nunca vou mentir que gosto de você. Sou franca comigo e com meus sentimentos. Nunca forcei ou falsifiquei amizades e amores. É claro que a gente se engana, se surpreende, se decepciona. Já pensei que amei. Já pensei que me apaixonei. E vi que era fogo de palha. Já pensei que era amizade. Já achei que fosse de verdade. E vi que era faísca. Mas tudo que eu gosto, eu gosto. Lembre disso. Para mim, algumas coisas são para sempre. Amigos, por exemplo. A gente sabe que tem os de verdade, os que vão atravessar anos, estados, países, turbulências e mau tempo. E a gente também sabe que tem aqueles de momento. Uma pessoa pode ser muito sua amiga hoje na aula de inglês, no trabalho, na primavera. Depois passa. E aí, era amizade? Era. Mas era aquela amizade de momento. E era verdadeira? Também era. Naquele momento. Acho que existe o perecível e o que não tem data de validade. E digo: tenho amigos que não têm data de validade, apesar de eu não estar sempre junto deles. Também tenho amigos que são amigos hoje, que sei que posso contar, mas não sei se estarei junto daqui a dez anos. Isso pra mim é muito claro. E a família? Família, você querendo ou não, é pra sempre. É um laço. Não se desfaz. Pode ter briga, atrito, confusão, mas é família. E é pra sempre.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Do fundo do coração

Sempre acreditei que toda vez que a gente entra numa igreja pela primeira vez, vê uma estrela cadente ou amarra no pulso uma fitinha de Nosso Senhor do Bonfim, pode fazer um pedido. Ou três. Sempre faço. Quando são três, em geral, esqueço dois. Um nunca esqueci. Um sempre pedi: amor. Nunca tinha tido um amor. O quê? Aos 35 anos, agitando desse jeito? Explico: claro que tive dúzias e dúzias, outro dia até tentei contar e me perdi na altura do número cento e trinta e muito. Mas tudo rapidinho, assim, uma hora, um dia, uma semana, um mês, pouco mais. Nunca, digamos, UM ANO. Então quando alguém suspirava e dizia cara estou saindo de um caso de DEZ anos, meu olho arregalava de pura inveja. Histórias mais compridinhas, claro que rolaram. Maria Clara, por exemplo, mas a gente morava, eu em Sampa, ela no Rio, amor-ponte-aérea. Caríssimo. Isso, das moças. Dos moços, aquele bailarino americano em London, London, quatro/cinco meses. Talvez seis? Numa tarde de compras e roubos em Portobello Road me deu de presente um cacto (perfeito!) e me deixou plantado até hoje. Esse era amor-de-metrô, último trem entre Hammersmith e Euston. Onde andará? (“Onde andará?” é das perguntas mais tristes que conheço, sinônimo de se perdeu.)
Eis que de tanto pedir, insistir, acender vela, fazer todos os feitiços para Santo Antônio e Oxum e concentrar, rezar, mentalizar, eis que pintou. Ano passado me baixou um encosto de São Francisco de Assis, joguei (literalmente) pela janela quase tudo que tinha e, com duas malas, parti para o Rio. Não queria mais me prender a nada. Nem a Sampa, bem-amada. Numa ida a Porto Alegre, em agosto, deu-se. Explosão: à primeira vista. Tudo o que dissemos, depois de um longo suspiro de alívio, foi: eu amo você. Pasmem: verdade das verdadeiras. Ousadias do coração que saca, na hora, a intensidade do lance. E não disfarça. Bueno, tinha pintado.
Então tá. Romance comme il faut: dias numa casinha no meio de bosques em Gramado. Depois a volta ao Rio e, como dizia Ana Cristina Cesar (Aninha, Ana C., a bela, que falta você me faz menina fujona!), “amizade nova com o carteiro do Brasil”. Laudas e laudas de cartas de amor, uma por dia, duas por dia, dez por dia. Fotos, poemas, juras interurbanas. Voltei. Nós fomos os dois para o Rio. Dois meses lá: o amor resistia, mas nenhum estava a fim de pegar no pesado. Então fazer o quê? Dividir quarto pensão na Lapa, andar de ônibus, comer espiga de milho e misto quente? Nenhum acreditava em teu-amor-e-uma-cabana, também não era preciso teu-amor-e-um-rolls-royce (seria ótimo), mas pelo menos uma vitrolinha para fazer amor ao som do Bolero, de Ravel (amor tem desses lugares-comuns quase inconfessáveis). Voltamos. Verão em Torres. Camas de trinta horas. Passeios. Dunas, praia da Guarita. Filme. A sunga verde de lycra.
De repente uma luzinha vermelha começou, cigarro no escuro, a piscar dentro de mim. Foi no carnaval que passou. Suspeitas: porra, eu me afastei de tudo, de todos, joguei tudo pro alto e só quero esse amor, nada mais me interessa, se esse amor me faltar (pode?) eu só tenho isso, é o único laço que me prende à vida - e se faltar, Deus, se faltar o que faço? Noites paranóicas, medo Ritchie. E… se dançar? Aí dançou. Foi dançando. Não sei bem como. Uma tarde peguei nas suas mãos e, bem cruel (punhais: como a gente sabe apunhalar com engenho e arte, crava devagarinho a lâmina, depois revira, dentro da ferida), pedi assim: olha bem dentro dos meus olhos e me responde à seguinte pergunta: “Você não me ama mais?”.
Silêncio tão espesso que consegui ouvir o ruído do movimento de rotação da Terra. Feito nas novelas das seis, eu abri a boca quando ouvi a resposta. Um lento Não. Um claro Não. Um seguro Não. Um límpido Não. Um tranquilo Não. Um sem dúvida alguma Não. Um afirmativo Não. Repete, pedi. Repetiu. Pede-se não enviar flores, pensei. Fechei a porta. Fiquei só, chovia. Com requintes de autopiedade, limpei devagarinho com feltro um disco da Elis, deitei no chão e ouvi umas cem vezes “Se quiser falar com Deus”. Quando já ia abrir o gás, corri para o telefone e pedi ao Zé Márcio Penido em Sampa: socorro. Vem, ele disse. Santo amigo. Fui, na mesma hora. Me estonteei, vi todos os filmes, todas as peças, revi todos os amigos, ouvi todos os discos, namorei o que deu. Tinham sido NOVE MESES de fidelidade, no amor-amor, é sempre supernatural. Quando decidi estou-ótimo-fullgás-total-posso-voltar, voltei. The reencontro: quando dei por mim estava dizendo as coisas mais duras e agressivas e cruéis e impiedosas e injustas e ferinas e baixas e grossas que uma pessoa pode dizer à outra.
Comecei a me perder pela cidade. Selecionei vinte gatos & gatas mais lindos do pedaço, dez semifinalistas, cinco finalistas, transei todos. Saí sem parar. De bar em bar, telefone tocando sem parar. Explodindo de vitalidade e saúde e sedução: capacidade de superação. Puxa, gente, como sou maravilhoso, como sou maduro e equilibrado, como sei dar a volta por cima, como não sou careta, como sou moderno e liberadésimo. Aí, desabou. Dez dias. De manhã bem cedo, chegando da vida, percebi uma pequena rachadura na parede externa do edifício. Avançava lentissimamente. Ao meio-dia rachou de alto a baixo. O edifício veio ao chão: me interna, pedi pra mãe, estou infeliz pra caralho. Peguei o pacote de cartas que tinha pedido de volta (fiz absolutamente todos os números, o problema é que a plateia estava vazia: ninguém aplaudiu minha melhor sequência de sapateado), coloquei aos pés de Ogum.
E agora, Caio F.? Agora, estou amanhecendo. Ah, me digo, então era assim. Essa coisa, o amor. Já conheço? Já conheço. Mas como é mesmo que se chama? Também não estou certo se estarei mesmo amanhecendo. Talvez, sim, anoitecendo, essas luzes penumbrosas são muito parecidas. Não sei muita coisa. Quase nada. Pedi? Levei. Nunca tinha sido tão intenso, nem tão bonito. Nunca tinha tido um jeito assim, tão forever. Não me diga que vai passar, vai passar, vai passar, vai passar. Não me diga que foi ótimo, o que você queria, a eternidade? Não me peça para não te encher o saco lamuriando. Posso não saber nada do coração das gentes, mas tenho a impressão, de que, de tudo, o pior é quando entra a segunda parte da letra de “Atrás da porta”, ali no quando “dei pra maldizer o nosso lar pra sujar teu nome, te humilhar”. Chico Buarque é ótimo pra essas coisas. Billie Holiday é ótima pra essas coisas. E Drummond quando ensina que “o amor, caro colega, esse não consola nunca de núncaras”. Aí você saca que toda música, toda letra, todo poema, todo filme, toda peça, todo papo, todo romance, tudo e todos o tempo todo, antes, agora e depois, falam disso. Que o que você sente é único & indivisível e é exatamente igual à dor coletiva, da Rocinha a Biarritz. O coro de anjos de Antunes Filho levanta no ar, em triunfo, os corpos mortos de Romeu e Julieta enquanto os Beatles pedem um little help from my friends, e a plateia ainda aplaude de pede bis (o Gonzaguinha também é ótimo pra essas coisas). Meus amigos, abandonados para que eu pudesse mergulhar, voltaram a mil. Tem seus prazeres o fim do amor. Se é patologia, invenção cristã-judaico-ocidental-capitalista, ou maya, ego, se é babaquice, piração, se mudou-através-dos-tempos, puro sexo, carência, medo da morte: não interessa. Tenho certeza que estive lá, naquele terreno. Ele existe.
Por isso falo dele: Joyce e Paula me pediram elucubrações, as minhas são estas. Estou contando a vocês que estou fazendo elucubrações sobre o amor porque provavelmente, de uma outra forma vocês aí que me leem, talvez com tédio, também estão pensando a mesma coisa. O bicho homem não faz outra coisa a não ser pensar no amor. Até as relações de produção, a luta de classes, a ecologia, o jogo pelo poder: tudo, questão de amor. Formas de amor. Amor é palavra que inventamos para dar nome ao Sol abstrato em torno do qual giram nossos pequeninos egos ofuscados, entontecidos, ritmados. A vida toda. Mas se me perguntarem o que quero dizer com isso, não tenho resposta.
O que quero dizer é justamente o que estou dizendo. Não estou com pena de mim. Tá tudo bem. Tenho tomado banho, cortado as unhas, escovado os dentes, bebido leite. Meu coração continua batendo - taquicárdico, como sempre. Dá licença, Bob Dylan: it’s all right man, I’m just bleeding. Tá limpo. Sem ironias. Sem engano. Amanhã, depois, acontece de novo, não fecho nada, não fechamos nada, continuamos vivos e atrás da felicidade, a próxima vez vai ser ainda quem sabe mais celestial que desta, mais infernal também, pode ser, deixa pintar. Se tiver aprendido lições (amor é pedagógico?), até aproveito e não faço tanta besteira. Mas acho que amor não é cursinho pré-vestibular. Ninguém encontra seu nome no listão dos aprovados. A gente só fica assim. Parado olhando a medida do Bonfim no pulso esquerdo, lado do coração e pensando, pois é, vejam só, não me valeu.
Porque ele sempre volta. E meu coração fica calmo.                   Tati Bernardi.
Tem coisa que não volta, por mais que a gente queira. Você pode até tentar voltar o disco, repetir a música, insistir na letra, cantar o mesmo refrão por mil e um minutos, fechar os olhos. Tem sentimento que não volta. Mesmo que você se esforce, recorde, tente voltar a página, refrescar o coração. Alguns sentimentos são bem pontuais: chegam, esperam pra ver se devem ficar e decidem partir ou continuar.

Precipício ~

Uma vez me falaram que amar é se jogar de um precipício sem saber se lá embaixo vai ter alguém para segurar a gente. Foi a melhor definição de amor que já ouvi. Eu, que escrevo tanto e leio tanta gente que fala dessas coisas que damos o nome de sentimento, nunca tinha escutado nada tão verdadeiro. Amar é isso mesmo. É se jogar e não saber. É se entregar sem ter certeza. Aos poucos, buscamos a certeza do amor. Porque o amor para ser amor precisa de certezas. A certeza do encontro, a certeza da continuidade, a certeza da presença, a certeza da verdade.
Demorei muito para me permitir. Me distraí durante muito tempo com paixões que não duravam mais que a lua minguante. Por algum tempo vivi uma relação extremamente conturbada e complicada. Na verdade, não sei se posso chamar de "relação". Era alguma coisa sem nome. Aquilo não me deixava em paz, me fazia mais mal do que bem, mas de alguma maneira eu continuava. Não entendo, a gente se boicota tanto. Sabemos que queremos e merecemos mais, mas continuamos insistindo em coisas sem sentido. Punição? Talvez. A gente demora para se permitir ser feliz. Deve ser por isso que as pessoas ficam tateando no escuro durante muito tempo até encontrarem a tal pessoa certa. Não sei se existe a pessoa certa, sei que existe uma pessoa certa para você. Essa pessoa, por mais errada que seja, é aquela que te dá vontade de continuar. Continuar lutando, vivendo, acordando, sorrindo. Tem gente que nos dá essa vontade, aquela vontade de ser melhor para a gente mesmo e para quem nos rodeia. Mas eu não queria, não me permitia, achava que daquele jeito estava bom.
Às vezes, não sou legal comigo, você não é legal com você. Cegos, não conseguimos enxergar. Confusos, não sabemos o que fazer. Covardes, não nos damos uma chance. Carentes, nos agarramos na primeira oportunidade. A carência nos tira a visão. A falta de visão nos emburrece. E assim vamos vivendo um dia após o outro, com um vazio que nunca sai de dentro e um olhar que procura e nunca acha.
Todo mundo tem que amar alguém um dia. Não tem como definir, é uma coisa muito louca e real. Um dia, com o coração cansado, decidi que só queria coisas boas. Sem migalhas, sem mentiras, sem máscaras. Para amar a gente tem que se despir de todos os artifícios. Então, resolvi ser mais amiga de mim. Aproveitar a minha companhia, me curtir, só procurar o que me fazia bem. Foi aí que, sem querer querendo, a gente apareceu um na vida do outro. Me deu um medo, um medo. Você sabe, eu sei. Queria fugir, sair correndo, desistir. Tentei de todas as formas (até bem pouco tempo atrás) encontrar motivos, fiapinhos do passado e farpas imaginárias para provar que não daria certo. Mais uma vez eu insisto: ser feliz dá medo e é muita responsabilidade. Fora o fato da gente não se sentir merecedor. Fora o fato de pensar meu-deus-tá-tudo-bem-tudo-perfeito-na-minha-vida-é-certo-que-vou-descobrir-um-câncer. A gente sempre pensa besteira por achar que não merece aquilo tudo. Foi tudo em vão. Dia após dia o mundo, Deus, a vida, as coincidências, o destino ou sei lá, chame como você quiser, me mostraram que, sim, a gente tem um amor bonito e de verdade. Que já passou por turbulências, furacões, que de vez em quando recebe tempestades e trovões, mas que sempre dá um jeito de deixar o céu azul e o sol brilhando. Porque a gente gosta do tempo bom. A gente tem uma história que é só nossa, um amor que é só nosso, uma vida que é só nossa, uma família que é só nossa. Tudo nosso. E com você eu descobri que sempre posso ir mais além. Você me mostra umas partes que eu não conhecia. Me mostra uma força que eu não sabia que tinha. Um jeito maduro e ao mesmo tempo infantil de continuar vendo a vida. Me desarma com tanto bom humor.
Me mostra coisas que não sabia. Me puxa para a realidade, pois nem só de sonho se vive. Existe uma troca bonita e, hoje, mais madura. É que já faz mil dias, amor. Mil dias que a gente se encontrou e nunca mais saiu de perto um do outro. Mil dias que ouvi o que você disse e me atirei do precipício. Ainda bem que a gente se jogou. Ainda bem que você esperou por mim. E eu por você.


A viagem de um canalha que ama

Enquanto meu cabelo seca depois do banho, permaneço sentado na minha poltrona macia de couro. Vestido com minha camisa xadrez manga longa dobrada até o cotovelo. Um senhor de setenta anos de idade faz poesia e melodia em ritmo de Jazz para os meus ouvidos. Música para minha alma viajante. Enquanto penso em encher aquela grande mala, escrevo para você, amor. Sim, para você. No imenso word posso ser tudo e todos e nada se quiser ser. No pequeno world me resta ser eu e só e nada além de mim. Tenho tantas coisas pra escrever e dizer a você amor e tão pouca inspiração vinda de sua reciprocidade, que só escrevi um pré-fácil, bem difícil Queria muito encher teu coração de amor puro, assim como estou prestes a encher minha mala para viajar por aí. Quem dera fosse por aí, onde você está. Quem dera fosse fácil, a distância ser curta entre nós. Quem dera fosse, se um dia eu realmente fosse ao teu encontro e você me recebesse com os braços mais abertos que pernas de prostitutas da madrugada frenética de Tortuga. Quem dera fosse. Mais injusta que qualquer tipo de corrupção ou calúnia, é a distância de alguém que você ama. Distância e amor são palavras que jamais deveriam ser ditas na mesma frase. Sem falar do tempo. O tempo passa e parece tudo sempre igual, descaradamente maquiado para parecer normal. O tempo passou, amor. As coisas não são como costumavam ser. Prioridades são sempre as primeiras a entrar na lista, seja na atual ou na de espera. Esperar! Talvez seja isso. Esse é o dilema. Esperar quem está longe é mesclar paciência com sofrimento reprimido, guardado, angustiado, jogado. Jogar! Talvez seja isso. Esse é o jogo. Pena que não acredito em jogos, por isso tenho tanta “sorte” no amor, o exemplo, você está longe de mim, meu bem. Jogar não é comigo. Que o azar seja menos que a sorte e que o jogo seja o amor, onde ambos serão presenteados por noites inteiras sem dormir, porque estarão tão juntos que esquecerão do tempo e porque nada mais importa, seja o tempo, a sorte, o azar e que seja apenas essa arte de continuar amando até a noite nunca mais acabar. Por que estaremos juntos, mulher. Juntos! Talvez seja isso. Obsessão compulsiva por estar perto de você, sua vaca, deve ser o que me faz ficar tão louco de amor. Deve ser. Talvez seja. Se não for, não sei o que é. O que é o que é, um cara sentado em uma poltrona macia de couro, camisa xadrez com botões abertos mostrando o tórax e o abdômen, escutando jazz, piscando sem parar com dor nos olhos de tanto olhar fixamente para a tela, escrevendo para você amor, o que você acha que é? Quem você acha que é? Quem diabo acha que é? Pensa bem, amor. Pense. Pensar! Talvez seja isso. Poderia citar todas as frases clichês sobre pensar, pensamento, pensante, pensando, pensador, sexo no pensamento, mesmo assim não seria suficiente para dizer o valor e a intensidade dos meus pensamentos em relação a você, minha flor. Talvez você não pense. Se pensa, pensa apenas em si mesma. Se pensa apenas em si mesma, és uma egoísta, suja e egocentrica que possivelmente morrerá sozinha com muito tesão reprimido, morando em uma casa com cento e cinquenta e sete gatos fedorentos ao seu redor. Não, eu sei que você não é assim, meu bem. Na verdade não sei como você é. Você sumiu! Desapareceu naquele dia onde deixamos várias garrafas verdes vazias. Lembra, sua safada? "Ele quer sexo", disse você com a garrafa verde na mão. A troca de olhares foi inevitavél e coincidentemente estavam ambos olhando para o mesmo lugar, o corpo de cada um. Você olhando em meus olhos e eu nos seus seios. Você olhando pra minha boca e eu para todo o seu corpo. Você olhando meu nariz e orelhas enquanto eu fitava sua cinturinha fina que ficaria pequena em minhas mãos grandes. "Vou buscar outra garrafa verde para poder desfrutar mais de sua companhia", disse o canalha que ama. Uma noite não acaba quando as garrafas verdes estão vazias, acaba quando as pessoas estão cheias de se sentirem vazias, mesmo depois de esvaziarem todas as garrafas verdes. Lembro-me de tudo isso, menina. Você lembra? Consegue lembrar, sua coisinha? Lembrar! Talvez seja isso. Lembranças nada mais são que flashes ruins ou bons ou nada bons ou muito ruins de nossa vasta memória crua, suja, pura ou seja lá o que for nosso subconsciente. Se eu não lembrasse, não estaria escrevendo pra você, menina. Concorda comigo e com o que eu digo? Concorda? Concordar! Talvez seja isso. Ando meio que sem dar passos quando não concordo com muitas coisas. O caminho para aqueles que discordam de quase tudo é duro, tenso, mas o prazer de chegar no final, depois de uma guerra contra todo o sistema chichê onde pessoas fazem sempre as mesmas coisas, concerteza é fantastico. Concordar com tudo é uma puta falta de opinião. Calma, não chamei você de puta, mas sim a opinião daqueles que se dizem os “senhores da verdade absoluta”. Ok, meu amor? Por mim, que eles tomem bastante Absolut e caiam de cara nos buracos de suas vaidades e que esses buracos vaidosos sejam tão profundos quanto as olheiras do dia seguinte desses seres desumanos. Meu cabelo secou. O veterano do Jazz parou de cantar. O silêncio está aqui fazendo companhia para meu coração e dedos moídos de tanto escrever para você garota. Minha mala está me chamando desde quando o sol nasceu e meu café foi derramado no fogão por puro descuido, na verdade, é que estava pensando em você mulher. Me esqueço de tudo quando tenho você aqui. Perderei todas as coisas se não vou ter você pra mim. Isso soou muito clichê, meu bem? Você sabe que odeio a superficialidade do jeito normal humano de fazer as coisas. Então, reformulando a frase, não dá, não consigo, não aguento ficar longe de você, não sei o porquê e foda-se. Melhorou, amor? Melhor assim? Melhorou? Melhorar! Talvez seja isso. Que area mais desgraçada é essa que devo melhorar? Pessoas estão em constante mudança, mas isso não significa que elas ficarão melhores. Não quero pensar nisso, minha querida. Quero que você venha até mim e que esqueçamos tudo e todos e todo o resto do mundo. Não quero que todo o resto do mundo morra, não amor, não é isso. É que, estar com você é algo surpreendentemente surreal para mim. Que o mundo inteiro possa viver, tá melhor assim, meu bem? Que eles e elas possam viver. Viver! Talvez seja...espera! Talvez não seja isso. Talvez não seja nada disso assim, separadamente. Talvez seja tudo junto. Tudo ao mesmo tempo. Todos os sentimentos compilados em um único ser pronto para ser exalado em palavras de amor. É isso, amor! Eu espero você. Estou junto com você. Penso em você. Lembro de você. Concordo com você, em partes é claro. Vou melhorar por você, espero que melhore por mim, ou não, que sejamos errados e amantes da mesma forma. O importante é o último “talvez seja isso” que quase foi dito. Importante mesmo é viver. Viver, amor. Entende? Se você me perguntar “viver o quê”, responderei subtamente: viver o amor. O amor transforma tudo mesmo, menos o nada. Ah, meu bem, esqueci de dizer, já fiz minha mala, estou saindo para viajar, mas relaxa, quando você acordar, estarei ao seu lado, porque tambem fiz sua mala. Vamos juntos.

(Escrito por Tom Freire)

Amor maduro;

O amor maduro não é menor em intensidade. Ele é apenas silencioso. Não é menor em extensão. É mais definido colorido e poetizado. Não carece de demonstrações. Presenteia com a verdade do sentimento. Não precisa de presenças exigidas. Amplia-se com as ausências significativas. O amor maduro tem e quer problemas, sim, como tudo. Mas vive dos problemas da felicidade. Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem, o prazer. Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro. Na felicidade está o encontro de peles, o ficar com o gosto da boca e do cheiro do outro - está a compreensão antecipada, a adivinhação, o presente de valor interior, a emoção vivida em conjunto, os discursos silenciosos da percepção, o prazer de conviver, o equilíbrio de carne e de espírito. O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa. Ele vive do que não morreu, mesmo tendo ficado para depois, vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados, cheios de sementes. Ele não pede, tem. Não reivindica, consegue. Não percebe, recebe. Não exige, oferece. Não pergunta, adivinha. Existe, para fazer feliz.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011


As pessoas possuem cicatrizes. Em todos os tipos de lugares inesperados. Como mapas secretos de suas historias pessoais. Diagramas de suas velhas feridas. A maioria de nossas feridas podem sarar, deixando nada além de uma cicatriz. Mas algumas não curam. Algumas feridas podemos carregar conosco a todos os lugares, e embora o corte já não esteja mais presente há muito, a dor ainda permanece. O que é pior, novas feridas que são horrivelmente dolorosas ou velhas feridas que deviam ter sarado anos atrás mas nunca o fizeram? Talvez velhas feridas nos ensinem algo. Elas nos lembram onde estivemos e o que superamos. Nos ensinam lições sobre o que evitar no futuro. É como gostamos de pensar. Mas não é o que acontece, é? Algumas coisas nós apenas temos que aprender de novo, e de novo, e de novo...

Seja Feliz!

Meu coração tá ferido de amar errado. De amar demais, de querer demais, de viver demais. Amar, querer e viver tanto que tudo o mais em volta parece pouco. Seu amor, comparado ao meu, é pouco. Muito pouco. Mas você não vê. Não vê, não enxerga, não sente. Não sente porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre fui só sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou. Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você, meu homem, é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Seja feliz!

Mulher acordada;

Acordei. Mas não como se acorda de um sonho incrívelmente bom, aonde tudo que se quer é continuar naquilo. Só acordei, como se acorda todos os dias, mesmo querendo permanecer na cama, mas sem sonhar mais.
Quando aconteceu pela primeira vez, foi horrivel, me vi sozinha na cama, quase sem ar, desesperadamente acreditando naquela velha e falsa história de que quanto mais rápido se volta a dormir, mais chances se tem de voltar pro mesmo sonho. Quase perdi o foco em mim pensando em voltar a sonhar, deitei, rolei por bastante tempo, ouvi gente implorar pra eu ficar acordada e de pé, mas insisti, pois acordar subitamente de sonhos bons é crueldade demais para quem começou a viver agora.
Depois de cochilar várias vezes sem sonhos e acordar com medo de tudo, eu comecei a desistir ao ver os lençois cada dia mais frios e vazios.
Até que por um quase milagre de aniversário, adormeci de novo, e logo depois descobri que aonde havia deixado um sonho cheio de caminhos banhados de esperança, retomei em algo que eu nem o sonho queriamos, por pura rotina.
A partir desta parte, vi a história de longe, como espectadora de um sonho que ninguém queria viver, ou não queriam o suficiente.
Era uma menina, deitada, naquela fase aonde qualquer ruído desperta, enquanto uma parte da mesma menina, se agarrava ao sonho, tentando de todas as formar implorar pra que ele ficasse.
Nesta parte, ela ainda não tinha entendido, ou não queria entender, que sonhos só são bonitos quando querem ser e não quando sentem que são obrigados a isso. Sonho não é presente, sonho é sorte e merecimento, ela se lembrou.
Bem longe dali, ela ouvia um despertador tocar, quase implorando :
- Acorde, menina. O sonho acabou faz tempo.
A menina, teimosa e escorpiana, tampava os ouvidos e fingia ser só aquela parte dos sonhos bons que você sabe que é um sonho e morre de medo de acordar.
Era aquela menina e ninguém podia cobrar que ela não sonhasse, pois a vida toda foi só o que ela soube fazer.
O destino, o sonho e a vida, perceberam que sem interferir ela não ia acordar sozinha. O sonho cansou e vazio, foi embora.
O sonho que acabou na segunda vez, sem nenhuma palavra de amor, desde o começo. Mas havia um porém : O prazer do sonho, entendia o prazer da menina.
Acordar da segunda vez, pareceu menos difícil, ainda que doa se lembrar que sempre ia dormir com a certeza que o sonho ia continuar, mesmo sabendo ser uma grande mentira daquelas que a gente inventa pra colorir a vida, afinal o sonho mudava todos os dias e ela continuava achando tudo lindo.
Agora, acordar é só acordar, processo natural, e acontece.
A menina, que o sonho transformou em mulher, não se arrependerá de ter deixado o sonho acontecer de um jeito que a marcou pelo resto da vida, mesmo que já tenha ouvido de gente que não conhece o sonho, que era só isso que ele queria. Mesmo menina, ela acreditava que não poderia haver mediocridade maior em difamar os fatos, quando tudo que se quis no momento que eles aconteceram se resumia em petrificar o tempo.
Muito mais que o que todo mundo se preocupa que ela tenha entregado ao sonho, ela entregou algo muito mais valioso : o coração.
E por isso, ela estava disposta a conservar a imagem do sonho pura e intacta, mesmo que não queira mais sonhar.E conservará.
A lição que o sonho deixa, é que se você não se acostuma a viver fora dele, vai tudo ficando pequeno e um sonho lindo se transforma em tentativas que dão pena e pena é tão triste que não pode mesmo combinar com brilho.
Quando questionada se gostaria de sonhar de novo, ela só se lembra de dizer que sonhos vivídos mais de uma vez, não tem o mesmo gosto, não sem a intensidade que este tipo de sonho mereceria. Ainda assim, há quem diga que ela reza baixinho todos os dias para acontecer mais uma vez, mas eu, outro dia mesmo, vi nossa menina com um sorriso de vitrine, cantando por ai aquele verso que diz : " Existe aqui uma mulher, uma bruxa, uma princesa, uma diva ,que beleza, escolha o que quiser, mas ande logo vá depressa, nem se atreva a pensar muito, o meu universo ainda despreza, quem não sabe o que quer."
Eu desejo, que ela e todo mundo, entenda de uma vez por todas, que não é de sonhos que se vive a vida e sim de tempos com os olhos bem abertos, vendo em tudo e principalmente em si mesmo, motivos para acordar todos os dias com a esperança de fazer da vida um grande espetáculo, melhor que qualquer sonho. Pois viver é melhor que sonhar.

(AmigadeClarice)

Alguma coisa ficou

Às vezes me espanto e me pergunto como pudemos a tal ponto mergulhar naquilo que estava acontecendo, sem a menor tentativa de resistência. Não porque aquilo fosse terrível, ou porque nos marcasse profundamente ou nos dilacerasse - e talvez tenha sido terrível, sim, é possível, talvez tenha nos marcado profundamente ou nos dilacerado - a verdade é que ainda hesito em dar um nome àquilo que ficou, depois de tudo. Porque alguma coisa ficou.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Saudade irracional de você

"Confesso que me dá uma saudade irracional de você. E tenho vontade de voltar atrás, de ligar, de te dizer mil coisas, e cair em suas mãos, sem me importar com nada, simplesmente entregar-te meu coração. Mas não, renuncio, me controlo e digo para mim mesma que não é assim, que não pode ser, que você se foi, e não volta."
Três coisas na vida que você nunca deve quebrar:
confiança,
promessas e
um coração.
Quando eles se quebram não fazem barulho, mas dói muito.

O inferno são os outros

Os outros não entendem. Os outros não colaboram. Os outros ganham na loteria. Os outros perdem o irmão num acidente. Os outros pegam lepra, leishmaniose, peste, bico-de-papagaio, hemorróidas, câncer, gripe espanhola. Os outros têm histórias para contar. Os outros dormem no ponto. Os outros moram em favelas. Os outros vacilam. Os outros são seqüestrados, torturados e assassinados. Os outros não sabem de nada. Os outros são presos injustamente. Os outros são viciados em remédios, coca-cola e café expresso. Os outros não se entendem. Os outros moram em mansões. Os outros são cheios de manias. Os outros são babacas, otários e arrogantes. Os outros não têm limites. Os outros são pegos em flagrante. Os outros mentem muito. Os outros esquecem. Os outros vão para os Estados Unidos de férias. Os outros tiram férias. Os outros são os Estados Unidos. Os outros são ingênuos e tropeçam na rua. Os outros se jogam do viaduto e do décimo-nono andar. Os outros não são de confiança. Os outros fazem fila no hospital. Os outros sabem mecânica quântica e lógica paraconsistente. Os outros cantam e dançam. Os outros não perdem por esperar. Os outros fazem dívidas. Os outros não sabem o que querem.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

” A pessoa que você tanto se importa só vai se importar com você quando você se esquecer e então deixar de se importar com ela. “ @_danicavalcanti

” A pessoa que você tanto se importa só vai se importar com você quando você se esquecer e então deixar de se importar com ela. “

Venha pra mim;

Eu me importo com você, te trato como se fosse a minha vida, te dou todo o meu amor e toda minha atenção quando estamos juntos. Não peço nada em troca, apenas seu sorriso. Porque ele vale mais que tudo para mim, ver o seu sorriso e seus olhos brilhando é pra mim o maior e o melhor prêmio de todos. Eu sei que não é sempre que posso estar com você, ouvir sua voz sussurrando em meu ouvido, sentir a sua mão em contado com a minha, ter seus pensamentos em sintonia com os meus. Você não sabe o quanto eu queria isso, o tempo todo, pelo resto da minha vida. Eu não sei o que tem em você que me faz tão bem, que me deixa tranquila só em ouvir sua voz me dizendo : ' vai ficar tudo bem.', queria saber o seu segredo, o que você tem de tão especial pra mim, que me faz querer você a cada vez mais sempre mais. Me diz o seu segredo ? me explica porque você se tornou mais que um simples alguém em tão pouco tempo... me diz como você soube desvendar os mistérios do meu coração tão fácil assim... me diz o que tem escondido no seu olhar que me transmite essa sensação de paz e de bem estar... me diz porque eu te amo tanto assim... apenas diga que me quer também e venha para mim.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Seja como for, é amor

Ouvi uma história sobre borboletas que se encontraram. E pensei em começar contando pra vocês com ''era uma vez...'' mas resolvi que isso era irreal demais para começar uma história que deveria ser o máximo de realidade que a beleza poderia encontrar. Era amor.
Uma borboleta, sozinha , ainda assim, era linda, mas ao encontrar a outra, virava vida e florecia com toda felicidade, como se tivesse acabado de sair do casulo.
A outra borboleta, apesar de linda, ainda não entendia que as diferenças é que faziam das duas, inesquecíveis e saiu voando. Fugiu pro mais longe que poderia chegar.
A outra borboleta, acreditava, era amor, ela sabia. Quanto mais longe uma ia mais amor a outra sentia e assim, a borboleta que acreditava começava a pensar que poderia ter feito algo errado, mas o universo lhe respondia que acreditar não era erro de ninguém, acreditar é só começar a acertar.
Ela não teria medo de sofrer, se jogar e fazer a outra borboleta feliz, e um dia, ia descobrir que o simples fato de saber que qualquer maneira de amor vale amar, faria dela alguém que estava acima de qualquer julgamento de quem não aceita o amor dos outros por não ter amor e coloca defeitos. A
borboleta enfim achou no mundo o jardim para todas as suas esperanças, sonhos e desejos, a borboleta aprendeu a aceitar seu coração.

(Amidadeclarice)

Chamamos de silêncio;

Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Para meus amigos

Para meus amigos que estão solteiros:
O amor é como uma borboleta. Por mais que tente pegá-la, ela fugirá.
Mas quando menos esperar, ela está ali do seu lado.
O amor pode te fazer feliz, mas às vezes também pode te ferir.
Mas o amor será especial apenas quando você tiver o objetivo de se dar somente a um alguém que seja realmente valioso. Por isso, aproveite o tempo livre para escolher.
Para meus amigos não solteiros:
Amor não é se envolver com a "pessoa perfeita", aquela dos nossos sonhos.
Não existem príncipes nem princesas.
Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos.
O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.
Para meus amigos que gostam de paquerar:
Nunca diga "te amo" se não te interessa.
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.
Nunca toque numa vida, se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém, se não quiser vê-lo derramar em lágrimas por causa de ti.
A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você, quando você não pretende fazer o mesmo.
Para meus amigos casados:
O amor não te faz dizer "a culpa é", mas te faz dizer "me perdoe".
Compreender o outro, tentar sentir a diferença, se colocar no seu lugar.
Diz o ditado que um casal feliz é aquele feito de dois bons perdoadores.
A verdadeira medida de compatibilidade não são os anos que passaram juntos;
mas sim o quanto nesses anos vocês foram bons um para o outro.
Para meus amigos que têm um coração partido:
Um coração assim dura o tempo que você deseje que ele dure, e ele lastimará o tempo que você permitir.
Um coração partido sente saudades, imagina como seria bom, mas não permita que ele chore para sempre.
Permita-se rir e conhecer outros corações.
Aprenda a viver, aprenda a amar as pessoas com solidariedade, aprenda a fazer coisas boas, aprenda a ajudar os outros, aprenda a viver sua própria vida.
A dor de um coração partido é inevitável, mas o sofrimento é opcional!
E lembre-se: é melhor ver alguém que você ama feliz com outra pessoa, do que ve-lá infeliz ao seu lado.
Para meus amigos que são inocentes:
Ela(e) se apaixonou por ti, e você não teve culpa, é verdade.
Mas pense que poderia ter acontecido com você. Seja sincero, mas não seja duro; não alimente esperanças, mas não seja crítico; você não precisa ser namorado(a), mas pode descobrir que ela(e) é uma ótima pessoa e pode vir a se tornar uma(um) grande amiga(o).
Para meus amigos que tem medo de terminar:
As vezes é duro terminar com alguém, e isso dói em você.
Mas dói muito mais quando alguém rompe contigo, não é verdade?
Mas o amor também dói muito quando ele não sabe o que você sente.
Não engane tal pessoa, não seja grosso(a) e rude esperando que ela(e) adivinhe o que você quer.
Não a (o) force terminar contigo, pois a melhor forma de ser respeitado é respeitando.
Pra terminar..

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundos, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.
Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem. Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela.
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável.
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples.
Um dia percebemos que o comum não nos atrai.
Um dia saberemos que ser classificado como o "bonzinho" não é bom.
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você.
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso.
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais.
Enfim ..
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para dizer tudo o que tem que ser dito.
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutar para realizar todas as nossas loucuras.
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação!

Feliz Ano Novo :D

Todo mundo sempre costuma repetir:
"Ano-novo, vida nova".
Mas até que ponto sabemos realmente medir o peso desta afirmação e a colocamos em prática?
Se no ano que passou,
você não conseguiu atingir suas metas,
concretizar sonhos, acumulou mágoas
e não superou desafios inesperados,
agora é a hora de abrir as janelas da mente e do coração para o futuro.
É importante captar mensagens externas e não esquecer de olhar para dentro de si porque o caminho para uma vida nova passa, impreterivelmente, por nosso universo interior.
A mutação de seu momento atual, enfim, depende exclusivamente de você. Depende do seu trabalho mental, em acreditar e realizar. Nada, nem ninguém poderá fazer isso por você.
A ajuda pode, sim, vir de fora, mas o impulso deve partir de você. Independentemente de sua situação atual.
Em primeiro lugar, questione com honestidade:
"Eu realmente quero mudar minha vida?"
Se a sua resposta for afirmativa, então é hora de mexer-se porque o ano-novo está aí.
Para que isto dê realmente certo, é necessário, antes de tudo, se permitir mudar.
O próximo passo é derrubar aquelas barreiras internas tão prejudiciais, como o preconceito consigo próprio, o medo, a inveja e o rancor.
E, não esqueça, o mundo ao seu redor apenas reflete o que você é.

Feliz Ano Novo!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Disfarça e Chora,

Continuei com minha tristeza, que não era mais um tipo de tristeza em pé, pois eu já pensava em tombar. Era mais um tipo de tristeza empurrada com a barriga, da qual eu as vezes fugia, inventando as desculpas de sempre, mas com a qual eu sempre me encontrava no fim da noite ou em uma situação que não podia maquiar.
Meu amigo me perguntou se podia fazer algo por mim, respondi que não, ninguém podia, só a única pessoa que talvez não conseguisse fazer nada : eu.
Correr não resolve, tombar me desespera e maquiar já não faz sentido.
Enxergar que a única pessoa capaz de acabar com tudo isso, sou eu mesma me da medo, pois meus pais já não podem fazer nada e meus amigos não podem sofrer por mim.
Tenho andado com nojo de gente que é feliz demais, e não pense você que é inveja não, mas resolvi que gente muito feliz é alienada, me chame de recalcada, se assim se sentir melhor.
Rotina são as 6 letras que me desesperam, trazendo consigo, toda semana a obrigação de ser feliz e descolada e relaxar, quando não dá pra fazer nada disso.
Cansada de ser boazinha, sempre desejar boa viagem e nunca ver a minha vez chegar, só por ser diferente demais, resolvi que no ano novo, não vou pedir nada.
Ainda que meu nada esteja repleto de superexigências.
Não queria que isso soasse como uma carta de depressão, em que conto como sofro e como espero que alguém tire isso de mim. É comigo.
Eu só queria dormir e deixar todos com suas festas, viagens e verões, sem espelhos nenhum pra comparar eles comigo.
Cada alma, carrega sozinha o preço de se sustentar e se fazer feliz, eu busquei alguém pra ser meu tripé instável, nunca encontrei, e quando vi que esse tripé só existia dentro de mim, fiquei assim.
A pior de todas as certezas, é saber que a única pessoa que coloca freio em tudo, é você , pois a felicidade só faz o papel dela, pronta pra ser desfrutada;
Combinei com ela, que no ano novo, não ficasse se esfregando tanto nos meus olhos, mostrando que ela podia ser toda minha e a única coisa que priva de sermos unidas para sempre, é que meu casamento com o medo, ainda não acabou.
Ainda peço a você, não me rotule, eu sou só uma menina boba que não aprendeu a crescer, faço minhas piadas pra que o mundo acredite, e no fundo consigo até suportar, mas por favor, no meu primeiro gesto mais simples de liberdade, acredite em mim também.
Cartola continua me dizendo para disfarçar, eu continuo caminhando.


" Chora, disfarça e chora
Aproveita a voz do lamento
Que já vem a aurora..."

(Amiga de Clarice)
Eu te amo.
Ele sorriu, tímido.
- Você me ama?
- Não. - Respondi a ele sorrindo.
- Todos os que amo vão embora e eu não suportaria te ver partir.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

vitoriaewbank:  Não precise de ninguém, e precisarão de você. Não ligue para ninguém, e ligarão pra você. Não ame ninguém, e amarão você. Simples

Não precise de ninguém, e precisarão de você. Não ligue para ninguém, e ligarão pra você. Não ame ninguém, e amarão você. Simples

Os pensamentos de Deus

Os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos, nem são como os nossos. Nem estamos na mesma vizinhança. Estamos pensando: preserve o corpo; ele está pensando: preserve a alma. [...] Evitamos a dor e procuramos paz; Deus usa a dor para trazer paz. “Vou viver antes de morrer”, decidimos; “Morra para que você possa viver”, ele instrui. Gostamos do que enferruja; ele gosta do que dura. Alegramo-nos com nossos sucessos; ele se alegra com nossas confissões. Mostramos aos nossos filhos o astro da Nike exibindo um sorriso de um milhão de dólares e dizemos: “Seja como Ronaldo”; Deus aponta para o carpinteiro crucificado que tem os lábios manchados de sangue e um dos lados dilacerado e diz: “Seja como Cristo”.O que controla você não controla Deus. O que preocupa você não preocupa Deus. O que cansa você não cansa Deus.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Reflita

Você já refletiu para que serve uma chave de fendas? A gente só percebe a sua utilidade quando dela precisamos. Depois disso, você a guarda. Já viu alguem abraçado a um ursinho de pelúcia? Que meigo! Sabe por quê? O ursinho de pelúcia não tem utilidade alguma, mas é cheio de significado para você. Ele relembra uma situação, a pessoa que o ofertou, um afeto.

A chave de fenda só serve para alguma coisa, e o ursinho tem significado. Pessoas são assim também - têm significado. Ame dando significado ao amado, como se fosse a última oportunidade que lhe fosse concedida. Olhe nos olhos de quem você ama e, não permita que a vida passe sem que você diga isso a ela.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

''Desculpa''

Depois que inventaram a palavra “desculpa”, todo mundo se acha no direito de poder magoar os outros.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O amor é isso!

O amor é mais do que palavras, frases feitas, perfeitas, é mais do que ter um bem. O amor é mais que apenas um sorriso, é mais que uma lágrima, é mais que um prazer momentâneo, é mais do que presentes. O amor não pode ser descrito, não tem limites, não pode ser forçado, o amor apenas acontece. O amor não é invejoso, não é mentiroso; o amor não trai, o amor confia; o amor não exerce poder sobre ninguém, apenas completa alguém. O amor é poderoso, ele transforma o rosto, a alma, a vida das pessoas que se amam; ele traz consigo a alegria, a paz, o carinho, a paciência. O amor não começa com “era uma vez” e nem sempre termina com “felizes para sempre”. O amor pode começar naquele olhar, naquela música, naquele sorriso, naquele gesto… que faz toda a diferença.O amor vai além da dor, de qualquer obstáculo ou dificuldade. O amor torna tudo possível, pra quem deseja. O amor é feito de momentos, de compreensão, de atos, de demonstrações.O amor verdadeiro sabe diferenciar quando você precisa de um abraço, de colo ou quando você precisa ouvir que errou; o amor sabe diferenciar o momento em que você deseja correr, pular, gritar, ou que você precisa apenas dormir de conchinha com alguém, sentindo seu coração bater e ouvindo sua respiração. O amor vê o mundo com os olhos de uma criança; o amor só tem olhos pra uma pessoa. No amor as vezes há desentendimento, pode-se errar, mas é preciso coragem! Coragem pra enfrentar o mundo, pra assumir, pra pedir perdão. Coragem pra arriscar, pra esquecer tudo, pra deixar várias coisas de lado e coragem pra dizer pro mundo o quanto se ama, e, só quem ama de verdade, sabe de tudo isso.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O dia em que a carruagem chegar

Sou branca, mas não de neve; e sim, de lua. De me esbaldar na noite, e não ter forças para levantar e pegar o próximo sol da manhã. Não sei se apareço em espelhos que me indicam como a mais bela, mas há milhares de bruxas à minha caça, soltas atrás de mim. No lugar de sete anões, me enviaram dois pestinhas, aos quais caridosamente chamo de irmãos. Trocaram a casinha pequena que devia me servir como esconderijo por estes três andares espaçosos. Sem saber quem é você, espero que me espie à espreita, a conversar com os passarinhos na sacada. Ainda assim, morderia cada uma das maçãs envenenadas existentes apenas para beijar você em todas as vezes, desperta.
Vezenquando sou bela, porém adormecida não me encontro. Viro é a fera, a qualquer instante (ferida, ou não). Minhas três fadas, são as possíveis madrinhas do meu futuro casamento: minhas melhores amigas. A maldição que sofri, é provável que ainda não tenha se quebrado: o azar é inúmero, e o príncipe ainda não esfaqueou o coração da vilã travestida em dragão. Aliás, ainda nem ao menos sei se o moço já chegou. Tampouco, se capaz seria de se armar contra o tédio, a desconfiança, e a promiscuidade. Esperaria cem anos em sono profundo se possível, se quando acordasse com seus lábios nos meus, tudo estivesse exatamente igual e o saldo somasse um grande amor.
Meu maior sonho não é ir do mar, à terra, e nem ao menos, possuir um par de pernas. Confesso então, que viajar os céus para longe me parece uma das mais atraentes idéias. Vender minha única imortalidade possível, a escrita, por algum desvario inconsequente, não me parece plausível. Enquanto isso, alguns princípios já cairam por terra, e muitas verdades foram reconstruídas, em prol de grandes amores que não deram pé.
Graças a Deus tenho mãe, porém sou escrava da moda. Sou prendada na cozinha, e uma mula quanto à limpeza. Ganho regalos de uma avó coruja, que me parece muito mais fada do que qualquer madrinha. Aqui em casa não há ratos, mas meu cachorro me socorre em alguns momentos de solidão. Não constrói todo um vestido, mas é capaz de me fazer abrir um sorriso, ao chegar em casa. Converto os bailes, em pubs e festas, bares e jantares. E tão mais esquecidos que eu, os protótipos de realeza deixam o sapatinho salto doze lá, esquecido. De cristal, ou não.
Sou ciumenta, mas não demonstro, assim como também não tenho asas e nem pó de pirlimpimpim no vestido curto. Nunca tive um amor impossibilitado por guerras e em lado oposto, mesmo que minha personalidade forte entrasse em conflito e algumas cabeçadas tenham sido dadas, se preciso. Estou só no galho da mais alta árvore, esperando ainda Tarzan chegar. Janto sozinha em palácios enormes, enquanto Alladin não derrota Jafar e vem me buscar.
Cabelos enormes, e o que me resta então é ser filme inédito e uma história já manjada. Alguém que suba pela minha trança embutida e não se importe de comigo ficar numa mesma torre, distante da civilização moderna e todo esse caos urbano. E que me devolva a alegria roubada dos dias anteriores, junto com o pote no fim do arco-íris. Por enquanto, sou só uma plebéia que não se incomoda em fazer uso do transporte coletivo, ou de caminhar a pé quando necessário. Arrumar a casa, o quarto e em dias de unha já descascada, lava a louça. O dia em que a carruagem chegar, que seja pequena.

ficar junto de ti;

uma lagrima rolou do meu olho ao perceber que era a última vez em que eu ia ver você outra lágrima rolou dentro do meu coração ao ver a velocidade com que as vidas vão em vão quando eu menos esperei nada mais eu encontrei, havia desaparecido a lágrima que eu chorei mas aquela que escorreu do meu peito lá ficou a gota de um gosto amargo com o frio cristalizou e eu quero saber como proceder para esquecer da tua voz, do teu viver porque eu apenas quero caminhar sem ter que olhar pra trás e ver você vivendo em paz e você sabe que eu já sofri demais aqui e não vejo a hora de poder ficar junto de ti.

''Se você soubesse como gosto de suas cheganças, você chegaria correndo todo dia.''

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Tudo é dor

As vezes, você tem que esquecer o que você quer, para começar a entender o que você merece. Durante sua vida você irá encontrar várias pessoas e achar que ela é seu mundo, seu ponto de paz, e várias vezes você ira se decepcionar. Eu procuro acreditar que tudo isso que eu quero vai acontecer. Acabo me sufocando com tanta gente falsa, hipocrita e sem carater ao meu redor. Acho engraçado que nos filmes eles não param de ir atrás delas e lutar, já na vida real eles desistem no primeiro “não” que você diz. Quem me dera que ao menos uma vez, o mais simples fosse visto como importante. Existe alguém em mim que quer falar tudo que acha que sente. Quer dizer que faz qualquer coisa pra te ter ao lado todo dia à noite. Esse alguém te quer. Existe alguém que duvida. Duvida do que tu sentes e, justamente por isso, não diz o que sente. Ele não diz, e te faz achar que ele não sente nada por ti. Esse alguém te gosta muito. Existe também alguém que ferve. Alguém que ignora todo o sentimento, pois espera a cada esquina por algo melhor, algo que nunca aparece e que o faz permanecer nessa incessante busca. Esse alguém não vive sem ti. Tudo é dor. E toda dor vem do desejo de não sentir dor.

Eu quero,,

Eu acredito nas casualidades, nos encontros, nas passagens.
Nas conversas que temos, nas músicas que cantamos. No que somos e nunca deixamos de ser.
Eu acredito que podemos ser muito fortes, muito mais. Podemos ser como todos, e o tudo pode ser capaz.
Eu quero suas mãos, suas ideias e defeitos, que me ensine o seu jeito, enquanto aprende o meu.
Quero que faça sentido, que seja proibido, mas que entre nós todos não exista lei.
Quero ser tudo que tem graça, que tem gosto e da pra sentir.
Quero o que mais me da vontade, e quero vontade pra prosseguir.
Quero voar, mergulhar, morrer e matar a vontade de querer.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Eu sentia meu coração se quebrando, batendo lentamente. Eu sentia o vento frio que vinha em direção do meu corpo. Eu lutava, eu literalmente lutava com a vontade de chorar, de deixar as lágrimas quentes e salgadas da minha perda descerem e molharem o meu rosto, piorar o meu estado.
Eu respirei fundo, um, duas vezes. Doeu, porque eu ainda sentia o seu perfume, porque a sua presença ainda estava ali, eu mantive meus olhos fechados, eu me foquei na escuridão por de traz das minhas pálpebras. Eu tentava não pensar em nada, mais era difícil. Meu corpo sentia a ausência das batidas normais do meu coração, eu sentia frio, eu sentia a solidão me abraçando.
(...) eu sabia que ia acabar, eu sentia as pequenas fissuras em meu coração ficando maiores, eu vi o fim nos olhos dele.
Meu coração batia cada vez mais lentamente. Eu estava morrendo, eu estava morrendo por ele.

Eu quiz que fosse diferente.

Procurei mil maneiras para consertar, para curar o incurável, eu quis tanto poder transformar tudo novamente, como era no início. Não posso te culpar de algo que não existe culpa de nenhum de nós, foi tarde demais quando notei que tudo estava errado e sei que você me entende. Tem sido um desafio amanhecer todos os dias com a mesma sensação de perda no coração, e ainda assim você continua ali, insubstituível. Vejo a noite passar, custo a dormir sabendo que deveria buscar uma solução, mas só o que tenho encontrado é o desespero cada vez maior por não conseguir, sentir-se impotente por não poder fazer nada é dolorido pra mim, tanto quanto pra você. Demoramos a nos dar conta do ponto em que chegamos e só o que restou foi saudade. Quando me levanto todas as manhãs seu sorriso é a primeira imagem a passar na minha cabeça, eu sinto sua falta e sinto tanto por ter te perdido. Tudo o que eu desejo agora é voltar no tempo e tentar arrumar o que o tempo e a distância que havia crescendo entre nós dois, criou. Me recordo bem de quando me disse que não daria mais pra continuar, e que foi como me arrancarem o ar, o chão. Não vou negar que se te visse hoje e tivesse a oportunidade de te falar o que tenho sentido, tudo o que eu faria seria pedir em prantos pra que por favor me desse outra chance de mostrar que tudo pode ser diferente. Sonhar com você diariamente já é algo tão normal, eu preciso tanto do seu carinho outra vez. Trocaria um último suspiro meu por outro beijo seu, porque não existe algo pior do que te ver passar e saber que te perdi. Teu perfume ainda está por toda parte por aqui, e a nossa música ainda toca em meio a esse vazio que você deixou. Sempre disse que eu sei perder, mas depois que você partiu, eu já não acredito que saiba, é inaceitável, e onde eu falhei? Que difícil tem sido todos esses dias, espero poder aprender a viver sem você, espero me acostumar, mas jamais conseguirei aceitar.

(Ana Luiza)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Cansada!

Sabe quando não dá mais? Cansada.....de bater na mesma tecla, pensar que vai dar certo, de esperar, de dormir, de certas pessoas, de certas atitudes, de esperar ligações, mensagens, do cansaço, de não ter mais o que fazer, de não escrever mais, dos problemas, de indecisão, das dores, de me sentir inútil algumas vezes, dos dias quando estão cinzas, de tentar e tentar e tentar, de falar, de não poder fazer nada, de alugar meus amigos, cansada, da sua indecisão, dos problemas, dos meus pensamentos, de sair, de perguntas sem respostas, dos meus medos, do mundo, do egocentrismo, dos maltratos, das pessoas, da desumanidade , das comparações, das ordens, das brigas, de viver, de morrer, de pensar e as vezes, até de sonhar e de ter esperança... Nada me atrai, nada me faz querer mudar. E isso é angustiante.

Por Não estarem distraidos

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Você vai me abandonar e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora. Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue seu para manter-se viva. Você rasga devagar o seu pulso com as unhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no quarto.

domingo, 19 de dezembro de 2010

e você, o que tem feito?

O que você pode fazer hoje pra mudar o Mundo?! É o que me pergunto no amanhecer de cada dia. Não sei se você acredita em Deus, mas eu acredito muito no Deus que existe em cada um de nós. No poder que cada um tem de fazer o bem, de mudar uma vida.

Eu acho que AMOR é a única religião que o mundo anda precisando. Eu tenho visto tanta gente que levanta as mãos pra 'louvar' e não estende as mesmas mãos pra levantar alguém que precisa de ajuda. Tanta gente que aponta o dedo pra julgar, mas não abre os braços pra acolher. Tanta gente que pede perdão a Deus, mas não perdoa os outros.

Quanto a mim, eu só quero te convidar a ser diferente; porque eu sei que enquanto na minha mesa há fartura, existem 11 mil crianças morrendo de fome todos os dias; porque enquanto eu posso escolher entre matar minha sede com água, suco ou coca-cola, existem 1,3 bilhão de pessoas no mundo sem água potável; porque enquanto eu tenho acesso a educação de qualidade e ainda me dou ao luxo de ter preguiça de estudar, 20% da população mundial é analfabeta; porque enquanto reclamo das minhas responsabilidades ou de ter que acordar cedo, 218 milhões de crianças possuem as mãos calejadas de trabalho; porque enquanto eu brigo com meus pais, sei que milhares de crianças crescem sem pais; enquanto eu quero roupas de marca, existe gente bem perto de mim pessoas que não tem o que vestir; enquanto eu reclamo por ter problemas, eu sei que existem outros que realmente possuem problemas e precisam da minha ajuda; porque enquanto eu brigo por causa da bagunça dos meus pequenos, existem mães que dariam tudo pra ver seus filhos com saúde o suficiente pra bagunçar a casa.

Agradecer por tudo que você tem pode ser uma linda prova de gratidão, mas não muda a vida de ninguém. Se você não faz nada pra mudar o Mundo ele não muda, se você faz a sua parte a mudança acaba de começar por você. Se você acha que nada é problema seu, tudo bem, a escolha é sua, mas muito cuidado com as suas escolhas, elas definem quem você é. Se você acha que não tem nada que possa fazer, experimente olhar pro seu lado, sempre tem alguém precisando de uma mão amiga. Ninguém é tão pobre que nada tenha a ofertar e nem tão rico que não precise de ninguém.

Sonho com o dia que o Mundo vai aprender que em uma Guerra ninguém ganha, todos perdem; que o continente mais pobre é o mais rico, o que guarda a história da humanidade; que o país mais rico é rico com o que vem dos pobres; que os donos do mundo não possuem o mais importante: ALMA; que preconceito só faz mal pra quem tem; que palavras ruins fecham portas; que a mentira destrói corações e que perdão os resgata; que as crianças são a única esperança de futuro e os mais velhos a nossa única oportunidade de aprendizado, que família não é um laço de sangue, mas sim de amor e que quem adota uma criança não faz um favor, ganha uma vida; que respeito não é só um dever é uma necessidade; que solidariedade faz mais bem pra quem pratica do que pra quem recebe e que poucas são as chances de um mundo melhor, mas que cada um de nós pode ser uma delas (chances). Faça a sua parte. Seja mais um por um mundo melhor, se você se juntar a mim, se nós nos juntarmos a outros, quem sabe um dia não sejamos a maioria.

(crédito: Descompasso Delas)

Me deixe te amando

estranho dizer isso, pelo menos pra mim, mas com o tempo... acabei criando uma linha imaginaria de transição do mundo real pro faz de conta, e dentro de mim eu era 90% faz de conta, 10% mundo real, sabe... O faz de conta é tão mais fascinante, brilha tão mais quando eu olho pra ele, foi ali, dentro desse mundo onde eu te encontrei, onde eu te ganhei e ali mesmo, naquele meu mundo, quase te perdi. E te perder não seria a parte mais dificil pra mim, ter que conviver com a perda, essa sim seria. Não nego me pego pensando em ti. Eu faria tudo pra te ver feliz, eu faço tudo, do meu modo, da minha maneira, e só Deus sabe o quanto eu fico feliz com as tuas vitórias, porque quando tu ganha eu ganho também, só não preciso ficar gritando pros quatro cantos do mundo ouvir. Por que... Sabe de uma coisa... O amor, o amor faz silêncio! E o fato de eu não falar sobre o que eu sinto por ti todos os dias, o tempo inteiro, não quer dizer que eu não sinta, muito pelo contrário, só eu sei o que eu sinto, só eu sei como É sentir. E se tudo isso significar alguma coisa pra ti, uma mínima coisa ao menos, eu te peço: Cuida bem de ti, porque eu só te quero bem.Nunca destrua o meu carinho por você. Nunca esfrie o calorzinho que aparece dentro de mim quando você liga, sorri ou quando aparece. Eu prefiro morrer sua amiga do que quebrar algum elo misterioso e te perder pra sempre. Me deixe um dia, se quiser. Mas me deixe te amando. É só o que eu peço.

A mais bela história de amor

Que você acredite que não me deve nada simplesmente porque os amores mais puros não entendem dívida, nem mágoa, nem arrependimento. Então, que não se arrependa. Da gente. Do que fomos. De tudo o que vivemos. Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos. Que termine com a sensação de ter me degustado por completo, mas como quem sai da mesa antes da sobremesa: com a impressão que poderia ter se fartado um pouco mais. E que, até o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente a nossa história, para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela história de amor da sua vida. E que uma parte de você acredite que ela foi, de fato, a mais bela história de amor da sua vida.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Você é ''A'' mulher

Vim aqui pra falar de você mulher. De você que se encontra só. De você que olha pro relógio e sente uma imensa solidão por ver que deu a hora. A hora em que você o encontrava todos os dias da semana. Então, você tem aprendido a viver com essa falta não é? Acredito que ninguém te entenda agora. Afinal, quantas pessoas não te alertaram? Mas vai querer convencer o coração de que o fim é a solução [..] E aí, você ainda deita sua cabeça no travesseiro e já não torce pras horas passarem rapidamente pra que no outro dia você o encontre. Não. Você não pode mais encontra-lo. Então você chora. Até pensa em ligar pra ele e desabafar como sempre fez durante os últimos meses, mas você sabe que agora já não dá mais. É uma sensação esquizita e avassaladora que te consome aos poucos, e quando você se dá conta tem a impressão de ouvir a voz dele; de ver em outras faces a face dele, aquela face que quando você avistava causava um brilho no seu olhar. Mas cadê mulher, cadê aquele brilho no olhar? Cadê aquele sorrisão que você disse que estaria sempre em seu rosto? Mulher.. Não é fácil, eu sei. Posso até imaginar aqui, como você torce pra encontra-lo mesmo dizendo que não quer nunca mais ver aquele cafajeste na sua frente. E quando anda por qualquer lugar, torce para vê-lo mas ele não aparece. Então você se pergunta onde ele está neste momento, com quem ele está, o que faz agora. E de uma forma que ninguém imagina, como os brasileiros ficaram cheios de expectativa pra que o Brasil fosse campeão nessa copa, você cria dentro de si mesma uma grande, até mesmo maior expectativa pra que ele esteja pensando em você, pra que ele sinta sua falta, pra que ele se sinta sozinho demais quando dá o horário em que juntos estavam, mas você não sabe de nada. Se chama de burra até. Você não sabe de nada mulher. Não sabe como está sendo a vida pra ele, se ele já esta vivendo normalmente. A única coisa que você sabe é que ele faz falta e que ser mulher nem sempre é ser sábia; E você vive na torcida, esperando um sinal de vida que te faça viver denovo.
Você abre o celular, mas não chega mensagem nenhuma mulher. Você entra no seu orkut e não tem recado nenhum mulher. Você olha pro portão mas não há ninguém te chamando mulher. E aí, o que se faz diante disso? Ai, não vou brigar com você mulher, não vou dizer que você está sendo uma otária porque eu sei que não é fácil, mas mulher, diga pra mim quem te disse que seria fácil? Quem te enganou dizendo que amar não machuca? Eu sei mulher. Eu sei que você não fala que acabou pra ninguém, porque lá no fundo do seu coração ainda resta uma certa esperança de que ele te procure, mas me diz mulher, quantos dias fazem que você o espera? Me diz porque o seu mundo parou depois de tudo isso? Se você não souber responder eu te entenderei. Afinal, neste momento você tem mais perguntas do que eu a fazer. Mas ele não vai te responder mulher. Ele não vai porque além de se chamar Lucas, Matheus, Rodrigo, Fábio, Henrique ou sei lá o que, o seu ex-amorzinho se chama Orgulho e esse Orgulho danado não curte voltar atrás. Tudo bem, compreendo que agora você chegou a conclusão que voltar atrás é algo que você mesma deve fazer. Mas não dá. Não que seu nome seja orgulho ou algo do tipo, mas porque você entende que mesmo sendo sofredora você não deixa de ser mulher sem ele. Porque nessa altura, você já compreendeu que mesmo que dê os horários dos quais vocês tinham um momento de demonstrar carinho e amor, você não deixa de ser mulher porque perdeu esse homem. Confesso. Foi dificil te fazer entender isso. Mas foi fácil te entender. Foi fácil ver quão mulher você foi e continua sendo por não desistir. É isso. A maior prova de que você é uma verdadeira mulher, é você não desistir. Então faça o que der vontade. Em momento algum eu disse que você não era mulher. Pode apostar, você é forte e se ele não fizer por onde merecer uma nova chance ou até mesmo uma tentativa de reconciliação, não esquece. Existem muitos homens, que procuram por mulheres como você. Você é a mina. Você é a mulher. Parabéns.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Para um roxo dia de sol de fevereiro

Este vazio de amor todos os dias: a cabeça pesada ao meio-dia, a boca amarga, um cheiro de sono e solidão nos cabelos, uma xícara de café bem forte espantando os arcanos da madrugada, e muitos cigarros, as roupas, o espelho, os colares, as pulseiras. Procuro e não acho. Mas saio para a rua todo de roxo, a barriga de fora.

O sol bate forte na cabeça. O sol bate forte e reflete na calçada e dissolve o corpo em gotas pegajosas escorrendo nojentas e brilhantes pelos braços e pelas pernas por baixo do roxo até cair sobre o asfalto formando pequenas poças que logo se evaporam subindo pelos raios do sol cor de cenoura de fevereiro para novamente descer do alto despertando o suor roxo adormecido no meu corpo.

E na esquina riem. Eu não ligo, mas riem e falam baixinho entre si, homens dispostos na calçada com as camisas abertas entre as verduras da tenda da esquina, os homens de pelos aparecendo pelas aberturas da camisa cochicham entre si e riem. Mas eu piso firme e ergo a cabeça e dentro do meu roxo caminho só-rindo entre as verduras e os cochichos, e ninguém entende: mas silenciam e principiam a rir baixo, apenas para eles, e não têm coragem de dizer nada. Eu passo por seu silêncio irônico e perplexo, a minha bolsa oscila, é como se o sol coroasse minha cabeça e ninguém soubesse ao certo se rir ou calar, de espanto, porque nunca naquela rua passou alguém coroado por um sol roxo de fevereiro.
Depois são os corredores e as escadas e o balcão claro do bar e os grupos de pessoas que não distingo umas das outras, mas vou sorrindo, sou um projétil orientado até certo ponto, depois dele, e é agora o depois dele vou furando o desconhecido, violentando o mistério, vou penetrando no incompreensível, e sorrio para o inesperado, o corpo ereto projetado, e alguém me faz uma saudação oriental na porta de entrada e eu sorrio ainda mais largo: é alguém semelhante a um cão são bernardo, falta apenas o barrilzinho de chocolate, desses abençoados que riem o tempo todo e o tempo todo cantam e dizem coisas e soltam notas musicais por entre os pelos espessos da barba e do cabelo grande.

E entro na sala e sinto que os olhares se debruçam sobre mim e cumprimento alguns e outros e não penso nada: gozo a glória deste momento e sei que brilho mesmo sem saber para onde vou. E tombo sobre a mesa e tento arranjar no rosto um ar compungido, qualquer coisa modesta e bucólica, à beira do perdão, um olhar no horizonte nas janelas do arquivo, para que me amem, para que se condoam, para que não se ofendam com meu sol de hoje.

Mas hoje. Hoje não. É impossível perdoar no meio destas máquinas histéricas e destas pessoas que tão pouco sabem de si destas calças desbotadas do feltro verde do jornal mural das vozes que passam misturando marchas de carnaval john lennon e carlos gardel é impossível sofrer entre os telefones que gritam e o suor que escorre e as laudas numeradas e as pilhas de jornais e livros e a porta que vezenquando abre libertando vanderléias comerciais e meninos de roupas coloridas e ar desvairado.

E hoje não. Que não me doa hoje o existir dos outros, que não me doa hoje pensar nessa coisa puída de todos os dias, que não me comovam os olhos alheios e a infinita pobreza dos gestos com que cada um tenta salvar o outro deste barco furado. Que eu mergulhe no roxo deste vazio de amor de hoje e sempre e suporte o sol das cinco horas posteriores, e posteriores, e posteriores ainda.