sábado, 15 de janeiro de 2011

Aniversário da sua ausência

A gente quase completou um ano de namoro, quase. Faltou um mês ou um pouquinho mais, não lembro. Mas hoje, sem mais nem menos, completamos um ano de separação. Ano passado essa hora, exatamente a essa hora, eu lembro bem. Eu estava no show do U2 que você não quis ir comigo e me ocupava em perguntar, de dez em dez segundos, e de dez em dez pessoas, quando é que você iria me ligar e dizer que tinha pensado melhor. Quando? Você nunca ligou, nunquinha. E eu esperei, esperei, esperei tanto tempo, nossa, como eu esperei. Acho que eu nunca esperei tanto nada em toda a minha vida. Outro dia a Myla me perguntou o que você tinha me ensinado. A gente estava conversando sobre os legados que as pessoas deixam em nossas vidas e ela quis saber qual tinha sido o seu. O coiso me ensinou a gostar de MPB e cinema europeu.Teve o coisinho que me ensinou a ser engraçada e jogar frescobol. E você? Que raios me ensinou? Fiquei sem saber na hora, fiquei sem saber o que responder para a Myla. Mas hoje, no nosso aniversário de um ano separados, posso dizer que foi você quem me ensinou a lição mais importante da minha vida: você me ensinou a sofrer. Eu nunca, nunca, em vinte e sete anos de vida, tinha sofrido. Nunca. Claro, eu odiava ver meus pais quebrando o pau quando era criança, mas eu lembro que eu, pequenininha, pensava: um dia um príncipe vai me levar para longe dessa casa com gente louca que fuma demais, berra demais, desmaia e chuta vasos. Eu sofri também na escola, quando para alguém me enxergar eu tinha de promover bizarrices. Mas eu era muito nova para me separar das bizarrices e acabava também chamando a minha atenção: será que eu sou bizarra?
Depois, em casa, quando eu dobrava direitinho o uniforme para o dia seguinte e me sentia um papel de parede bege que ninguém entende pra que serve, eu pensava: um dia um príncipe vai me levar pra longe dessa falta de vida, dessa falta de beleza, dessa falta de compreensão, dessa falta de cor, dessa falta de sei lá o que porque eu era novinha demais pra saber o que faltava. Esperar o raio do príncipe sempre disfarçou minha dor, sempre me refugiou dela. Mas quando você, me mandou seguir meu caminho sozinha, fiquei sem saber como fugir da dor. Você era meu príncipe. Depois de tantos amores estranhos, pequenos, errados e tortos, finalmente eu tinha reconhecido no seu olhar centralizado e no seu sorriso espalhado, o meu príncipe. E o meu príncipe estava me dando o fora. Que porra eu ia esperar da vida agora? Quem iria me levar para longe se você não me queria mais por perto? Não teve como. Foi a primeira vez na vida que não consegui me enrolar e acabei deixando a dor vencer. Pela primeira vez a realidade falou mais alto que a fantasia. Pela primeira vez a realidade da sua ausência falou mais alto que a fantasia de anos a sua espera. Sofri pra caralho, como diz por aí quem sofre pra caralho. Mais do que livros cabeças, músicas bacanas, frases inteligentes, lugares descolados ou posições sexuais, você me ensinou o que realmente importa aprender nessa vida: que a vida pode ser uma grande, imensa e gigantesca merda. É, ela pode ser. E que não existe porra de príncipe porra nenhuma. Que nem ninguém e nem nada pode te levar para longe de nada. É isso e pronto. E é assim pra todo mundo. E pronto. Qual o drama? A dor infinita dos dias infinitos que vieram depois do dia em que você se foi pra sempre veio misturada com toda a dor que eu não senti em todos esses anos.
A dor do seu pé na bunda trouxe vasos jogados, bitucas eternas de cigarros em longas discussões pesadas, tardes perdidas em odiar o mundo, cabeças viradas, corredores frios, papéis de parede beges e grupinhos festivos e fechados.A nossa dor acabou sendo toda a dor que fazia fila em mim para ser sentida. Mas agora já passa da meia noite. Não é mais nosso aniversário de fim e, pra te falar a verdade, eu já não sofro mais o nosso fim faz tempo. E pra te falar ainda mais a verdade, eu acho mesmo que você foi o príncipe que eu esperei a vida inteira. Você chegou e me levou embora. Levou embora a menina que tinha medo de sentir a vida e esperava uma salvação para tudo. Quem sobrou é essa desconhecida que se conhece muito bem em suas bizarrices, lê jornais todos os dias, substituiu o bege pela cor do verão, tem uns pais gente boa ainda que malucos, adora os poucos e estranhos amigos, não espera mais pelo cavalo branco mas fica ansiosa pelo início da novela e talvez esteja pronta para amar de verdade. Amar um homem e não um príncipe.

Vá embora

Quer saber a verdade? A frágil e dura verdade? Não faz mais diferença.
Talvez um dia você queira o meu corpo quente no meio da madrugada ou precise do meu beijo de bom dia antes do café da manhã; talvez um dia você espere muito ouvir a minha voz ao telefone ligando só pra saber se está bem; talvez um dia você precise do meu amor registrado como todo amor que se preze e quem sabe até sinta falta de todos os pequenos detalhes que eu valorizei incessantemente pra te fazer feliz; talvez um dia você descubra o valor de pequenas coisas que você poderia ter dito ou feito e simplesmente nunca se deu ao trabalho; talvez um dia cada uma dessas miudezas que um dia foram importantes pra mim sejam pra você, mas agora sou eu quem não dá a mínima pra elas.
Deve ter sido amor e talvez ainda seja, mas tá adormecido, está aonde você já não alcança, perdido no meio de tantas coisas que poderiam ter sido e não foram, entre tantas coisas que eu quis te dar, mas que você nunca pôde receber, entre todos os 'Sim' que eu dei em troca de cada um dos 'Nãos' que recebi.
Não tenho a intenção de ser pretenciosa, pode ser que você nunca sinta todas essas coisas que eu senti, pode ser que você nunca precise me provar nada, pelo menos não dá maneira como eu tenho que te provar tudo todo o tempo, talvez você nunca precise me reconquistar, mas se você precisar eu sei que será muito mais difícil do que foi e tem sido pra mim, porque não faz mais diferença. Entende isso? Verdade ou mentira, amor ou sexo, romance ou aventura.. nada faz mais diferença agora. Porque eu quis tanto ser tudo pra você e não consegui que agora o que me resta é ser nada (e olha que nem precisa fazer muito esforço).
Esqueça aqueles sonhos bobos, as viagens planejadas, os desejos pedidos.. esqueça tudo, porque eles ficaram guardados para alguém que os queira. Não relembre os planos, não tente resgatar as cartas que jogou no lixo, não se arrependa por cada pedaço dessa história que você deixou passar e acima de tudo, antes de qualquer coisa, não conte mais com a sorte ou com meu coração pra me trazer de volta, a sorte deixou de rir pra você no mesmo momento em que eu fechei as portas do meu coração.
Não espero te roubar lágrimas, porque já não me importo nem com as que fiz cair. Não espero que você venha atrás de mim, pra ser sincera, do fundo do meu coração, não venha. Não espero que sinta remorso ou saudade, porque eu não vou sentir. Não espero quase nada, apenas que devolva cada centavo de amor que eu te dei e vá embora.
Ele pode estar olhando tuas fotos neste exato momento. Por que não? Passou-se muito tempo, detalhes se perderam. E daí? Pode ser que ele faça as mesmas coisas que você faz escondida, sem deixar rastro nem pistas. Talvez, ele passa a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você. Todos os dias. E, ainda assim, preferir o silêncio. Ele pode reler teus bilhetes, procurar o teu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as tuas músicas, procurar a tua voz em outras vozes. Quem nos faz falta, acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape. Talvez, ele perceba que você faz falta e diferença, de alguma forma, numa noite fria. Você não sabe. Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado verão em Paris. Talvez, ele volte. Ou não.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Repito;

Só dou ouvidos a quem me ama, repito.
E tenho cuidado com as acusações de quem não me conhece.
Não coloco minha atenção em frases que me acusam injustamente.
Há muitos que vão feridos pela vida porque não souberam esquecer os insultos maldosos. Prenderam a atenção nas palavras agressivas e acreditaram no conteúdo mentiroso delas.
Há muitos que carregam o fardo permanente da irrealização porque não se tornaram capazes de esquecer a palavra maldita, o insulto agressor. Por isso repito: só dou ouvidos a quem me ama. Não me ocupo demais com as opiniões de pessoas estranhas. Só a cumplicidade e conhecimento mútuo pode autorizar alguém a dizer alguma coisa a respeito do outro.
Ando pensando no poder das palavras. Há palavras que bendizem, outras que maldizem. Descubro cada vez mais que Jesus era especialista em palavras benditas. Quero ser também. Além de bendizer com a palavra, Ele também era capaz de fazer esquecer a palavra que amaldiçoou. Evangelizar consiste em fazer o outro esquecer o que nele não presta, e que a palavra maldita insiste em lembrar.
Quero viver para fazer esquecer... Queira também. Nem sempre eu consigo, mas eu não desisto.
Não desista também.
Há mais beleza em construir que destruir.
Repito: só dê ouvidos a quem te ama.
Tudo mais é palavra perdida, sem alvo e sem motivo santo.
Só mais uma coisa. Não to preocupando tanto com o que acham de mim.
Quem geralmente acha não achou nem sabe ver a beleza dos avessos que nem sempre eu revelo.
O que me salva não é o que os outros andam achando, mas é o que
Deus sabe a meu respeito.

Dando um chega pra lá no romantismo

Eu acreditava. Na verdade, sempre acreditei. Eu acreditava em romance, amor eterno, amor da vida, gente que fica juntinha até depois do fim. Eu acreditava em príncipes, princesas, contos de fadas, mundo cor de rosa. Sabe, eu sempre acreditei nessas coisas. Até que.
Tem coisa que não volta, por mais que a gente queira. Você pode até tentar voltar o disco, repetir a música, insistir na letra, cantar o mesmo refrão por mil e um minutos, fechar os olhos. Tem sentimento que não volta. Mesmo que você se esforce, recorde, tente voltar a página, refrescar o coração. Alguns sentimentos são bem pontuais: chegam, esperam pra ver se devem ficar e decidem partir ou continuar.
Tem música que não volta. Tem som que não volta. Tem amor que não volta. Tem momento que não volta. Tem palavra que não volta. Tem grito que não volta. Tem silêncio que não volta. Tem beijo, tem abraço, tem oportunidade, tem tempo, tem até vida que não volta. E tem a gente que se perde no meio de tudo isso, com um coração cheio de sentimentos, uma cabeça cheia de sonhos e uma realidade cheia de tristeza.
Tenho visto coisas tão feias. Pessoas pequenas. Histórias que parecem não existir. Mas elas existem, sim. Não faziam parte do meu mundo encantado, mas existem. Não sou uma pessoa muito boa para dar conselhos, pois sempre sigo o meu coração. A gente não pode esquecer que tem cabeça, cérebro, que pensa, que a razão nos puxa pelo pé ao anoitecer. Mas eu insisto em coisas que não fazem nenhum sentido, inclusive em esquecer que a razão existe e nos bate forte na cara. Tenho aquela ideia boba de ter uma casinha bonita, um trabalho que eu adore, alguma coisa que me inspire e um amor que me entenda. Sou o tipo de pessoa que chega na frente do Poço dos Desejos, fecha os olhos, pede baixinho *insira seu pedido/desejo* (o meu é ..................................................) e atira a moedinha na água, acreditando fortemente naquilo tudo. Sou assim, desculpa. Tenho essa anomalia emocional, essa deficiência no coração. Não penso, só sinto. E isso me custa caro, muito caro.
Eu dizia que andava vendo coisas feias. Desculpa de novo, mas tem coisa que não cabe em mim. Não consigo acreditar, desculpa, não consigo. Desculpa, não vou mais me desculpar nem tentar ser o que não sou. Desculpa, eu sou assim, continuo do mesmo jeito, sigo acreditando naquelas coisas tão bonitas, tão puras, tão minhas, tão suas. Mas estou perdendo a fé no romantismo. Juro, eu tô matando isso em mim bem devagar. Como pode, como é que pode as pessoas não perceberem que o amor é uma coisa tão essencial? Me explica isso. Uma amiga ligou contando coisas que se fosse comigo, sei lá. Sabe? Sei lá. Pelo que entendi, ela estava conversando com o namorado e lá pelas tantas ele disse que "o amor é aqui (e apontava para a cabeça), assim como o sexo, assim como tudo mais. É tudo aqui ó (na cabeça), o coração é apenas um músculo." Ela ficou chocada. O amor não é aqui, nem na minha cabeça nem na sua. O coração é um músculo, sim, mas o amor vem de dentro, minha gente. E não é da cabeça, pois se o nosso lado racional controlasse tudo é evidente que controlaria nossas vontades, ímpetos, impulsos e, é claro, nosso sentimento mais nobre. Não tem como fugir do amor, a cabeça não domina, não controla, não consegue domar. Outra amiga contou que estava em um momento de romance com o marido e fez aquela pergunta boba que as mulheres adoram fazer você-me-ama e ele olhou pra ela e perguntou "Você se ama? Tem certeza disso? Porque a gente tem que se amar, o amor-próprio é o amor mais importante". Que coisa horrível. Que coisa horrível. Que coisa horrível. Todo mundo sabe que pra amar alguém a gente tem que se amar. Lembro sempre da aeromoça: "Em caso de despressurização da cabine, máscaras cairão automaticamente à sua frente. Coloque primeiro a sua e só então auxilie quem estiver ao seu lado." Para ajudar alguém a gente precisa estar bem. Simples assim. Para amar alguém a gente precisa ter amor pra dar. E só tem amor pra dar quem se ama.
As pessoas não pensam em como uma coisa dita pode ferir a outra pessoa tão fundo, mas tão fundo que lateja loucamente nos dias chuvosos. A gente devia pensar muito antes de dizer coisas que machucam. Ou pelo menos se arrepender verdadeiramente. Devia ser proibido magoar quem amamos. As pessoas não se dão conta que magoando um amor estão magoando a si mesmas. Por essas e por outras, queria ser menos emotiva. Espero conseguir um dia.
jjustadreamm:  “Eu amo as pessoas que me fazem rir. Sinceramente, acho que é a coisa que eu mais gosto, rir. Cura uma infinidade de males. É provavelmente a coisa mais importante em uma pessoa.” Audrey Hepburn

Ficamos assim: você joga as queixas no telhado, eu ponho as manias de lado, você lava a escadaria, eu rego o jardim. Podemos varrer juntos as nódoas secas aderentes ao passado. Se você se habilita, eu me disponho, num desafio à desdita. Você acende a luz, eu desempeno o sonho, enquanto você ensaia o passo, eu troco a fita. Na mesa torta, a toalha colorida. O resto é fácil: basta mandar flores ao futuro, derrubar o muro e acreditar na vida.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

volta pra mim? /:

Seria tão bom se sentimento fosse como a um computador. Delete e pronto. Já era, nenhum sinalzinho de nada. Evitaria muitas lágrimas, tempo, terapia e choro no ouvido das amigas. Ah, já faz tanto tempo, o que posso fazer? Já sei, vou colocar em frente a sua casa uma faixa gigante escrito: VOLTA PRA MIM? Ou fazer uma tatuagem na testa com seu nome, já sei vou pichar toda a cidade com ‘eu te amo’ para que todos saibam do meu sentimento. Ta, nada disso surtiria efeito. E eu não sou idiota. Estou sem perspectiva. Então pego meu celular, coloco no restrito e te ligo. Os segundos que antecedem me matam, me destrói, meu coração dispara, minha garganta seca, minha barriga congela, penso em desligar. Que aflição. São segundos, estou muito nervosa. Vou desligar. ‘ALÔ... ALÔ?’ Você me atende. Voz de quem estava dormindo. Me sinto tão feliz e tão boba e tão infeliz por não poder te dar um Oi, e dizer que sou eu. Dizer que ainda te amo. Mas o que adiantaria? O que você pensaria? Não faria sentido eu te ligar depois de tanto tempo. Mas eu te liguei então desligo com um nó na garganta. Me deito e volto a te amar mais. Olho pra tudo em minha volta e penso quão ridículo é a vida. Eu escutando uma música bonita, tendo uma vida bonita e com a absoluta certeza de que trocaria tudo. Passado, presente e futuro só pra ouvir meu celular tocando e sendo você. Nem que fosse pra dizer que eu não sou nada e você sabe que sou eu quem te ligo com numero restrito. Mas pensando melhor, seria muito bom se você ligasse e dissesse que ainda gosta de mim, que cometeu um erro e me quer de volta. Ilusão. O meu erro foi ter acreditado em todas as vezes que você me ligava e dizia que me amava. Mas me diz, antes de te conhecer eu já te amava, como não amar agora? Agora que eu já sei seu nome, telefone e endereço? Como não te amar? Como não te esperar? Me diz que eu estou certa em te esperar, me diz que eu devo te esperar, diz que também me ama. Ou devo jogar fora esse celular e me livrar da vontade de te ouvir?

Eu quero..

Prefiro as  lágrimas de não ter vencido, do que a vergonha de não ter lutado!


Prefiro as  lágrimas de não ter vencido, do que a vergonha de não ter lutado!

Quero ter mais gentileza com os meus sentimentos. Com todos eles, sem exceção. Quero ter mais habilidade para ouvir o que têm pra me contar, sem tentar abafar a voz daqueles que podem me trazer desconforto. Quero deixar que se expressem, exatamente com a cara que têm. Que me façam surpresas. Que me apontem as mudanças que já aconteceram e me falem sobre aquelas que pedem para acontecer. Quero que me mostrem as regiões ainda feridas em mim que precisam de olhar, de cura ou de perdão. Não quero sentimento acuado, amordaçado, varrido pra debaixo do tapete. Quero ser a melhor confidente de cada um.
Eu quero me sentir feliz. Uma felicidade que não está condicionada à realização das coisas que, particularmente, anseio para mim. Para a minha história nesse mundo. Para essa personagem que eu visto. Quero, antes de qualquer outra razão, me sentir feliz por encontrar descanso e contentamento no meu coração. Por tocar com o sentimento a preciosidade da vida. Por saber que existem coisas para eu realizar enquanto estou por aqui. Por acreditar que a maior proposta da idéia humana é a felicidade. Não importa quantas nuvens eu possa ter que dissipar no ano que começa: gente, por natureza, é sol, e eu quero viver esse lume.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A louca do jardim

Pra onde vai o amor? De manhã eu preciso buscar um remédio pra minha mãe, depois tenho pilates e às 11 em ponto preciso estar na agência pra decidir um roteiro de vídeo para uma apresentação interna que o cliente vai fazer para a área comercial. Pra onde vai o amor? Quero aparecer na sua agência, subir as escadas correndo porque essa pergunta precisa ser feita de peito ofegante. Pra onde vai o amor? Você tem a apresentação de uma concorrência. E tem uma equipe, uma mesa, um lixo, um carro alto, um cabelo grande, um sobrenome importante, um quadro caro, uma ex namorada top model, dezenas de garotinhas apaixonadas. Pra onde vai o amor? Porque quando deitamos no chão da sua sala e você me perguntou "quanto tempo você demora pra dizer que ama?". Porque quando você me mandou aquele e-mail falando que dormiu bem quando me conheceu. Porque a gente estava tão nervoso no dia do Astor, Subastor. Porque eu tinha uma escova de dentes aí e você tinha uma escova de dentes aqui. Pra onde vai o amor? O que você fez com o seu? Deu descarga? O que eu faço com o meu? Dai eu te ligo, escondida no jardim da agência que eu trabalho. Chorando horrores. E te peço desculpas. "Eu sei que faz só um mês que estamos juntos mas o que você fez com o nosso amor?". Por que você ficou frio e sumiu e esqueceu e secou e matou e deletou e resolveu e foi? E você diz que está trabalhando e eu me sinto idiota. Me sinto esfolada viva pelo mundo. Me sinto enganada por anjos. Me sinto inteira uma enganação. Respiro mentiras. Visto desculpas. Ajo disfarces. Porque a gente estava sim se amando mas você correu pra levantar antes a bandeira do "se fudeu trouxa, o amor não existe". Justo você que eu escolhi pra fugir comigo das feiúras do mundo. Porque você me emprestava a mão dormindo e pedia colo vendo tv e queria me fazer camarões fritos e escondia as meias suadas quando eu chegava antes do que você esperava. E você me perguntava o tempo todo se eu percebia como era legal a gente. E então, só pra fazer parte da merda universal de toda a bosta da vida, você se bandeou pro lado do impossível e se foi e me deixou como louca, escondida no jardim da agência, chorando, te perguntando pra onde foi o amor. E você riu e disse "mas eu só estou fazendo minhas coisas". E eu me senti idiota e louca e chata e isso foi muito cruel ainda que seja tão normal. Normal não me serve não encaixa não acalma. E eu achei que a gente podia ter uma bolha nossa pra ser louco e improvável e protegido do lugar comum do mundo mediano adulto das pessoas que riem e fazem suas coisas. E tudo ficou feio, até você que é lindo ficou feio. E eu quis me fazer cortes. Porque viver é difícil demais. E todo mundo me olhando, rindo, fazendo suas coisas. E daqui a pouco eu rindo e fazendo minhas coisas. E no fundo, abafado, dolorido, retraído, medicado, maduro, podre: onde está o amor? Onde ele vai parar? Onde ele deixou de nascer? Onde ele morreu sem ser? Por que eu sigo fazendo de conta que é isso. As pessoas seguem fazendo de conta que é isso. E por dentro, mais em alguns, quase nada em outros, ainda grita a pergunta. O mundo inteiro está embaixo agora do seu lindo e refinado e chique e rico prédio empresarial de milionários. Gritando nas janelas, batendo nas portas, tirando você da sua reunião: o que você fez com o amor? Esse dinheiro todo, essa responsabilidade toda, esses milhões todos, essas pessoas todas que você quer que te achem um homem. E o amor, o que você fez com ele? Enfiou no cu? Colocou na máquina de picar papel? Reaproveitou a folha pra escrever atrás? Reciclou? Remarcou pra daqui dois anos? Cancelou? Reagendou o amor? Demitiu o amor? É o amor que vai fazer você ser isso tudo e não isso tudo que você usa pra dar essas desculpas pro amor. Porque quando eu sentei no cantinho da cama e você leu seu livro de poesias de quando era criança. Porque quando você ficou nervoso porque queria me dizer que naquele minuto não estava me amando porque você acha que amor é isso além do que você pode. Amor é só o que você já estava podendo. O que você fez com esse pouco que virou nada? Com o muito que poderia virar? Eu aleijada, engessada, roxa, estropiada, quebrada, estou na porta, esperando você, por favor, me ensina, o que fazer, vou fazer o mesmo com o meu. Vou mandar junto com o seu. Nosso amor pro inferno, longe, explodido, nada. E a gente almoçando em paz falando sobre o tempo e as pessoas escrotas e o filme da semana. Bela merda isso tudo, bela merda você, bela merda eu, bela merda todos os sobreviventes que riem e fazem suas coisas e almoçam e falam de filmes. E por dentro o buraco gigante preenchido por antidepressivos, ansiolíticos, calmantes, cervejas, maconhas, viagens e mais reuniões. Pra onde foi o amor? De pé seguimos pra nunca saber, pra nunca responder, pra nunca entender. Pra onde? Você lendo o texto mais lindo da minha vida sobre o último dia morando com seus pais, você achando as moedinhas que o seu pai escondia no jardim quando você era criança, você me contando isso tudo baixinho e eu sentindo tantas milhares de coisas lindas, você falando da merda boiando e a dor dos seus fins de amor, você dormindo com seus cachinhos virados para o meu nariz, você fazendo a piada dos ombrinhos mais altos e mais baixos pra tirar sarro dos homens artistas e burocráticos, você por um mês e tanto amor. Todos os cheiros de todos os seus cantos. E agora eu louca porque não se pode sentir, porque senti sozinha, porque não se pode sentir em tão pouco tempo. Que tempo é esse quando o amor se apresenta tão mais forte e sábio que as regras de proteção? Quem quer pensar em acento flutuante quando se está voando? Quem quer pensar em pouso de emergência quando se está chegando em outro mundo melhor? E agora nada e você nada e tudo nada. O amor no planeta das canetas Bic que somem. O amor mais um como se pudesse ser mais um. O amor da vida de um mês. Você com medo de ser mais um e você único e tanto amor e tão pouco tempo. O que você fez com ele para eu nunca fazer igual? Eu prefiro ser quem te espera na porta pra entender. Eu prefiro ser quem te espera na outra linha pra entender. Eu prefiro ser a louca do jardim enquanto o mundo ri e faz suas coisas. Do que ser quem se tranca nessas salas infinitas suas pra nunca entender ou fazer que não sente ou não poder sentir ou ser sem tempo de sentir ou ser esquecido e finalmente não ser.
Nunca olhe para trás.  Certamente existe um motivo para que certas coisas tenham ficado no passado.

Parei um pouco de escrever para olhar pela janela e principalmente para ver se eu conseguia deter o parafuso entrando no pensamento. Acho que consegui. Porque quando começo assim não consigo mais parar, e não quero que eles me dêem aquela injeção, não quero ouvir eles dizendo que não tem remédio, que eu não tenho cura, que você não existe. Eu acho graça e penso em como você também acharia graça se soubesse como eles repetem que você não existe. Depois eu paro de achar graça e fico olhando a porta por onde não entra o telefone por onde você não fala e me lembro do pedaço apodrecido daquela maçã e então penso que talvez eles tenham razão, que talvez você não venha mais, e com dificuldade consigo até pensar que talvez você não exista mesmo. Mas não é possível, eu sei que não é possível: se estou escrevendo para você é porque você existe. Tenho certeza que você existe porque escrevo para você, mesmo que o telefone não toque nunca mais, mesmo que a porta não abra, mesmo que nunca mais você me traga maçãs e sem as suas maçãs eu me perca no tempo, mesmo que eu me perca. Vou terminar por aqui, só queria pedir uma coisa, acho que não é difícil, é só isso, uma coisa bem simples: quando você voltar outra vez veja se você me traz uma maçã bem verde, a mais verde que você encontrar, uma maçã que leve tanto tempo para apodrecer que quando você voltar outra vez ela ainda nem tenha amadurecido direito.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Já li tudo, cara! Já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura  suicídio ioga dança natação cooper astrologia patins marxismo candomblé  boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora o que faço?  Caio F. de Abreu

Amar é fazer o jardim. Acho mesmo que a gente nasce com a sementinha, planta e rega. Rega até não poder mais, porque imagina que essa água faz bem. A gente acha que tem que cuidar. E aí ele cresce até não poder mais. Porque tem sempre alguém pedindo pra entrar. Tem sempre alguém pedindo espaço, tem sempre alguém pedindo umas gotinhas. E o coração do bem não sabe negar. Chega você mais pro lado, e você, por favor, abaixa um pouco mais. Tem gente entrando, tem gente querendo entrar. Quem não cede espaço, corre o risco de se esmagar. Mas não se preocupe, porque um dia alguém sai. Um dia alguém entra e pisa em todo mundo, um dia todo mundo sai e deixa alguém entrar. Ah, coração, como você cansa.
A gente só entende porque o coração é o orgão que representa o amor quando pergunta pra ele: vem cá, quem é o dono de quem?

Duas praças, nós dois

O ano é novo, a paixão é velha e o coração continua o mesmo João Bobo de sempre quando o assunto é você. Vi você longe, mesmo cara-a-cara comigo, ali quando pela milésima vez meu coração se rendeu ao nocaute e eu prometia mentalmente a todos os rostos desconhecidos daquela praça que haviam acabado as chances que eu te dava mesmo sem você pedir ou querer. Fácil não foi, afinal você e fácil são antônimos desde sempre, mas ainda assim saí de lá sem derramar sequer uma lágrima, enquanto o teu olhar de desprezo e amargura destinados a mim, comoviam a todos que sabiam do nosso caso. Permaneci ali, até o último segundo, afinal estava ali pra ver um show e não fazia sentido ir embora antes disso, ainda que eu quisesse correr pra casa e não precisar sentir você incomodado com minha presença. Meus dois amigos íntimos que ali estavam, me abraçavam como se quisessem me lembrar que eu sairia viva daquela situação. E eu saí. Resolvi que com o ano que terminava, deixaria ir embora também as lembranças e a saudade que eu ainda alimentava por você. Os dias iam passando, você passava também. Até que num dia que talvez fosse o seu dia de sorte, você resolveu voltar atrás, com teu jeito de pedir desculpas sem pedir e meu jeito de aceitar, deixando claro pra você que sim, eu sou mais tua que a normalidade é capaz de descrever.
Propus uma visita, qualquer desculpa como "um beijo de boas festas". Antes de vir me dar o prazer de ter prazer comigo, você quis saber se não estaríamos mais uma vez batendo na tecla viciada das histórias sem futuro e prestes a começar tudo de novo, afirmei que não, pra me fazer lembrar também. Então você se rendeu, afinal somos os dois livres e afim de algo que conquistamos intimidade suficiente para fazer sem precisar de maiores enrolações.
Pronto, ano novo agora, talvez o coração arranje algo novo para querer também. Engano. Surge então o primeiro compromisso social em que temos que nos encontrar. Cheguei minutos antes de você e logo te vejo entrar no bar com seu passo firme e usando uma blusa da cor que sabia que eu acho que fica bem em você, me perguntei se havia se lembrado disso ao se vestir, como eu me lembrei de vestir preto como você gostava.
Devidamente sentado ao meu lado, conversamos usando da intimidade que pouca gente sabia que ainda tínhamos, você sem seus óculos ia me pedindo pra ler pra você aonde não enxergava e eu te emprestando meu pulso pra você sentir o perfume que tanto gostava.
Você me tratando como no começo, no bar ao lado tocava Los Hermanos, não resisti e fui pra praça que tinha em frente , te deixando um sinal pra me seguir. Um cara que estava me olhando no bar, saiu logo atrás de mim e foi chegando perto, mal sabia ele que as chances deu olhar pra ele ou pra qualquer outro cara que estivesse ai havia sido extintas quando você pensou em sair de casa pra ir pra aquele bar. Do outro lado da rua, você vinha ao meu encontro e compartilhavamos um sorriso de crianças fazendo arte mais uma vez. Depois de 5 minutos de conversa, beijei você e ficamos ali abraçados contando segredos e matando saudades. Depois de algum tempo, nossa falta foi notada e seus amigos nos acharam naquela banco de outra praça da nossa história, tivemos que voltar, mas agora, ainda só pelo fim daquela noite, eu estava no posto que mais me agradava ocupar : eu era de novo a sua garota, mesmo sabendo que o dia seguinte chegaria levando embora meu doce cargo. Nunca quis tanto que uma noite demorasse a acabar.

Corações quebrados

Eu realmente queria que você fosse tão bom em distribuir carater como distribui seus encantos.
Eu percebi,depois de um bom tempo às cegas, que você é apenas um cara estupidamente inseguro que distribui cantadas e seduções para se sentir vivo enquanto a verdadeira pessoa que você ama, lhe rejeita.
Eu tenho pena de você.
Sempre tive e isso chegou com mais intensidade. Eu percebi que você se sente vivo ao colecionar amores e não se importa, nenhum pouco, com o buraco no peito que você faz no coração de cada uma delas.
Porque, para você, a ilusão de outras pessoas parece não importar. O que é ironico, já que você é preenchido pela solidariedade em cada célula presente nesse corpo maravilhoso que você tem.
Você é , de longe, o homem mais perfeito que já passou pela minha vida.
Você tem tudo na dose certa: inteligencia,paixão,desejo,sorrisos,soli
dariedade,amor,fidelidade ..
Mas você não é perfeito pra mim. O que é uma pena, porque eu sonhei inumeras vezes com situações em que nós eramos demasiadamente felizes.
Eu realmente espero que você seja feliz, que você ache uma mulher que dê valor a cada centímetro de perfeição presente em você.
Talvez seja esse o problema: você é, exatamente, o homem dos meus sonhos.
O que eu espero é que você guarde para si o poder do seu olhar,a sua voz sedutora e todos os seus jogos,incrívelmente,inrrecusáveis.
Existe mais corações quebrados em seu caminho do que você imagina.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Mas não, renuncio, me controlo e digo para mim mesmo que não é assim, que não pode ser, que você se foi, e não volta.                                                              Caio Fernando Abreu

Mas não, renuncio, me controlo e digo para mim mesmo que não é assim, que não pode ser, que você se foi, e não volta.

Caio Fernando Abreu

É mais saudável ser feliz,

Ando com profunda preguiça de gente que só se queixa da vida. Sempre acreditei que ser feliz era uma espécie de obrigação. Não, não é fácil (quem diz que sim está mentindo descaradamente). É tarefa que dá trabalho, mas compensa. Ser infeliz é tão, mas tão chato. E deixa a pessoa com a pele sem vida, o olhar sem brilho, o sorriso amarelado que nem foto antiga.
Tem gente que encara tudo com uma seriedade absurda. A gente deve rir mais da vida e das desgraças. É claro que às vezes a coisa enrosca, aperta, complica, pesa. Mas tem que saber dar a volta por cima, rir, rir, rir. Rir absurdamente. Rir desajeitadamente. Rir escandalosamente. Inventar um riso e rir pra ele. Inventar um riso e rir dele mesmo. Inventar e rir de si mesmo.
Intriga dá ruga. Fofoca dá pé de galinha. Infelicidade deixa o coração capenga. Tem gente que não compreende um momento. E essa falta de compreensão vira inveja. E inveja não é coisa boa pra levar no peito. Eu já senti (quem não sentiu levanta o dedo), mas hoje sei que ser eu é tão bom. E tão louco. Mas eu me entendo comigo - e assim sigo. Me envergonho de poucas coisas. Me orgulho de muitas, principalmente de me aceitar como sou e ainda assim ser feliz. Sem medo nem vergonha.
Hoje o que vejo são pessoas desesperadas por uma gota de amor, atenção, carinho. Por isso, endurecem. Criam escudos, vivem uma vida falsa com sorrisos falsos. Mas quando você deita a cabeça no travesseiro sabe que está só, que falta alguma coisa, que sobra sentimento escuro e falta aquele sentimento claro, nobre, bom, que preenche os vazios e enche a casa - e o estômago - de borboletas coloridas.
A gente demora, mas aprende: existem os que só sugam e os que só procuram quando precisam. É preciso ter mais leveza para viver. E mais força para aceitar o que os dias nos trazem. Aproveite o final de ano e jogue fora suas mágoas. Cada um sabe o que sente e como sente. Tem muito sentimento bom dando sopa por aí. Agarre um pela mão e seja feliz, ao invés de ficar se lamentando e falando mal dos outros.
concretizandoideias:  Queria alguém que me surpreendesse.  Amanda A.

concretizandoideias:  Queria alguém que me surpreendesse.  Amanda A.


Quando eu tinha 5 anos, minha mãe sempre me disse que a felicidade era a chave para a vida. Quando eu fui para a escola, pe perguntaram o que eu queria ser quando crescesse.

E eu escrevi: ''feliz''. Eles me disseram que eu não entendi a pergunta, e eu lhes disse que eles não entendiam a vida!


domingo, 9 de janeiro de 2011

melhorpramim:  Porque quando você ama alguém, você ama por inteiro, é um pacote! Você precisa amar tudo, as coisas boas e ruins, você tem que aceitar.  Idas e vindas do amor.


Sempre que eu tento te falar, você está longe demais para me ouvir, longe de mim. E não tem como te encontrar, você jamais olha pra trás, você quer seguir... Ah, distante assim. Se o amor fosse uma canção, você cantaria? Eu escrevi essa melodia pra você, então canta comigo. Como eu queria ter você de volta. Você e eu e nada mais importa. Será que tem que acabar assim? Queria um pouco de você pra mim. Eu esqueci das nossas músicas, agora o som do teu silêncio quer calar a minha voz. Será que eu fui longe demais? Será que eu deixei você com o pé atrás, como sempre fiz?

Vai em frente!

A vida é fruto da decisão de cada momento. Viver é plantar. É atitude de constante semeadura, de deixar cair na terra de nossa existencia as mais diversas formas de sementes. Cada escolha, por menor que seja, é uma forma de semente que lançamos sobre o canteiro que somos. Um dia, tudo o que agora silenciosamente plantamos, ou deixamos plantar em nós,será plantação que poderá ser vista de longe...Para cada dia, o seu empenho. A sabedoria bíblica nos confirma isso, quando nos diz que "debaixo do céu há um tempo para cada coisa!" As escolhas que você procura, os amigos que você cultiva, as leituras que você faz, os valores que você abraça, os amores que você ama, tudo será determinante para a colheita futura. Felicidade talvez seja isso: alegria de recolher da terra que somos, frutos que sejam agradáveis aos olhos! Não tenha medo de se olhar no espelho. É nessa cara safada que você tem, que Deus resolveu expressar mais uma vez, o amor que Ele tem pelo mundo. Não coloque um ponto final nas suas esperanças. Ainda há muito o que fazer, ainda há muito o que plantar, e o que amar nessa vida. Ao invés de ficar parado no que você fez de errado, olhe para frente, e veja o que ainda pode ser feito... A vida ainda não terminou. Vai em frente. Sorriso no rosto e firmeza nas decisões.
Eu fico olhando esse espaço em branco ainda e não consigo achar o que dizer.Embora, as palavras pulam, gritam, e quase se matam para sair e poder pedir ajuda.SOCORRO.Ah! Ninguém percebe.Mais uma noite chegou e já me canso da minha rotina melancólica de ter que ir deitar sem estar com sono, e ficar ali chorando lágrimas que eu nem sei porque saem.A verdade, é que eu já me decidi.Eu não quero essa vida pra mim não.Me desculpem aqueles que me gostam, mas eu vou morar sozinha,num lugar desconhecido e poder começar tudo outra vez de uma forma menos dolorosa,assim espero..Eu cansei de chorar todas as noites sabiam.Cansei de correr atrás da felicidade enquanto ela brinca de esconde-esconde comigo.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Tudo aquilo que eu sempre quiz te dizer

Hoje eu quero falar sobre você e sobre tudo aquilo que me maltrata por dentro. Sabe, são tantas coisas. Acredito que você também tenha as suas mágoas escondidinhas em um canto do peito. Poucas vezes te vi chorar. Muitas vezes te vi calar e guardar. Sempre achei melhor colocar as coisas para fora, gritar, explodir, falar, conversar. Mas existe algo que me deixa muda. Nunca consegui falar sobre os meus sentimentos mais profundos para você. Algo me travava. Hoje resolvi dizer.
Escrevo porque você tem muita importância na minha vida. Não quero que a gente se perca. Não quero que a gente se afaste. E me pergunto: será que fomos realmente próximos por algum instante? Creio que sim, mas acho que nos afastamos faz tempo. Eu não entendo seu jeito racional, você não compreende minhas emoções e muitas vezes não respeita os caminhos que escolhi para a minha vida.
Sabe, eu só queria ser boa. É, é isso mesmo. Eu queria ser boa o suficiente para você se orgulhar de mim. Por isso, pintei vários quadros. Por isso, queria chamar a sua atenção. Queria um elogio, algo assim. Queria que você lesse meus textos, se orgulhasse do meu livro, das minhas conquistas. Mas você se detém nos meus tropeços. Usa escudos, não se aproxima. Usa a palavra para me repelir. Você não sabe o quanto me magoa a cada vez que me agride com as palavras e não entende a minha subjetividade. Eu vejo a vida de uma forma bonita. Tenho olhos de otimismo, um coração que nunca para, uma emoção que vive de braços abertos.
Eu queria os seus braços abertos. Não queria críticas, nem cobranças, nem caras feias. Queria colo, atenção, queria que pelo menos uma vez você secasse as minhas lágrimas. Sabe, sempre tive vergonha de chorar na sua frente. Me sinto boba, quase infantil. Antes, eu saía, batia portas, me escondia, chorava. Sempre esperei que você fosse atrás de mim, me abraçasse. Meu Deus, quantas vezes esperei por um abraço que nunca veio.
Tenho defeitos. Muitos deles. E você sempre me apontou cada um. Por favor, entenda que você tem defeitos também. Eu busco evoluir, crescer, aprender a andar com as próprias pernas, mas sinto que você não sorri com minhas conquistas. Você não gosta da vida que escolhi para mim, não tolera meu trabalho, não vê graça no meu caminho, acha burrice e bobagem tantas coisas que me importam demais.

Sei que errei ao tentar ser perfeita e andar em linha reta. Sei que errei ao passar grande parte da vida tentando ser alguém. Sei que tenho minha parcela de culpa. Ei, existe culpa nisso? Você tem um coração tão bom, é uma pessoa tão cheia de qualidades e bondade. Mas você não sabe lidar com emoção, tem uma couraça, uma casca, um escudo, se protege talvez de você mesmo. Por favor, se abra para a vida. Sorria para a vida. Se encante pela vida. Libere as suas tensões. E tente achar o amor no meio disso tudo.
Vejo você com o baixinho e penso ele-tem-amor-pra-dar. Mas cadê esse amor todo? Cadê o olhar terno e cheio de carinho e orgulho? Tento lembrar quando você disse que eu era bonita ou inteligente ou engraçada ou legal ou sei lá, alguma coisa boa. Não lembro. Desculpa, eu não consigo lembrar! Isso me dói tanto. Você não sabe o quanto. Você pode escolher maneiras mais delicadas de falar as coisas. Mas você prefere dizer que estou gorda ao invés de dizer olha, é bom você emagrecer, está acima do peso, emagrecer vai te fazer bem. Mas você prefere a ofensa do que o carinho. O peso do que a leveza.

Lembro de antes. De muito antes. Você teve tanto amor e cuidado um dia. Depois, quando a gente se mudou, as cobranças vieram. Queria resultados, dez, dez, dez. E eu não conseguia, pois era preguiçosa demais. Então, tentei de outras formas. Tentei a arte. Não deu. Abandonei a arte, me abandonei um pouco. Tinha medo de você. Medo de ser eu mesma, de expor meus sentimentos, verdades e vontades. Medo do olhar torto, da crítica feroz. Você não gosta das minhas brincadeiras, não engole minhas ironias, não sabe quando estou brincando. Eu só queria me sentir importante para você, sabia? Minha vida inteira busquei isso, busquei admiração. É essa a palavra: queria que você me admirasse. Admirasse meu trabalho, minhas escolhas, minha força, meus caminhos.
Há pouco tempo, passamos por uma situação bem difícil que me fez um mal absurdo. Durante quase um mês, pensei que não ia aguentar. Mas vi o quanto sou forte e capaz de encarar as adversidades, os contratempos. Talvez você não saiba o quanto aquilo me marcou, o quanto eu sofri. Dormia chorando todas as noites, mas acordava e te ouvia. Dei meu ombro, meu conselho, meu amor. Era exatamente isso que esperava de você: seu ombro. Mas eu tenho vergonha de pedir, eu não sei pedir e não sei se você sabe se dar, se doar. Largue as armas, os escudos, os disfarces.
Precisei tanto de você. Do seu apoio. Mas parece que você sempre me apoiou a contragosto. Engolindo, aceitando, mas não concordando. E eu precisei da sua aprovação, do seu empurrão. Não financeiramente, mas emocionalmente. Precisei da sua força. Precisei ouvir um elogio. Uma palavra incentivadora. Mas sempre me senti devendo. Sei que te decepcionei, sei que não fui por onde você achava que deveria, mas, por favor, entenda: cada um faz o seu caminho.
Hoje, estou mais madura e um pouco mais serena. Entendi que não tenho que provar nada, nem ficar tentando agradar sendo quem não sou. Eu sou essa que você está vendo e, sim, tenho falhas. E, sim, sou pura emoção. Tenho algumas cicatrizes, feridas que não fecharam direito, raivas, coisas mal resolvidas. Quero me livrar disso tudo e seguir em frente. Preciso resolver isso e seguir no caminho que escolhi para mim. Espero que você se livre das coisas ruins e me acompanhe também. Nunca é tarde para aparar arestas. Vem.

Família é pra sempre!

Por algum motivo eu ainda acredito nas coisas simples da vida, talvez seja por que as coisas mais valorizadas tenham perdido o sentido pra mim.

Não falo nada da boca pra fora. Se eu te gosto, te gosto. Nunca vou mentir que gosto de você. Sou franca comigo e com meus sentimentos. Nunca forcei ou falsifiquei amizades e amores. É claro que a gente se engana, se surpreende, se decepciona. Já pensei que amei. Já pensei que me apaixonei. E vi que era fogo de palha. Já pensei que era amizade. Já achei que fosse de verdade. E vi que era faísca. Mas tudo que eu gosto, eu gosto. Lembre disso. Para mim, algumas coisas são para sempre. Amigos, por exemplo. A gente sabe que tem os de verdade, os que vão atravessar anos, estados, países, turbulências e mau tempo. E a gente também sabe que tem aqueles de momento. Uma pessoa pode ser muito sua amiga hoje na aula de inglês, no trabalho, na primavera. Depois passa. E aí, era amizade? Era. Mas era aquela amizade de momento. E era verdadeira? Também era. Naquele momento. Acho que existe o perecível e o que não tem data de validade. E digo: tenho amigos que não têm data de validade, apesar de eu não estar sempre junto deles. Também tenho amigos que são amigos hoje, que sei que posso contar, mas não sei se estarei junto daqui a dez anos. Isso pra mim é muito claro. E a família? Família, você querendo ou não, é pra sempre. É um laço. Não se desfaz. Pode ter briga, atrito, confusão, mas é família. E é pra sempre.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Do fundo do coração

Sempre acreditei que toda vez que a gente entra numa igreja pela primeira vez, vê uma estrela cadente ou amarra no pulso uma fitinha de Nosso Senhor do Bonfim, pode fazer um pedido. Ou três. Sempre faço. Quando são três, em geral, esqueço dois. Um nunca esqueci. Um sempre pedi: amor. Nunca tinha tido um amor. O quê? Aos 35 anos, agitando desse jeito? Explico: claro que tive dúzias e dúzias, outro dia até tentei contar e me perdi na altura do número cento e trinta e muito. Mas tudo rapidinho, assim, uma hora, um dia, uma semana, um mês, pouco mais. Nunca, digamos, UM ANO. Então quando alguém suspirava e dizia cara estou saindo de um caso de DEZ anos, meu olho arregalava de pura inveja. Histórias mais compridinhas, claro que rolaram. Maria Clara, por exemplo, mas a gente morava, eu em Sampa, ela no Rio, amor-ponte-aérea. Caríssimo. Isso, das moças. Dos moços, aquele bailarino americano em London, London, quatro/cinco meses. Talvez seis? Numa tarde de compras e roubos em Portobello Road me deu de presente um cacto (perfeito!) e me deixou plantado até hoje. Esse era amor-de-metrô, último trem entre Hammersmith e Euston. Onde andará? (“Onde andará?” é das perguntas mais tristes que conheço, sinônimo de se perdeu.)
Eis que de tanto pedir, insistir, acender vela, fazer todos os feitiços para Santo Antônio e Oxum e concentrar, rezar, mentalizar, eis que pintou. Ano passado me baixou um encosto de São Francisco de Assis, joguei (literalmente) pela janela quase tudo que tinha e, com duas malas, parti para o Rio. Não queria mais me prender a nada. Nem a Sampa, bem-amada. Numa ida a Porto Alegre, em agosto, deu-se. Explosão: à primeira vista. Tudo o que dissemos, depois de um longo suspiro de alívio, foi: eu amo você. Pasmem: verdade das verdadeiras. Ousadias do coração que saca, na hora, a intensidade do lance. E não disfarça. Bueno, tinha pintado.
Então tá. Romance comme il faut: dias numa casinha no meio de bosques em Gramado. Depois a volta ao Rio e, como dizia Ana Cristina Cesar (Aninha, Ana C., a bela, que falta você me faz menina fujona!), “amizade nova com o carteiro do Brasil”. Laudas e laudas de cartas de amor, uma por dia, duas por dia, dez por dia. Fotos, poemas, juras interurbanas. Voltei. Nós fomos os dois para o Rio. Dois meses lá: o amor resistia, mas nenhum estava a fim de pegar no pesado. Então fazer o quê? Dividir quarto pensão na Lapa, andar de ônibus, comer espiga de milho e misto quente? Nenhum acreditava em teu-amor-e-uma-cabana, também não era preciso teu-amor-e-um-rolls-royce (seria ótimo), mas pelo menos uma vitrolinha para fazer amor ao som do Bolero, de Ravel (amor tem desses lugares-comuns quase inconfessáveis). Voltamos. Verão em Torres. Camas de trinta horas. Passeios. Dunas, praia da Guarita. Filme. A sunga verde de lycra.
De repente uma luzinha vermelha começou, cigarro no escuro, a piscar dentro de mim. Foi no carnaval que passou. Suspeitas: porra, eu me afastei de tudo, de todos, joguei tudo pro alto e só quero esse amor, nada mais me interessa, se esse amor me faltar (pode?) eu só tenho isso, é o único laço que me prende à vida - e se faltar, Deus, se faltar o que faço? Noites paranóicas, medo Ritchie. E… se dançar? Aí dançou. Foi dançando. Não sei bem como. Uma tarde peguei nas suas mãos e, bem cruel (punhais: como a gente sabe apunhalar com engenho e arte, crava devagarinho a lâmina, depois revira, dentro da ferida), pedi assim: olha bem dentro dos meus olhos e me responde à seguinte pergunta: “Você não me ama mais?”.
Silêncio tão espesso que consegui ouvir o ruído do movimento de rotação da Terra. Feito nas novelas das seis, eu abri a boca quando ouvi a resposta. Um lento Não. Um claro Não. Um seguro Não. Um límpido Não. Um tranquilo Não. Um sem dúvida alguma Não. Um afirmativo Não. Repete, pedi. Repetiu. Pede-se não enviar flores, pensei. Fechei a porta. Fiquei só, chovia. Com requintes de autopiedade, limpei devagarinho com feltro um disco da Elis, deitei no chão e ouvi umas cem vezes “Se quiser falar com Deus”. Quando já ia abrir o gás, corri para o telefone e pedi ao Zé Márcio Penido em Sampa: socorro. Vem, ele disse. Santo amigo. Fui, na mesma hora. Me estonteei, vi todos os filmes, todas as peças, revi todos os amigos, ouvi todos os discos, namorei o que deu. Tinham sido NOVE MESES de fidelidade, no amor-amor, é sempre supernatural. Quando decidi estou-ótimo-fullgás-total-posso-voltar, voltei. The reencontro: quando dei por mim estava dizendo as coisas mais duras e agressivas e cruéis e impiedosas e injustas e ferinas e baixas e grossas que uma pessoa pode dizer à outra.
Comecei a me perder pela cidade. Selecionei vinte gatos & gatas mais lindos do pedaço, dez semifinalistas, cinco finalistas, transei todos. Saí sem parar. De bar em bar, telefone tocando sem parar. Explodindo de vitalidade e saúde e sedução: capacidade de superação. Puxa, gente, como sou maravilhoso, como sou maduro e equilibrado, como sei dar a volta por cima, como não sou careta, como sou moderno e liberadésimo. Aí, desabou. Dez dias. De manhã bem cedo, chegando da vida, percebi uma pequena rachadura na parede externa do edifício. Avançava lentissimamente. Ao meio-dia rachou de alto a baixo. O edifício veio ao chão: me interna, pedi pra mãe, estou infeliz pra caralho. Peguei o pacote de cartas que tinha pedido de volta (fiz absolutamente todos os números, o problema é que a plateia estava vazia: ninguém aplaudiu minha melhor sequência de sapateado), coloquei aos pés de Ogum.
E agora, Caio F.? Agora, estou amanhecendo. Ah, me digo, então era assim. Essa coisa, o amor. Já conheço? Já conheço. Mas como é mesmo que se chama? Também não estou certo se estarei mesmo amanhecendo. Talvez, sim, anoitecendo, essas luzes penumbrosas são muito parecidas. Não sei muita coisa. Quase nada. Pedi? Levei. Nunca tinha sido tão intenso, nem tão bonito. Nunca tinha tido um jeito assim, tão forever. Não me diga que vai passar, vai passar, vai passar, vai passar. Não me diga que foi ótimo, o que você queria, a eternidade? Não me peça para não te encher o saco lamuriando. Posso não saber nada do coração das gentes, mas tenho a impressão, de que, de tudo, o pior é quando entra a segunda parte da letra de “Atrás da porta”, ali no quando “dei pra maldizer o nosso lar pra sujar teu nome, te humilhar”. Chico Buarque é ótimo pra essas coisas. Billie Holiday é ótima pra essas coisas. E Drummond quando ensina que “o amor, caro colega, esse não consola nunca de núncaras”. Aí você saca que toda música, toda letra, todo poema, todo filme, toda peça, todo papo, todo romance, tudo e todos o tempo todo, antes, agora e depois, falam disso. Que o que você sente é único & indivisível e é exatamente igual à dor coletiva, da Rocinha a Biarritz. O coro de anjos de Antunes Filho levanta no ar, em triunfo, os corpos mortos de Romeu e Julieta enquanto os Beatles pedem um little help from my friends, e a plateia ainda aplaude de pede bis (o Gonzaguinha também é ótimo pra essas coisas). Meus amigos, abandonados para que eu pudesse mergulhar, voltaram a mil. Tem seus prazeres o fim do amor. Se é patologia, invenção cristã-judaico-ocidental-capitalista, ou maya, ego, se é babaquice, piração, se mudou-através-dos-tempos, puro sexo, carência, medo da morte: não interessa. Tenho certeza que estive lá, naquele terreno. Ele existe.
Por isso falo dele: Joyce e Paula me pediram elucubrações, as minhas são estas. Estou contando a vocês que estou fazendo elucubrações sobre o amor porque provavelmente, de uma outra forma vocês aí que me leem, talvez com tédio, também estão pensando a mesma coisa. O bicho homem não faz outra coisa a não ser pensar no amor. Até as relações de produção, a luta de classes, a ecologia, o jogo pelo poder: tudo, questão de amor. Formas de amor. Amor é palavra que inventamos para dar nome ao Sol abstrato em torno do qual giram nossos pequeninos egos ofuscados, entontecidos, ritmados. A vida toda. Mas se me perguntarem o que quero dizer com isso, não tenho resposta.
O que quero dizer é justamente o que estou dizendo. Não estou com pena de mim. Tá tudo bem. Tenho tomado banho, cortado as unhas, escovado os dentes, bebido leite. Meu coração continua batendo - taquicárdico, como sempre. Dá licença, Bob Dylan: it’s all right man, I’m just bleeding. Tá limpo. Sem ironias. Sem engano. Amanhã, depois, acontece de novo, não fecho nada, não fechamos nada, continuamos vivos e atrás da felicidade, a próxima vez vai ser ainda quem sabe mais celestial que desta, mais infernal também, pode ser, deixa pintar. Se tiver aprendido lições (amor é pedagógico?), até aproveito e não faço tanta besteira. Mas acho que amor não é cursinho pré-vestibular. Ninguém encontra seu nome no listão dos aprovados. A gente só fica assim. Parado olhando a medida do Bonfim no pulso esquerdo, lado do coração e pensando, pois é, vejam só, não me valeu.
Porque ele sempre volta. E meu coração fica calmo.                   Tati Bernardi.
Tem coisa que não volta, por mais que a gente queira. Você pode até tentar voltar o disco, repetir a música, insistir na letra, cantar o mesmo refrão por mil e um minutos, fechar os olhos. Tem sentimento que não volta. Mesmo que você se esforce, recorde, tente voltar a página, refrescar o coração. Alguns sentimentos são bem pontuais: chegam, esperam pra ver se devem ficar e decidem partir ou continuar.

Precipício ~

Uma vez me falaram que amar é se jogar de um precipício sem saber se lá embaixo vai ter alguém para segurar a gente. Foi a melhor definição de amor que já ouvi. Eu, que escrevo tanto e leio tanta gente que fala dessas coisas que damos o nome de sentimento, nunca tinha escutado nada tão verdadeiro. Amar é isso mesmo. É se jogar e não saber. É se entregar sem ter certeza. Aos poucos, buscamos a certeza do amor. Porque o amor para ser amor precisa de certezas. A certeza do encontro, a certeza da continuidade, a certeza da presença, a certeza da verdade.
Demorei muito para me permitir. Me distraí durante muito tempo com paixões que não duravam mais que a lua minguante. Por algum tempo vivi uma relação extremamente conturbada e complicada. Na verdade, não sei se posso chamar de "relação". Era alguma coisa sem nome. Aquilo não me deixava em paz, me fazia mais mal do que bem, mas de alguma maneira eu continuava. Não entendo, a gente se boicota tanto. Sabemos que queremos e merecemos mais, mas continuamos insistindo em coisas sem sentido. Punição? Talvez. A gente demora para se permitir ser feliz. Deve ser por isso que as pessoas ficam tateando no escuro durante muito tempo até encontrarem a tal pessoa certa. Não sei se existe a pessoa certa, sei que existe uma pessoa certa para você. Essa pessoa, por mais errada que seja, é aquela que te dá vontade de continuar. Continuar lutando, vivendo, acordando, sorrindo. Tem gente que nos dá essa vontade, aquela vontade de ser melhor para a gente mesmo e para quem nos rodeia. Mas eu não queria, não me permitia, achava que daquele jeito estava bom.
Às vezes, não sou legal comigo, você não é legal com você. Cegos, não conseguimos enxergar. Confusos, não sabemos o que fazer. Covardes, não nos damos uma chance. Carentes, nos agarramos na primeira oportunidade. A carência nos tira a visão. A falta de visão nos emburrece. E assim vamos vivendo um dia após o outro, com um vazio que nunca sai de dentro e um olhar que procura e nunca acha.
Todo mundo tem que amar alguém um dia. Não tem como definir, é uma coisa muito louca e real. Um dia, com o coração cansado, decidi que só queria coisas boas. Sem migalhas, sem mentiras, sem máscaras. Para amar a gente tem que se despir de todos os artifícios. Então, resolvi ser mais amiga de mim. Aproveitar a minha companhia, me curtir, só procurar o que me fazia bem. Foi aí que, sem querer querendo, a gente apareceu um na vida do outro. Me deu um medo, um medo. Você sabe, eu sei. Queria fugir, sair correndo, desistir. Tentei de todas as formas (até bem pouco tempo atrás) encontrar motivos, fiapinhos do passado e farpas imaginárias para provar que não daria certo. Mais uma vez eu insisto: ser feliz dá medo e é muita responsabilidade. Fora o fato da gente não se sentir merecedor. Fora o fato de pensar meu-deus-tá-tudo-bem-tudo-perfeito-na-minha-vida-é-certo-que-vou-descobrir-um-câncer. A gente sempre pensa besteira por achar que não merece aquilo tudo. Foi tudo em vão. Dia após dia o mundo, Deus, a vida, as coincidências, o destino ou sei lá, chame como você quiser, me mostraram que, sim, a gente tem um amor bonito e de verdade. Que já passou por turbulências, furacões, que de vez em quando recebe tempestades e trovões, mas que sempre dá um jeito de deixar o céu azul e o sol brilhando. Porque a gente gosta do tempo bom. A gente tem uma história que é só nossa, um amor que é só nosso, uma vida que é só nossa, uma família que é só nossa. Tudo nosso. E com você eu descobri que sempre posso ir mais além. Você me mostra umas partes que eu não conhecia. Me mostra uma força que eu não sabia que tinha. Um jeito maduro e ao mesmo tempo infantil de continuar vendo a vida. Me desarma com tanto bom humor.
Me mostra coisas que não sabia. Me puxa para a realidade, pois nem só de sonho se vive. Existe uma troca bonita e, hoje, mais madura. É que já faz mil dias, amor. Mil dias que a gente se encontrou e nunca mais saiu de perto um do outro. Mil dias que ouvi o que você disse e me atirei do precipício. Ainda bem que a gente se jogou. Ainda bem que você esperou por mim. E eu por você.


A viagem de um canalha que ama

Enquanto meu cabelo seca depois do banho, permaneço sentado na minha poltrona macia de couro. Vestido com minha camisa xadrez manga longa dobrada até o cotovelo. Um senhor de setenta anos de idade faz poesia e melodia em ritmo de Jazz para os meus ouvidos. Música para minha alma viajante. Enquanto penso em encher aquela grande mala, escrevo para você, amor. Sim, para você. No imenso word posso ser tudo e todos e nada se quiser ser. No pequeno world me resta ser eu e só e nada além de mim. Tenho tantas coisas pra escrever e dizer a você amor e tão pouca inspiração vinda de sua reciprocidade, que só escrevi um pré-fácil, bem difícil Queria muito encher teu coração de amor puro, assim como estou prestes a encher minha mala para viajar por aí. Quem dera fosse por aí, onde você está. Quem dera fosse fácil, a distância ser curta entre nós. Quem dera fosse, se um dia eu realmente fosse ao teu encontro e você me recebesse com os braços mais abertos que pernas de prostitutas da madrugada frenética de Tortuga. Quem dera fosse. Mais injusta que qualquer tipo de corrupção ou calúnia, é a distância de alguém que você ama. Distância e amor são palavras que jamais deveriam ser ditas na mesma frase. Sem falar do tempo. O tempo passa e parece tudo sempre igual, descaradamente maquiado para parecer normal. O tempo passou, amor. As coisas não são como costumavam ser. Prioridades são sempre as primeiras a entrar na lista, seja na atual ou na de espera. Esperar! Talvez seja isso. Esse é o dilema. Esperar quem está longe é mesclar paciência com sofrimento reprimido, guardado, angustiado, jogado. Jogar! Talvez seja isso. Esse é o jogo. Pena que não acredito em jogos, por isso tenho tanta “sorte” no amor, o exemplo, você está longe de mim, meu bem. Jogar não é comigo. Que o azar seja menos que a sorte e que o jogo seja o amor, onde ambos serão presenteados por noites inteiras sem dormir, porque estarão tão juntos que esquecerão do tempo e porque nada mais importa, seja o tempo, a sorte, o azar e que seja apenas essa arte de continuar amando até a noite nunca mais acabar. Por que estaremos juntos, mulher. Juntos! Talvez seja isso. Obsessão compulsiva por estar perto de você, sua vaca, deve ser o que me faz ficar tão louco de amor. Deve ser. Talvez seja. Se não for, não sei o que é. O que é o que é, um cara sentado em uma poltrona macia de couro, camisa xadrez com botões abertos mostrando o tórax e o abdômen, escutando jazz, piscando sem parar com dor nos olhos de tanto olhar fixamente para a tela, escrevendo para você amor, o que você acha que é? Quem você acha que é? Quem diabo acha que é? Pensa bem, amor. Pense. Pensar! Talvez seja isso. Poderia citar todas as frases clichês sobre pensar, pensamento, pensante, pensando, pensador, sexo no pensamento, mesmo assim não seria suficiente para dizer o valor e a intensidade dos meus pensamentos em relação a você, minha flor. Talvez você não pense. Se pensa, pensa apenas em si mesma. Se pensa apenas em si mesma, és uma egoísta, suja e egocentrica que possivelmente morrerá sozinha com muito tesão reprimido, morando em uma casa com cento e cinquenta e sete gatos fedorentos ao seu redor. Não, eu sei que você não é assim, meu bem. Na verdade não sei como você é. Você sumiu! Desapareceu naquele dia onde deixamos várias garrafas verdes vazias. Lembra, sua safada? "Ele quer sexo", disse você com a garrafa verde na mão. A troca de olhares foi inevitavél e coincidentemente estavam ambos olhando para o mesmo lugar, o corpo de cada um. Você olhando em meus olhos e eu nos seus seios. Você olhando pra minha boca e eu para todo o seu corpo. Você olhando meu nariz e orelhas enquanto eu fitava sua cinturinha fina que ficaria pequena em minhas mãos grandes. "Vou buscar outra garrafa verde para poder desfrutar mais de sua companhia", disse o canalha que ama. Uma noite não acaba quando as garrafas verdes estão vazias, acaba quando as pessoas estão cheias de se sentirem vazias, mesmo depois de esvaziarem todas as garrafas verdes. Lembro-me de tudo isso, menina. Você lembra? Consegue lembrar, sua coisinha? Lembrar! Talvez seja isso. Lembranças nada mais são que flashes ruins ou bons ou nada bons ou muito ruins de nossa vasta memória crua, suja, pura ou seja lá o que for nosso subconsciente. Se eu não lembrasse, não estaria escrevendo pra você, menina. Concorda comigo e com o que eu digo? Concorda? Concordar! Talvez seja isso. Ando meio que sem dar passos quando não concordo com muitas coisas. O caminho para aqueles que discordam de quase tudo é duro, tenso, mas o prazer de chegar no final, depois de uma guerra contra todo o sistema chichê onde pessoas fazem sempre as mesmas coisas, concerteza é fantastico. Concordar com tudo é uma puta falta de opinião. Calma, não chamei você de puta, mas sim a opinião daqueles que se dizem os “senhores da verdade absoluta”. Ok, meu amor? Por mim, que eles tomem bastante Absolut e caiam de cara nos buracos de suas vaidades e que esses buracos vaidosos sejam tão profundos quanto as olheiras do dia seguinte desses seres desumanos. Meu cabelo secou. O veterano do Jazz parou de cantar. O silêncio está aqui fazendo companhia para meu coração e dedos moídos de tanto escrever para você garota. Minha mala está me chamando desde quando o sol nasceu e meu café foi derramado no fogão por puro descuido, na verdade, é que estava pensando em você mulher. Me esqueço de tudo quando tenho você aqui. Perderei todas as coisas se não vou ter você pra mim. Isso soou muito clichê, meu bem? Você sabe que odeio a superficialidade do jeito normal humano de fazer as coisas. Então, reformulando a frase, não dá, não consigo, não aguento ficar longe de você, não sei o porquê e foda-se. Melhorou, amor? Melhor assim? Melhorou? Melhorar! Talvez seja isso. Que area mais desgraçada é essa que devo melhorar? Pessoas estão em constante mudança, mas isso não significa que elas ficarão melhores. Não quero pensar nisso, minha querida. Quero que você venha até mim e que esqueçamos tudo e todos e todo o resto do mundo. Não quero que todo o resto do mundo morra, não amor, não é isso. É que, estar com você é algo surpreendentemente surreal para mim. Que o mundo inteiro possa viver, tá melhor assim, meu bem? Que eles e elas possam viver. Viver! Talvez seja...espera! Talvez não seja isso. Talvez não seja nada disso assim, separadamente. Talvez seja tudo junto. Tudo ao mesmo tempo. Todos os sentimentos compilados em um único ser pronto para ser exalado em palavras de amor. É isso, amor! Eu espero você. Estou junto com você. Penso em você. Lembro de você. Concordo com você, em partes é claro. Vou melhorar por você, espero que melhore por mim, ou não, que sejamos errados e amantes da mesma forma. O importante é o último “talvez seja isso” que quase foi dito. Importante mesmo é viver. Viver, amor. Entende? Se você me perguntar “viver o quê”, responderei subtamente: viver o amor. O amor transforma tudo mesmo, menos o nada. Ah, meu bem, esqueci de dizer, já fiz minha mala, estou saindo para viajar, mas relaxa, quando você acordar, estarei ao seu lado, porque tambem fiz sua mala. Vamos juntos.

(Escrito por Tom Freire)

Amor maduro;

O amor maduro não é menor em intensidade. Ele é apenas silencioso. Não é menor em extensão. É mais definido colorido e poetizado. Não carece de demonstrações. Presenteia com a verdade do sentimento. Não precisa de presenças exigidas. Amplia-se com as ausências significativas. O amor maduro tem e quer problemas, sim, como tudo. Mas vive dos problemas da felicidade. Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem, o prazer. Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro. Na felicidade está o encontro de peles, o ficar com o gosto da boca e do cheiro do outro - está a compreensão antecipada, a adivinhação, o presente de valor interior, a emoção vivida em conjunto, os discursos silenciosos da percepção, o prazer de conviver, o equilíbrio de carne e de espírito. O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa. Ele vive do que não morreu, mesmo tendo ficado para depois, vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados, cheios de sementes. Ele não pede, tem. Não reivindica, consegue. Não percebe, recebe. Não exige, oferece. Não pergunta, adivinha. Existe, para fazer feliz.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011


As pessoas possuem cicatrizes. Em todos os tipos de lugares inesperados. Como mapas secretos de suas historias pessoais. Diagramas de suas velhas feridas. A maioria de nossas feridas podem sarar, deixando nada além de uma cicatriz. Mas algumas não curam. Algumas feridas podemos carregar conosco a todos os lugares, e embora o corte já não esteja mais presente há muito, a dor ainda permanece. O que é pior, novas feridas que são horrivelmente dolorosas ou velhas feridas que deviam ter sarado anos atrás mas nunca o fizeram? Talvez velhas feridas nos ensinem algo. Elas nos lembram onde estivemos e o que superamos. Nos ensinam lições sobre o que evitar no futuro. É como gostamos de pensar. Mas não é o que acontece, é? Algumas coisas nós apenas temos que aprender de novo, e de novo, e de novo...

Seja Feliz!

Meu coração tá ferido de amar errado. De amar demais, de querer demais, de viver demais. Amar, querer e viver tanto que tudo o mais em volta parece pouco. Seu amor, comparado ao meu, é pouco. Muito pouco. Mas você não vê. Não vê, não enxerga, não sente. Não sente porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre fui só sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou. Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você, meu homem, é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Seja feliz!

Mulher acordada;

Acordei. Mas não como se acorda de um sonho incrívelmente bom, aonde tudo que se quer é continuar naquilo. Só acordei, como se acorda todos os dias, mesmo querendo permanecer na cama, mas sem sonhar mais.
Quando aconteceu pela primeira vez, foi horrivel, me vi sozinha na cama, quase sem ar, desesperadamente acreditando naquela velha e falsa história de que quanto mais rápido se volta a dormir, mais chances se tem de voltar pro mesmo sonho. Quase perdi o foco em mim pensando em voltar a sonhar, deitei, rolei por bastante tempo, ouvi gente implorar pra eu ficar acordada e de pé, mas insisti, pois acordar subitamente de sonhos bons é crueldade demais para quem começou a viver agora.
Depois de cochilar várias vezes sem sonhos e acordar com medo de tudo, eu comecei a desistir ao ver os lençois cada dia mais frios e vazios.
Até que por um quase milagre de aniversário, adormeci de novo, e logo depois descobri que aonde havia deixado um sonho cheio de caminhos banhados de esperança, retomei em algo que eu nem o sonho queriamos, por pura rotina.
A partir desta parte, vi a história de longe, como espectadora de um sonho que ninguém queria viver, ou não queriam o suficiente.
Era uma menina, deitada, naquela fase aonde qualquer ruído desperta, enquanto uma parte da mesma menina, se agarrava ao sonho, tentando de todas as formar implorar pra que ele ficasse.
Nesta parte, ela ainda não tinha entendido, ou não queria entender, que sonhos só são bonitos quando querem ser e não quando sentem que são obrigados a isso. Sonho não é presente, sonho é sorte e merecimento, ela se lembrou.
Bem longe dali, ela ouvia um despertador tocar, quase implorando :
- Acorde, menina. O sonho acabou faz tempo.
A menina, teimosa e escorpiana, tampava os ouvidos e fingia ser só aquela parte dos sonhos bons que você sabe que é um sonho e morre de medo de acordar.
Era aquela menina e ninguém podia cobrar que ela não sonhasse, pois a vida toda foi só o que ela soube fazer.
O destino, o sonho e a vida, perceberam que sem interferir ela não ia acordar sozinha. O sonho cansou e vazio, foi embora.
O sonho que acabou na segunda vez, sem nenhuma palavra de amor, desde o começo. Mas havia um porém : O prazer do sonho, entendia o prazer da menina.
Acordar da segunda vez, pareceu menos difícil, ainda que doa se lembrar que sempre ia dormir com a certeza que o sonho ia continuar, mesmo sabendo ser uma grande mentira daquelas que a gente inventa pra colorir a vida, afinal o sonho mudava todos os dias e ela continuava achando tudo lindo.
Agora, acordar é só acordar, processo natural, e acontece.
A menina, que o sonho transformou em mulher, não se arrependerá de ter deixado o sonho acontecer de um jeito que a marcou pelo resto da vida, mesmo que já tenha ouvido de gente que não conhece o sonho, que era só isso que ele queria. Mesmo menina, ela acreditava que não poderia haver mediocridade maior em difamar os fatos, quando tudo que se quis no momento que eles aconteceram se resumia em petrificar o tempo.
Muito mais que o que todo mundo se preocupa que ela tenha entregado ao sonho, ela entregou algo muito mais valioso : o coração.
E por isso, ela estava disposta a conservar a imagem do sonho pura e intacta, mesmo que não queira mais sonhar.E conservará.
A lição que o sonho deixa, é que se você não se acostuma a viver fora dele, vai tudo ficando pequeno e um sonho lindo se transforma em tentativas que dão pena e pena é tão triste que não pode mesmo combinar com brilho.
Quando questionada se gostaria de sonhar de novo, ela só se lembra de dizer que sonhos vivídos mais de uma vez, não tem o mesmo gosto, não sem a intensidade que este tipo de sonho mereceria. Ainda assim, há quem diga que ela reza baixinho todos os dias para acontecer mais uma vez, mas eu, outro dia mesmo, vi nossa menina com um sorriso de vitrine, cantando por ai aquele verso que diz : " Existe aqui uma mulher, uma bruxa, uma princesa, uma diva ,que beleza, escolha o que quiser, mas ande logo vá depressa, nem se atreva a pensar muito, o meu universo ainda despreza, quem não sabe o que quer."
Eu desejo, que ela e todo mundo, entenda de uma vez por todas, que não é de sonhos que se vive a vida e sim de tempos com os olhos bem abertos, vendo em tudo e principalmente em si mesmo, motivos para acordar todos os dias com a esperança de fazer da vida um grande espetáculo, melhor que qualquer sonho. Pois viver é melhor que sonhar.

(AmigadeClarice)

Alguma coisa ficou

Às vezes me espanto e me pergunto como pudemos a tal ponto mergulhar naquilo que estava acontecendo, sem a menor tentativa de resistência. Não porque aquilo fosse terrível, ou porque nos marcasse profundamente ou nos dilacerasse - e talvez tenha sido terrível, sim, é possível, talvez tenha nos marcado profundamente ou nos dilacerado - a verdade é que ainda hesito em dar um nome àquilo que ficou, depois de tudo. Porque alguma coisa ficou.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Saudade irracional de você

"Confesso que me dá uma saudade irracional de você. E tenho vontade de voltar atrás, de ligar, de te dizer mil coisas, e cair em suas mãos, sem me importar com nada, simplesmente entregar-te meu coração. Mas não, renuncio, me controlo e digo para mim mesma que não é assim, que não pode ser, que você se foi, e não volta."
Três coisas na vida que você nunca deve quebrar:
confiança,
promessas e
um coração.
Quando eles se quebram não fazem barulho, mas dói muito.

O inferno são os outros

Os outros não entendem. Os outros não colaboram. Os outros ganham na loteria. Os outros perdem o irmão num acidente. Os outros pegam lepra, leishmaniose, peste, bico-de-papagaio, hemorróidas, câncer, gripe espanhola. Os outros têm histórias para contar. Os outros dormem no ponto. Os outros moram em favelas. Os outros vacilam. Os outros são seqüestrados, torturados e assassinados. Os outros não sabem de nada. Os outros são presos injustamente. Os outros são viciados em remédios, coca-cola e café expresso. Os outros não se entendem. Os outros moram em mansões. Os outros são cheios de manias. Os outros são babacas, otários e arrogantes. Os outros não têm limites. Os outros são pegos em flagrante. Os outros mentem muito. Os outros esquecem. Os outros vão para os Estados Unidos de férias. Os outros tiram férias. Os outros são os Estados Unidos. Os outros são ingênuos e tropeçam na rua. Os outros se jogam do viaduto e do décimo-nono andar. Os outros não são de confiança. Os outros fazem fila no hospital. Os outros sabem mecânica quântica e lógica paraconsistente. Os outros cantam e dançam. Os outros não perdem por esperar. Os outros fazem dívidas. Os outros não sabem o que querem.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

” A pessoa que você tanto se importa só vai se importar com você quando você se esquecer e então deixar de se importar com ela. “ @_danicavalcanti

” A pessoa que você tanto se importa só vai se importar com você quando você se esquecer e então deixar de se importar com ela. “

Venha pra mim;

Eu me importo com você, te trato como se fosse a minha vida, te dou todo o meu amor e toda minha atenção quando estamos juntos. Não peço nada em troca, apenas seu sorriso. Porque ele vale mais que tudo para mim, ver o seu sorriso e seus olhos brilhando é pra mim o maior e o melhor prêmio de todos. Eu sei que não é sempre que posso estar com você, ouvir sua voz sussurrando em meu ouvido, sentir a sua mão em contado com a minha, ter seus pensamentos em sintonia com os meus. Você não sabe o quanto eu queria isso, o tempo todo, pelo resto da minha vida. Eu não sei o que tem em você que me faz tão bem, que me deixa tranquila só em ouvir sua voz me dizendo : ' vai ficar tudo bem.', queria saber o seu segredo, o que você tem de tão especial pra mim, que me faz querer você a cada vez mais sempre mais. Me diz o seu segredo ? me explica porque você se tornou mais que um simples alguém em tão pouco tempo... me diz como você soube desvendar os mistérios do meu coração tão fácil assim... me diz o que tem escondido no seu olhar que me transmite essa sensação de paz e de bem estar... me diz porque eu te amo tanto assim... apenas diga que me quer também e venha para mim.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Seja como for, é amor

Ouvi uma história sobre borboletas que se encontraram. E pensei em começar contando pra vocês com ''era uma vez...'' mas resolvi que isso era irreal demais para começar uma história que deveria ser o máximo de realidade que a beleza poderia encontrar. Era amor.
Uma borboleta, sozinha , ainda assim, era linda, mas ao encontrar a outra, virava vida e florecia com toda felicidade, como se tivesse acabado de sair do casulo.
A outra borboleta, apesar de linda, ainda não entendia que as diferenças é que faziam das duas, inesquecíveis e saiu voando. Fugiu pro mais longe que poderia chegar.
A outra borboleta, acreditava, era amor, ela sabia. Quanto mais longe uma ia mais amor a outra sentia e assim, a borboleta que acreditava começava a pensar que poderia ter feito algo errado, mas o universo lhe respondia que acreditar não era erro de ninguém, acreditar é só começar a acertar.
Ela não teria medo de sofrer, se jogar e fazer a outra borboleta feliz, e um dia, ia descobrir que o simples fato de saber que qualquer maneira de amor vale amar, faria dela alguém que estava acima de qualquer julgamento de quem não aceita o amor dos outros por não ter amor e coloca defeitos. A
borboleta enfim achou no mundo o jardim para todas as suas esperanças, sonhos e desejos, a borboleta aprendeu a aceitar seu coração.

(Amidadeclarice)

Chamamos de silêncio;

Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Para meus amigos

Para meus amigos que estão solteiros:
O amor é como uma borboleta. Por mais que tente pegá-la, ela fugirá.
Mas quando menos esperar, ela está ali do seu lado.
O amor pode te fazer feliz, mas às vezes também pode te ferir.
Mas o amor será especial apenas quando você tiver o objetivo de se dar somente a um alguém que seja realmente valioso. Por isso, aproveite o tempo livre para escolher.
Para meus amigos não solteiros:
Amor não é se envolver com a "pessoa perfeita", aquela dos nossos sonhos.
Não existem príncipes nem princesas.
Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos.
O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.
Para meus amigos que gostam de paquerar:
Nunca diga "te amo" se não te interessa.
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.
Nunca toque numa vida, se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém, se não quiser vê-lo derramar em lágrimas por causa de ti.
A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você, quando você não pretende fazer o mesmo.
Para meus amigos casados:
O amor não te faz dizer "a culpa é", mas te faz dizer "me perdoe".
Compreender o outro, tentar sentir a diferença, se colocar no seu lugar.
Diz o ditado que um casal feliz é aquele feito de dois bons perdoadores.
A verdadeira medida de compatibilidade não são os anos que passaram juntos;
mas sim o quanto nesses anos vocês foram bons um para o outro.
Para meus amigos que têm um coração partido:
Um coração assim dura o tempo que você deseje que ele dure, e ele lastimará o tempo que você permitir.
Um coração partido sente saudades, imagina como seria bom, mas não permita que ele chore para sempre.
Permita-se rir e conhecer outros corações.
Aprenda a viver, aprenda a amar as pessoas com solidariedade, aprenda a fazer coisas boas, aprenda a ajudar os outros, aprenda a viver sua própria vida.
A dor de um coração partido é inevitável, mas o sofrimento é opcional!
E lembre-se: é melhor ver alguém que você ama feliz com outra pessoa, do que ve-lá infeliz ao seu lado.
Para meus amigos que são inocentes:
Ela(e) se apaixonou por ti, e você não teve culpa, é verdade.
Mas pense que poderia ter acontecido com você. Seja sincero, mas não seja duro; não alimente esperanças, mas não seja crítico; você não precisa ser namorado(a), mas pode descobrir que ela(e) é uma ótima pessoa e pode vir a se tornar uma(um) grande amiga(o).
Para meus amigos que tem medo de terminar:
As vezes é duro terminar com alguém, e isso dói em você.
Mas dói muito mais quando alguém rompe contigo, não é verdade?
Mas o amor também dói muito quando ele não sabe o que você sente.
Não engane tal pessoa, não seja grosso(a) e rude esperando que ela(e) adivinhe o que você quer.
Não a (o) force terminar contigo, pois a melhor forma de ser respeitado é respeitando.
Pra terminar..

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundos, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.
Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem. Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela.
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável.
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples.
Um dia percebemos que o comum não nos atrai.
Um dia saberemos que ser classificado como o "bonzinho" não é bom.
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você.
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso.
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais.
Enfim ..
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para dizer tudo o que tem que ser dito.
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutar para realizar todas as nossas loucuras.
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação!

Feliz Ano Novo :D

Todo mundo sempre costuma repetir:
"Ano-novo, vida nova".
Mas até que ponto sabemos realmente medir o peso desta afirmação e a colocamos em prática?
Se no ano que passou,
você não conseguiu atingir suas metas,
concretizar sonhos, acumulou mágoas
e não superou desafios inesperados,
agora é a hora de abrir as janelas da mente e do coração para o futuro.
É importante captar mensagens externas e não esquecer de olhar para dentro de si porque o caminho para uma vida nova passa, impreterivelmente, por nosso universo interior.
A mutação de seu momento atual, enfim, depende exclusivamente de você. Depende do seu trabalho mental, em acreditar e realizar. Nada, nem ninguém poderá fazer isso por você.
A ajuda pode, sim, vir de fora, mas o impulso deve partir de você. Independentemente de sua situação atual.
Em primeiro lugar, questione com honestidade:
"Eu realmente quero mudar minha vida?"
Se a sua resposta for afirmativa, então é hora de mexer-se porque o ano-novo está aí.
Para que isto dê realmente certo, é necessário, antes de tudo, se permitir mudar.
O próximo passo é derrubar aquelas barreiras internas tão prejudiciais, como o preconceito consigo próprio, o medo, a inveja e o rancor.
E, não esqueça, o mundo ao seu redor apenas reflete o que você é.

Feliz Ano Novo!