segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Ei, cara, eu não tô mais disponível, saca?

Eu queria saber o por que de quando eu estou apaixonada todos os caras me olham, tentam flertar comigo e me desejam mesmo eu estando sem maquiagem (nem um rímil sequer!) e com o cabelo todo despenteado? Será que é só pelo fato de não ter mais escrito, em letras bem grandes, na minha testa: "Ei, cara, eu tô disponível, saca?" E como esses filhos-da-puta-insensíveis podem saber de uma coisa dessas assim tão fácil? Sabe, eu não entendo... Eu não tenho sequer uma aliança no dedo que comprove realmente que não estou disponível. Apesar de que isso não comprova porra nenhuma. Enfim, continuo sem entender. Será que é pelo meu sorriso estampado no rosto ou, simplesmente, por eu não estar nem aí pra nada, "cagando e andando" para tudo e todos. Será que é tão nítido alguém me olhar e perceber que eu não espero mais alguém pra me acolher em seus braços e me dar um pouco do seu amor? Porque eu já tenho o meu amor, e ele é tudo o que importa. Nem um outro colo chega perto do dele. Nem um beijo se compara. nem um sorriso, nem uma boca, nem um fio de cabelo de outra pessoa. Não há nada no mundo que me faça se sentir como eu me sinto quando estou com ele.
O mundo de repente ficou claro, o céu azul e o sol batendo em meu rosto enquanto eu caminho já não me incomoda mais. Os dias ensolarados só são tristes quando não temos a quem amar. O que nos faz ficar mal-humorados, em casa, desejando um dia nublado e cinzento igual ao estado que a nossa alma se encontra naquele momento.
Eu acordo e lembro dele. Pego o meu celular ao lado e vejo a foto que eu coloquei ontem só para ficar nos olhando antes de dormir. O sorriso em meu rosto entrega tudo. Minha cara de bobona sorrindo com os olhos brilhantes e cheios de amor. E de repente o mundo para naquele momento, e nada mais faz sentido...
Um cara na rua me olha e eu tenho vontade de gritar " Ei, cara, eu não tô mais disponível, saca? ". Estou amando, então me deixa me deixa em paz com a minha cara de pateta sorrindo, quase alcansando as nuvens. Queria que os meus ex namorados me vissem só pra perceberem em meu rosto que o amor que eu achava que sentia por eles não se compara nem chega aos pés desse que invade e toma conta de mim por completo.

sábado, 28 de agosto de 2010

Experimente

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sózinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes. Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!

Ele não é só um cara..

Ele não é só um cara... esse sim esquenta minhas mãos e escuta os impropérios e gracinhas com o mesmo apego. Ele é diferente de tudo o que é errado em meu mundo e em outros mundos. Eu diria que ele salvou minha vida se não soasse tão dramático. E se isso não fosse mentira – a minha vida velha não merecia ser salva e ele me trouxe uma vida nova que inventou só pra mim... Ele me faz sofrer, porque sofrer é importante.
Ele não faz planos ou promessas, só surpresas. Me ensinou a esperar, ele me deixa esperando, não deixa nada muito claro, voltei a roer unhas, eu nunca sei de nada, mas a verdade é que ele está sempre ali, ou logo adiante... Ele é diferente. Ele não é só um cara. Ele me ouve como se me entendesse, fala como quem soubesse o que dizer e não diz nada muitas vezes, porque ele entende os silêncios. Ele existe... Eu sei que seriamos bons amigos, bons parceiros, bons inimigos, mas eu prefiro ser a garota dele... Sei que seremos muito importantes na historia um do outro para sempre... Porque ele não é só um cara... Eu não quero só mais um cara... Ele é tudo o que sempre quis e tudo o que quero para sempre...

Sentir-se amado

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama. Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se. A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também? Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois. Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho". Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato." Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta. Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

E a minha felicidade só pertence a mim

Cresci, amadureci, aprendi, me cansei, parei de definir meu humor pelas atitudes “dele”, seja lá quem for o “ele”. Se ele ligou, apareceu, me amou, voltou, ótimo! Se não, o sol brilha tanto lá fora, o céu tá tão azul e a vida tão divertida que não vale a pena lamentar. Troquei o “foi assim” pelo “eu quis assim”, deixei tudo que me causava dor, fiz meu próprio caminho e só trouxe comigo o que me faz bem. Descobri que amor é diferente dessas vontades efêmeras que eu andei tendo, que ser feliz é mais facil do que pensamos, que um sorriso vale muito e que tudo que nós precisamos é de amor. E se eu já era livre agora pretendo ir ainda mais longe, mais alto, mais além. E eu não vou parar de subir ou pra ver o que ficou embaixo, não vou descer tão cedo... Eu joguei fora essa idéia de ter que ser sozinha. Eu passei muito tempo da minha vida depositando minha felicidade em mãos erradas, eu finalmente entendi que ela só pertence a mim. Infelizmente eu não posso colocar aqui o sorriso que eu ando desfilando ultimamente, mas podem ter certeza de que é o meu melhor. Por que vida é pilantra, o mundo cruel, o amor é complicado, mas eu tô bem demais.

A dor que dói mais

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando. Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

O contrato

Combinamos que não era amor. Escapou ali um abraço no meio do escuro. Mas aquilo ali foi sono, não sei o que foi aquilo. Foi a inércia do amor que está no ar mas não necessariamente dentro de nós.A gente foi ao cinema, coisa que namorados fazem. Mas amigos fazem também, não? Somos amigos. Escapou ali um beijo na orelha e uma mão que quis esquentar a outra. Mas a gente correu pra fazer piadinha sexual disso, como sempre.Aí teve aquela cena também. De quando eu fui te dar tchau só com a manta branca e o cabelo todo bagunçado. E você olhou do elevador e me perguntou: não to esquecendo nada? E eu quis gritar: tá, tá esquecendo de mim. E você depois perguntou: não tem nada meu aí? E eu quis gritar: tem, tem eu. Eu sempre fui sua. Eu já era sua antes mesmo de saber que você um dia não ia me querer.Mas a gente combinou que não era amor. Você abriu minha água com gás predileta e meu sabonete de manteiga de cacau. E fuçou todas as minhas gavetas enquanto eu tomava banho. E cheirou meu travesseiro pra saber se ainda tinha seu cheiro. Ou pra tentar lembrar meu cheiro e ver se ele ainda te deixa sem vontade de ir embora. Mas ainda assim, não somos íntimos. Nada disso. Só estamos aqui, reunidos nesse momento, porque temos duas coisas muito simples em comum: nada melhor pra fazer. Só isso. É o que está no contrato. E eu assino embaixo. Melhor assim. Muito melhor assim. Tô super bem com tudo isso. Nossa, nunca estive melhor. Mas não faz isso. Não me olha assim e diz que vai refazer o contrato. Não faz o mundo inteiro brilhar mais porque você é bobo. Não faz o mundo inteiro ficar pequeno só porque o seu chapéu é muito legal. Não deixa eu assim, deslizando pelas paredes do chuveiro de tanto rir porque seu cabelo fica ridículo molhado. Não faz a piada do vampiro só porque você achou que eu estava em dias estranhos. Não transforma assim o mundo em um lugar mais fácil e melhor de se viver. Não faz eu ser assim tão absurdamente feliz só porque eu tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é por acaso.Combinamos que não era amor e realmente não é. Mas esse algo que é, é realmente muito libertador. Porque quando você está aqui, ou até mesmo na sua ausência, o resto todo vira uma grande comédia. E aquele cara mais novo, e aquele outro mais velho, e aquele outro que escreve, e aquele outro que faz filme, e aquele outro divertido, e aquele outro da festa, e aquele outro amigo daquele outro. E todos aqueles outros viram formiguinhas de nariz vermelho. E eu tenho vontade de ligar pra todos eles e falar: putz, cara, e você acha mesmo que eu gostei de você? Coitado.Adoro como o mundo fica coitado, fica quase, fica de mentira, quando não é você. Porque esses coitados todos só serviram pra me lembrar o quão sagrado é não querer tomar banho depois. O quão sagrado é ser absurdamente feliz mesmo sabendo a dor que vem depois. O quão sagrado é ver pureza em tudo o que você faz, ainda que você faça tudo sendo um grande safado. O quão sagrado é abrir mão de evoluir só porque andar pra trás é poder cruzar com você de novo.Não é amor não. É mais que isso, é mais que amor. Porque pra te amar mais, eu tenho que te amar menos. Porque pra morrer de amor por você, eu tive que não morrer. Porque pra ter você por perto um pouco, eu tive que não querer mais ter você por perto pra sempre.E eu soquei meu coração até ele diminuir. Só pra você nunca se assustar com o tamanho. E eu tive que me fantasiar de puta, só pra ter você aqui dentro sem medo. Medo de destruir mais uma vez esse amor tão santo, tão virgem. E eu vou continuar me fantasiando de não amor, só pra você poder me vestir e sair por aí com sua casca de não amor.E eu vou rir quando você me contar das suas meninas, e eu vou continuar dizendo “bonito carro, boa balada, boa idéia, bonita cor, bonito sapato”. E eu vou continuar sendo só daqui pra fora. Porque no nosso contrato, tomamos cuidado em escrever com letras maiúsculas: não existe ninguém aqui dentro.Mas quando, de vez em quando, o seu ninguém colocar ali, meio sem querer, a mão no meu joelho, só para me enganar que você é meu dono. Só para enganar o cara da mesa ao lado que você é meu dono. Eu vou deixar. Vai que um dia você acredita.

Eu não sei voar

Ela pisou sem dó no meu meio sorriso, fazendo ele virar um pavor inteiro e verdadeiro. Eu canso dos meus meio sorrisos tanto, tanto, que prefiro que a vida seja assim mesmo. E aí me pergunto se chorei de tristeza profunda ou alegria libertadora, o que acaba dando no mesmo porque minha profundidade me liberta.
A barata preta, enorme e voadora posou no canto da minha boca. E eu pude chorar todos os meus medos no seu sofá e eu pude ficar curvada do jeito que a minha sombra, que só eu vejo, é. E eu pude borrar todos os meus disfarces e ficar feia sem culpa, porque a dor consegue ser sempre maior do que qualquer culpa, por isso o meu vício em sofrer.
Eu chorei a nossa imperfeição, eu chorei a saudade enganada da nossa perfeição, eu chorei a nossa necessidade de não se largar, eu chorei a nossa necessidade de se largar, a nossa necessidade de fugir do mundo em nós e a nossa necessidade de fugir de nós encontrando amigos.
Eu chorei o nosso ego que sempre tem respostas para tudo e não pode perder, chorei o nosso silêncio cansado de perguntas e desprovido de interesses, a pobreza do mundo que nos impossibilita de sermos felizes sem culpa, a falta de simplicidade que eu tenho para ser feliz e eu chorei o espaço da nossa alma que ainda falta evoluir.
Eu chorei o nosso medo de não sermos o que sonhamos. Eu chorei o medo que eu tenho de não ser quem você quer e o medo que eu tenho de ser exatamente o que você quer.
Eu chorei porque precisava de colo, porque precisava te mostrar a minha fragilidade escondida no meu mau-humor. Eu chorei de birra do meu lado homem.
Eu chorei porque vez ou outra ele ainda bate na minha porta e eu o deixo entrar, e eu sei que isso é medo do tanto que você habita todos os lugares.
Eu chorei porque eu te amo mas eu não sei amar. Eu chorei porque eu sempre canso de tudo e tudo sempre cansa de mim. Chorei de cansaço profundo de sempre cansar de tudo e tudo sempre cansar de mim. Chorei de apego ao cheiro do novo e principalmente de melancolia pelo cheiro do velho. E chorei porque tudo envelhece com novos cheiros e a vida nunca volta. Eu chorei de pavor da rotina, de pavor do fim, de pavor de sair da rotina e começar outros fins.
Eu chorei meu medo de submissão, o meu medo de vomitar, o meu medo de me mostrar pra você tanto, tanto, e não ter mais o que mostrar. Eu chorei minha infinidade de coisas e o medo de você não querer abrir os mais de um milhão de baús que existem escondidos na caixa cerrada que eu guardo embaixo do meu peito. Eu chorei meu fim e o medo do meu infinito.
E eu teria chorado cinco anos se você não me dissesse que já era hora de parar. E eu chorei depois cinco anos escondida, porque eu não sei a hora de parar e não quero que ninguém me diga.
Aliás, eu quero sim. Eu quero que você me diga quando for a hora de parar, de continuar e de não pensar em nada disso.
Eu quero que você me acorde com uma lista de horas e outras lista de anos e outra lista de encarnações. Eu quero que você me dê a mão e me ensine o que é um relacionamento porque eu só sei andar de quatro, cheirando xixis nas ruas e rabos alheios.
Eu quero que você me ensine a ser uma mulher para você.
Ao mesmo tempo eu quero que vocë suma porque eu só quero ser uma mulher para mim. Eu me quero só para mim.
Era minha a dor de ser solitariamente para mim. E você a substituiu pela dor de não querer mais ser solitariamente só para mim. Mas tudo é dor afinal, e eu não sei ser leve, eu não sei voar, mas a barata que vôou para o canto da minha boca, sabe.
Eu carrego o esgoto no meu ventre negro, mas não sei voar como ela. Por isso ela ainda consegue ser melhor do que eu.
E com todos os meus poderes para estragar a vida de alguém, eu ainda tenho medo da barata.
Porque ela sabe ser misteriosa, ela sabe incomodar sem abrir a boca, ela sabe enojar o mundo com sua meleca branca sem ter que mostrá-la a ninguém.
Ela é muito mais misteriosa do que eu.
Em comum temos as chineladas do mundo e todos os seres amedrontados que querem acabar com a nossa raça. Mas o poder dela ainda é muito maior do que o meu, porque ela não ama, ela não se sente traída pelas chineladas do mundo.
Ela não sabe o que é não entender nada desse mundo e ter medo do tempo. Ela não sabe o que é ter nas mãos o poder de construir e destruir e ter tanto medo desse poder.
Ela vive no esgoto e não sabe o que é ter tanto medo dele.
Ela aparece sem ser desejada e não sabe o medo que não ser desejada causa.
Ela é uma barata e nunca vai saber o medo que a gente sente de se sentir uma.
E eu chorei tanto que finalmente transformei meu meio canto de boca num bico inteiro. E chorei porque tenho tanto medo de tudo o que é inteiro, que prefiro viver tudo na cabeça, enquanto o corpo relaxa na minha cama, longe de tudo.
Eu deito na minha cama e imagino tudo o que pode acontecer, enquanto não toco de verdade na vida para não cansar demais e depois não ter forças para viver de verdade. Mas acabo dormindo e deixo pra depois.
Mas eu chorei justamente porque descobri que viver na cabeça também é um tipo de coragem, porque eu não protejo a alma de feridas e nem de descanso.
Mas aí ela, preta, imunda, nojenta, indesejada, um pedaço do esgoto, vôa em minha direção e me coloca em movimento. E eu corro pra bem longe e não penso, só corro.
E isso é tão diferente para mim, estar em movimento de fora para dentro, que eu choro de emoção.
Eu não pensei, eu vivi. Eu corri dela, eu vivi o medo. Eu vivi o nojo. E eu chorei de dor de sair da minha bolha interna.
Ela me fez ter vontade de gritar para o mundo nojento para que ele deixe meu coração em paz. Meu coração que quer amar em paz e esquecer que a vida pode ser nojenta.
E eu corri de tudo o que é nojento, e eu chorei porque com tantas coisas lindas me acontecendo, eu precisei de uma barata para me lembrar de sentir a vida fora da minha bolha.
Ela perfurou minha proteção e saiu da minha rotina. Ela invadiu tudo e me lembrou que as coisas podem dar erradas sim, quando se menos espera, e não adianta nada estar com o chinelo preparado na mão para se defender da vida.
A vida voa na sua cara, esbarra no seu rosto, suja sua vaidade, corrompe suas certezas, e você não pode fazer nada. A não ser lavar o rosto e começar tudo de novo

Incompleta


Dizem que cada um nasce com uma alma gêmea ,aquela que nos completa e foi destinada a permanecer ao nosso lado. Acho que a minha alma gêmea se perdeu, ou está caminhando tranquilamente em algum lugar na China. E eu só encontro a metade da laranja errada, tenho o grande dom de escolher a mais podre e estragada.As vezes também me atraio pela ''laranja verde'', aquela azeda que ainda tem muito caminho pela frente e não consegue dar conta de uma ''laranja madura'' igual a minha. E vou levando assim mesmo, me completando meio torto, preenchendo pela metade, disfarçando todo o espaço reservado para alguém que não chega. Porque talvez eu não consiga levar sozinha, eu precise de alguém, nem que seja só para poder idealizar e banalisar esse amor.Só para poder enganar essa falta. Eu invento amor, entrego meu coração de bandeja,embrulhado com papel de presente e um laço de brinde. Não peço nada em troca, eu mergulho, aprofundo, perco meu folêgo, me entrego e me afogo. Mas não me canso de procurar, vai que um dia eu até mude para a China,e encontre minha peça final, o pedaço que me falta para completar esse meu quebra -cabeça que já veio com defeito de fábrica.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Tenho medo do que vem depois!


Uma coisa são as poucas horas que passamos juntos, outra são os muitos dias que passamos distantes. Eu não sei o que te acontece depois que você me deixa na porta de casa com um beijinho de despedida, não sei quantas mulheres cruzam seu caminho até o nosso próximo encontro, não sei quantas arrancam de você um olhar com segundas intenções, não sei sequer se é em mim que você pensa quando vai dormir porque é com outra que você divide o quarto.
Não preciso de horóscopo, cartomante ou macumbeira pra saber o que você sente quando está comigo. Eu preciso é de fé pra acreditar que isso se perpetua quando os nossos corpos já não estão juntos, quando os dias passam sem que você apareça, quando a noite cai e mais uma vez eu tenho a certeza de que vou dormir sozinha.
Não tenho medo de passar uma vida inteira lutando por você. Eu tenho medo é do seu medo de se entregar, porque foi isso que me mandou tantas vezes pra um caminho diferente do seu e se hoje mais uma vez me encontro ao seu lado é porque se pela força do medo nos separamos, pelo poder que há no amor haveremos de voltar.
Então não venha me falar em responsabilidade, nem chame de maturidade a sua covardia e acima de tudo não tema a minha entrega, não recuse os meus atos desmedidos de paixão e não resista a minha vontade de te tornar o meu pra sempre. Eu só quero que você saiba que sei tanto quanto você o mundo de coisas que nos separam e todos os motivos pelas quais deveríamos permanecer separados. Mas se você realmente acreditar no poder do amor verá que nem o maior de todos os obstáculos fará diferença.
Hoje foi mais um dia em que nada de importante aconteceu e ainda assim eu senti a sua falta, como se fosse você fosse a hora que faltava pro meu dia ficar completo. Então imagina a falta que você faz em dias especiais?! Durante as pequenas conquistas. Durante os dias difíceis, quando me encontrei sozinha e de mal com o mundo. Pode mensurar o tamanho de todas as faltas que você me fez? Pode imaginar o quanto eu fui e sou carente por não ter 100% de você quando eu dou 100% de mim? Pode dormir tranqüilo sem nenhum aperto no peito sabendo que tem alguém rezando pra que você não ferre com a vida dela como ferrou com a sua?!
Agora eu tô te amando quietinha, sem mandar cartas, sem discar o seu número, sem passar em frente a sua casa.
Afinal do que adianta gritar pra meio mundo ouvir o quanto nós temos que ficar juntos se você não é capaz de mover um dedo pra que isso seja possível? De quê adianta ter toda a certeza do mundo de que eu sou a mulher da sua vida se eu não faço parte da sua vida?!

Pratique o desapego!


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos.
Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Doi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.

Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. o que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. as coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. por isso é tão importante (por mais doloroso que seja) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração. e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. deixar ir embora. soltar. desprender-se. ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.

pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. encerrando ciclos.

não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
Torne-se uma pessoa melhor e assegure-se de que sabe bem quem você é, antes de conhecer alguém e de esperar que ele veja quem é você. e lembra-se : tudo o que chega, chega sempre por alguma razão...

Foi assim, como ver o mar.


Decidi liberta-lo. Decidi esquece-lo. Amar é isso, não é?

Abrir mão de si mesmo em função da felicidade do outro. E no fundo não ia dar certo mesmo. Justificativa e negação são sintomas do fim de qualquer coisa. Tinha que terminar um dia, não tinha?

Então foi uma boa hora, porque ainda o amo. E é tão triste terminar quando já não se tem nem mais respeito pelo outro, a gente fica acabado, aquele sentimento de frustração, de que perdeu um tempão da vida. Mas viveu, ao menos. Justificativa e afirmação são sintomas de quem está no caminho de superar toda a história.

Afinal, não havia planos pro futuro. A história toda não tinha futuro. E o futuro, uma hora tinha que começar. Sem ele, obviamente. Mas então eu pergunto, se só existem razões boas, se o amor é pra nos elevar, por que dói tanto?

Lágrimas, F.


~~ ~~

“Hoje, eu lembro das promessas que você fez pra mim
Não sei por que razão tudo mudou assim
Ficaram lembranças e você não ficou”

Mais amor!


Se você ama, diga que ama. Não tem essa de não precisar dizer porque o outro já sabe. Se sabe, maravilha, mas esse é um conhecimento que nunca está concluído. Pede inúmeras e ternas atualizações. Economizar amor é avareza. Coisa de quem funciona na frequência da escassez. De quem tem medo de gastar sentimento e lhe faltar depois. É terrível viver contando moedinhas de afeto. Há amor suficiente no universo. Pra todo mundo. Não perdemos quando damos: ganhamos junto. Quanto mais a gente faz o amor circular, mais amor a gente tem. Não é lorota. Basta sentir nas interações do dia-a-dia, esse nosso caderno de exercícios.
Se você ama, diga que ama. A gente pode sentir que é amado, mas sempre gosta de ouvir e ouvir e ouvir. É música de qualidade. Tão melodiosa, que muitas vezes, mesmo sem conseguir externar, sentimos uma vontade imensa de pedir: diz de novo? Dizer não dói, não arranca pedaço, requer poucas palavras e pode caber no intervalo entre uma inspiração e outra, sem brecha para se encontrar esconderijo na justificativa de falta de tempo. Sim, dizer, em alguns casos, pode exigir entendimentos prévios com o orgulho, com a bobagem do só-digo-se-o-outro-disser, com a coragem de dissolver uma camada e outra dessas defesas que a gente cria ao longo do caminho e quando percebe mais parecem uma muralha. Essas coisas que, no fim das contas, só servem para nos afastar da vida. De nós mesmos. Do amor.
Se você ama, diga que ama. Diga o seu conforto por saber que aquela vida e a sua vida se olham amorosamente e têm um lugar de encontro. Diga a sua gratidão. O seu contentamento. A festa que acontece em você toda vez que lembra que o outro existe. E se for muito difícil dizer com palavras, diga de outras maneiras que também possam ser ouvidas. Prepare surpresas. Borde delicadezas no tecido às vezes áspero das horas. Reinaugure gestos de companheirismo. Mas, não deixe para depois. Depois é um tempo sempre duvidoso. Depois é distante daqui. Depois é sei lá.

Tudo na nossa vida acontece da melhor maneira possível.




A nossa vida dá muitas voltas. E as vezes nem temos tempo de pensar em tudo o que vivemos. Todas as situações, amores e desilusões que já enfrentamos.
Hoje por exemplo, muitos de nós estão passando por situações que jamais esperariam passar. O que antes nem passava pela sua cabeça acontecer, aconteceu. E hoje, você já não vive mais sem isso.
As vezes nos perguntamos: Por que não conheci ele antes? Por que só ficamos juntos agora se já nos conhecíamos a 3 anos? Por que ele só apareceu agora? E depois de refletir muito a respeito disso, tirei uma inusitada conclusão: NADA é por acaso.
Quem sabe se a 1 ano atrás isso acontecesse..
Ele aparecesse e dissesse que te amava, e fizesse por você tudo o que faz hoje. Você acha que estaria madura o suficiente para se permitir sentir o mesmo por ele? Talvez sim, talvez não.
Mas uma coisa é certa: você não daria a ele o valor que dá hoje. Nesse 1 ano que passou, você passou por várias coisas, enfrentou muita barra e se tornou mais forte. Aquilo que antes parecia pra você impossível de esquecer, hoje, graças a Deus, você nem lembra mais.
Hoje você sabe o que realmente conta. Sabe que atenção, cuidado e carinho são zilhões de vezes mais importantes que beleza, status e dinheiro. Sabe quem realmente se importa com você. Quem está do seu lado. Quem te ama e te quer bem. E você valoriza isso acima de tudo.

A vida não nos tira as coisas, ela nos livra delas. Tudo aquilo que você passou e sofreu te ajudou muito. Nada foi em vão. As dificuldades servem para nos ensinar e nos fazer crescer. Se aquilo que te magoou não tivesse acontecido, talvez hoje você ainda não estivesse pronta pro amor de verdade. Então não lamente por algo ter demorado pra acontecer ou por simplesmente nunca ter acontecido. Muitas vezes o que pensamos que é o melhor pra nós, nem sempre é. Se aquele seu relacionamento antigo tivesse dado certo, o seu atual, que te faz sentir a pessoa mais feliz do mundo, talvez não tivesse acontecido. Tenha fé para poder aceitar o que a vida lhe traz. Reflita e se lembre sempre: O que é pra ser nosso, será. Não importa quanto tempo demore

Não basta!

Você sempre foi sim bom de cama, pena que não se vive só disso. Pena que não se sustenta relação ou não-relação alguma só com isso.

E mesmo que por alguns minutos eu tenha até mesmo me sentido suja, usada, enganada por você, eu consegui me dar conta de três coisas.

A primeira, eu tinha sido sincera. Mais até do que o normal. Não que você fosse especial demais para merecer, mas porque eu sou sincera mesmo. E naquela cama, olhando para você, eu fui sincera comigo, com tudo aquilo que eu sinto e deixo de sentir. E isso, essa sensação de alívio, de dizer o que se pensa, o que se sente, não tem preço.

É pensando em você, em mim e na gente que eu me dei conta da segunda coisa; você seria, para mim, apenas mais um babaca com um piru acoplado na pélvis e um bom papo que passaria pela minha vida. E eu serei para você talvez o que sempre fui, aquilo que você sempre disse que eu era. Eu fui, sou e sempre serei “a menina diferente de todas as outras que existem por aí”.

Espero que você, meu caro amor falido, encontre sim alguém melhor que eu antes dos seus quarenta anos, alguém bom que te ame e te respeite. Alguém que, vamos combinar, não se encontra em mercados e micaretas. Não é nem questão de massagear ego, mas homens iguais a você tem aos montes por aí. Eu mesma já conheci vários. Mas mulheres como eu, você só conheceu mesmo a mim.

Vai ver eu resolvi ver em você não o que um dia você foi, se é que já foi, mas aquilo que eu queria ver. Eu, tanta areia para esse seu caminhãozinho de merda que não importa o número de viagens que faça ou quão bom seja na cama, não me basta. Limpa, eu me dei conta de que você não me basta. É, não basta.

Final fora do contexto


' eu planejei meu mundo de um jeito que qualquer coisa que me fizesse mal fosse automaticamente mantida fora dele.. eu criei meu mundo fazendo com que ele me protegesse do mundo real que é tão feio e tão cheio de boas intenções.. eu me refugiava no meu mundo e dentro dele eu era a menina que sempre sonhou correr em um campo florido nos fundos de um castelo gigante.. meu mundo tinha tudo que eu precisava e que me fazia viva: meus segredos, meus sonhos, minhas fotos, minhas músicas e minha caixinha de surpresas.. meu mundo me completava e nele podia ser quem eu quisesse.. no meu mundo eu nunca cresceria e sempre haveria um novo conto de fadas pra ser vivido.. nele a princesa era eu.. meu mundo tinha fantasia, magia e tudo que eu imaginava.. e nele ninguém entrava sem a plena permissão dos meus anjos da guarda.. exceto uma vez.. teve uma noite que eles estavam distraídos e você entrou na minha fantasia.. me pegou de guarda baixa e invadiu os meus lindos sonhos.. você virou parte do meu mundo e do meu conto de fadas.. e trouxe uma nova magia que meu mundo desconhecia.. trouxe amor e engano e logo, nada mais foi como era antes.. e esse mistério eu nunca consegui desvendar: em qual parte do sonho, da pureza, da magia e da fantasia, em que a história e o conto de fadas muda e o monstro rouba o coração da moçinha e a abandona, lhe mostrando pela primeira vez, que o final pode não ser feliz?

Borboletas


mais uma noite.
sim, mais uma noite e eu aqui.. perdida em meus pensamentos..
deitada na cama com aquele pijaminha de borboleta que você tanto gostava..
olhando pro teto e pensando no que escrever agora..
mais uma noite.
mais um dia dessa longa jornada cessou e mais um banho de sonhos está pra começar..
adormecer e tentar sonhar com cada palavra dita e cada olhar que você me enviou, talvez sonhar até com você dormindo aqui e falando o tanto que acha fofinho esse meu pijama..
mais uma noite.
uma noite que poderia ser igual a tantas outras que já passei..
algumas acordada e outras perdidas..
o diferencial dessa noite, você nunca iria adivinhar..
pensaria que é só mais uma noite e umas palavras soltas que tento montar..
mas não.. nem palavras soltas nem mais uma noite qualquer..
é uma noite minha.
que me permite pensar no que eu decidir..
que me permite cantar aquela musiquinha chata que você odeia..
que me permite dormir sem colocar aquele creme no rosto..
que me permite dormir com cabelo amarrado mesmo você achando feio..
que me permite libertar as palavras e formar o que é isso aqui..
mais uma noite.
uma noite minha e pra mim.
do contrário de tantas outras que desperdicei com você,
que erradamente, me permite fazer tudo isso essa noite,
pelo simples fato não estar aqui
Se você quiser me salvar, esteja à gosto, coração.

teve um fim!

Tudo na vida tem seu fim, mas eu teimava e insistia em acreditar que era para sempre. A culpa é sua, que me fez criar esperanças, aumentar o meu coração de tamanho só para poder te amar melhor e fazer crescer esse sentimento.
Até o que era doce se transformar em amargo,mas você não me avisou.Seu amor deveria ter vindo com prazo de validade.
Assim eu não iria me apegar e criar planos com você, que a propósito você nunca vai saber.
Você nunca vai saber o quanto eu te amava, que eu enlouquecia com a sua nuca, com seu perfume e encostava em você só pra sentir seu cheiro,seu calor e me nutri de você.
Em todo esse tempo eu nunca te pedi nada,nunca te exigir nada, só queria o seu amor e foi a única coisa que não soube me dar.
Você não precisa saber, agora não faz diferença.A gente se acostuma com tudo, vou me acostumar sem a sua presença e tentar enganar o meu corpo quando ele chamar pelo seu. E quem sabe eu encontre alguém mais idiota do que você, que possa aceitar o que eu ainda sinto e só assim por alguns minutos, quem sabe eu pense em outro e bloquei seu rosto da minha mente.
Porque meu amor por você nao morreu, eu ainda te amo sim. Amo muito,não nego.Mas amo a pessoa que você era e não a que se tornou. E isso também você nunca vai saber, afinal, você nem sequer sabe o que é amor e nunca soube me amar.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Em relação aos finais de semana já desisti faz tempo. Tô fora de dançar os hits das rádios e ter meu braço ou cabelo puxado por um garoto que fala 'tipo assim', 'gata', 'iradíssimo'. Tinha me decidido a banir a palavra "balada" da minha vida e só sair de casa para jantar, ir ao cinema ou talvez um ou outro barzinho. Mas a verdade é que por mais que eu ame minhas amigas, a boa música e um bom filme, sinto falta de um amor. Me pergunto onde foi parar a única coisa que realmente importa e é de verdade nesta vida: a tal da química. Mas então onde, meu Deus? Onde vou encontrar gente interessante? Até quando vou continuar achando todo mundo idiota demais pra mim e me sentindoo mais idiota de todos? Foi então que eu descobri. Ele está exatamente no mesmo lugar que eu agora, pensando as mesmas coisas, com preguiça de ir nos mesmos lugares furados e ver gente boba, com a mesma dúvida entre arriscar mais uma vez e voltar pra casa vazio ou continuar embaixo do edredom lendo mais algumas páginas do seu mundo perfeito. A verdade é que as pessoas de verdade estão em casa. Não é triste pensar que quanto mais interessante uma pessoa é, menor a chance de você vê-la andando por aí?

Se você tivesse telefonado hoje, eu ia dizer tanta coisa

Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não achei que ia conseguir dizer, quero dizer, dizer tudo aquilo que escondo desde a primeira vez que vi você, não me lembro quando, não me lembro onde. Hoje havia calma, entende? Eu acho que as coisas que ficam fora da gente, essas coisas como o tempo e o lugar, essas coisas influem muito no que a gente vai dizer, entende? Pois por fora, hoje, havia chuva e um pouco de frio: essa chuva e esse frio parecem que empurram a gente mais pra dentro da gente mesmo, então as pessoas ficam mais lentas, mais verdadeiras, mais bonitas. Hoje eu estava assim: mais lento, mais verdadeiro, mais bonito até. Hoje eu diria qualquer coisa se você telefonasse. Por dentro também eu estava preparado para dizer, um pouco porque eu não agüento mais ficar esperando toda hora você telefonar ou aparecer, e quando você telefona ou aparece com aquelas maçãs eu preciso me cuidar para não assustar você e quando você me pergunta como estou, mordo devagar uma das maçãs que você me traz e cuido meus olhos para não me traírem e não te assustarem e não ficarem querendo entrar demais dentro dos teus olhos, então eu cuido devagar tudo o que digo e todo movimento, porque eu quero que você venha outras vezes


Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí. Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto.
Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.

''...enquanto houver você do outro lado ,

aqui do outro eu consigo me orientar !
Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de você. É ter maturidade para falar: "Eu Errei". É ter ousadia para dizer: "Me Perdoe". " Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.
Eu briguei com meu coração. Disse que jogasse o amor antigo fora. Ele deu nó. Coração não entende ordens. De um lado a razão exigindo. De outro o coração tentando. A verdade é que nem tudo sai como o planejado. Mas a gente tenta. Um amigo meu me disse que fica surpreso como eu racionalizo os sentimentos. Eu perguntei se falava de mim. Acho que sofro calada. Calada. Maquiada. E de salto alto. Mas manter a pose cansa. Cansa ser racional. Cansa enganar o coração. Cansa ser forte. A verdade é que hoje eu vi um livro que vc me deu e chorei calada. Porque é feio chorar por amor perdido. Mas... quer saber? Estou com sinusite. E não estou nem aí para escrever bonito. Quero respirar de novo e amar alguém como um dia eu te amei. Alguém aí acredita em segundo amor?
Vai seu sem-vergonha regue aquela sementinha de amor que eu deixei com você,anda..antes que tudo isso que eu estou sentindo se transforme em ódio,porque ai é que a coisa vai ficar feia.Anda,é muito amor,é muita química pra se jogar fora,se eu fosse você iria rápido porque o tempo vai passar e eu vou encontrar mais homens e vou esquecer você num vapt-vupt - mais ta ai o problema : eu não quero te esquecer,não agüentaria te matar na minha mente,eu não me perdoaria,mais isso vai aconteçer,eu querendo ou não.Então aproveita que eu to boazinha,e cresça pra ver onde errou,porque juntos somos tão "casal de cinema,tão quentes,tão vagabundos que dá até inveja a qualquer casalzinho de péguets da rua.Aproveita que eu preciso desse teu lado mal,porque mesmo me fazendo chorar é você quem me faz rir.Mais olha,cultiva bem essa sementinha ai viu ? esse é o meu amor,e daqui a pouco ele morre e o que vai sobrar em você vai ser a raiz,e é isso que vai te fazer passar,te fazer sofrer tudo que eu sofri e passei,e pior ainda é que para arrancar a raiz dói mais então sobreviva e me perdoe caso eu venha a te machucar,porque toda essa agressividade eu aprendi quando você pisoteou aquela plantinha linda de amor que eu tinha em mim.Eu arranquei a raiz,sofri uns dias,mais passou.Antes eu sussurrava baixo: que que é isso meu deus,que homem lindo!!!..Hoje eu grito bem alto pra que ele consiga ouvir : NOSSA SENHORA HEIM,CHOVE AQUI ! mesmo não sendo você,porque o tempo passou como eu tinha dito agora tenho vontade de outros homens.Quem foi que saiu perdendo no fim heim..? heim ?
O telefone toca, eu atendo, a Alanis canta a minha música preferida, eu ouço alguém do outro lado da linha me chamar de maravilhosa e me encher de elogios. É óbvio que esses elogios são só para me levar pra cama. Tenho vontade de desligar o telefone, é uma pena eu ter acordado de bom humor. Então, o deixo falar... E ele continua a conversa falando de minhas qualidades sem ao menos respirar a cada elogio direcionado a mim. É incrível ver o quanto as pessoas se esforçam, elas até tentam, mas não conseguem alcançar um milímetro do meu coração. Acabam por tornarem-se apenas o que são: banais. E eu escuto a Alanis cantar o trecho da música mais linda de todas: " Eu sou um doce trabalho inacabado, erroneamente rotulada e subnutrida. Tratada como uma rosa sendo uma orquídia... " E eu tenho vontade de mandar esse cara pra aquele lugar só por ele estar atrapalhando a minha canção que eu tanto amo, me falando essas baboseiras que eu poderia até repetí-las de tanto já ter ouvido de outros caras. Porém, resolvo deixar pra lá, não vai adiantar nada mesmo. Deixa ele pensar que acredito em tudo o que fala. Os homens não gostam de mulheres espertas. Eles têm medo dessas mulheres. Um pouco por seu lado machista, mas um tanto por serem burros mesmo. É até divertido ver o quanto eles são incompetentes. E eu continuo sendo essa chata, desbocada e nem aí pra nada. Quero mesmo é que tudo se dane, que o mundo exploda e eu vire pó e cinzas. Afinal, essa é a única certeza que temos na vida: a certeza de que morreremos e ponto final. Acabou. Sem finais felizes, sem príncipes, sem gente 'pé no saco', sem vida, sem nada. Apenas pó e cinzas, jogadas ao vento, onde desaparecerão e não significarão mais nada.
Eu estou vivendo uma coisa muito boa. Aquela coisa que a gente suspeita que nunca vai acontecer. Aconteceu.
Ás vezes penso se te conhecesse daqui há alguns anos meu sentimento por você mudaria.
Ao te encontrar na porta de um bar qualquer, você me convidaria para tomar aquela minha bebida favorita , meu coração pulsaria mais forte por você e a vontade de te beijar e cair nos teus braços fosse maior que eu.Talvez isso aconteça, nunca se sabe, mas hoje o mínimo que posso te ofereçer é meu carinho sem amor. Seria mas fácil eu curar minha carência com você ou esquecer dele no teu colo. Mas não consigo, e nem quero se o preço de tudo isso é criar em você a ilusão de um sentimento que eu não sinto. E olhe que eu tentei, tentei muito, mas meu coração é teimoso e construiu um muro entre minha amizade e seu amor. Ele não suporta o teu jeito, não suporta o seu cabelo estilo bagunçado, seus ciúmes, manias, não suporta a maneira irritante que insiste em encostar seus lábios nos meus, enquanto o que eu quero é distância ,e seu olhar profundo que me encara quando eu tento desviar o meu olhar, me fazendo sentir tão frágil diante de você. Prefiro continuar não suportando, do que me ver totalmente dependente de você .
E eu acho que você é como um doce, que me chamou a atenção pela cobertura mais enjoei do recheio.E talvez meu coração seja só puro demais, intocavél e imaturo. Quem sabe um dia ele amadureça e pare de gostar de quem não me quer.Só assim poderei aceitar o que você pode me dar,só assim te encontrarei naquele bar,mesmo que seja tarde,você tenha cansado de esperar e eu já tenha te perdido.

sábado, 14 de agosto de 2010

Amor que não se pede

Em algum lugar do mundo, agora mesmo, existe alguma mulher qualquer sentada na beira de sua cama, tentando entender porque as palavras que ele diz tem de machucar tanto, porque os planos dos primeiros meses acabam no final deles e em como viver em função de alguma outra pessoa – que não ela mesma – pode ser a coisa mais frustrante do mundo. Quanto mais altruísmo, menor o amor próprio e assim vai. A verdade é que nada nunca pode mesmo estar perfeito em todos os sentidos possíveis porque, é óbvio e batido, mas perfeição não existe. Blá blá blá.

De noite quando ele fechava os olhos e dormia em questão de segundos, ela permanecia com os dela intactos, abertos, esperando um motivo pra então respirar aliviada e dormir de peito leve. Fazia tanto tempo já que não era assim. Mas não adiantava. Sua noite era corrida e atropelada por tudo aquilo que ela sentia de errado e, mesmo tendo tentado explicar tanto, acabou ficando ali preso a ela e tão somente a ela. A sensação horrível de clausura por saber que por mais que se faça por merecer nada vai mudar enquanto a outra pessoa simplesmente julgar que não é aquilo que ela merece. Tão absurdo – e tristemente verdadeiro – que foi ela mesma que colocou nas mãos de outra pessoa todas as coisas que poderiam determinar a sua própria felicidade.

Ficou lembrando de quando ela tinha um plano de vida em que o amor era incluído, mas não era necessariamente o núcleo central da trama. De quando meia hora de lágrimas era absurdamente muita coisa comparada à importância que qualquer pessoa pudesse vir a ter na vida dela. Não, não entenda errado. Essa mulher amou com tudo o que podia sempre que teve uma oportunidade. Ela abriu os braços e fechou os olhos para se jogar na vida sempre que pôde, sempre que sentiu que podia. Ela se escondeu em becos, ela gritou de madrugada, ela deu risadas tão escandalosas que assustaram até mesmo a felicidade histérica dentro dela, ela se arrumou, ela se desarrumou, ela vestiu a fantasia da vez e fez valer a pena pra ela, porque era ela quem importava. Ela viveu os momentos e, quando sentiu que era o caso, sofreu pra se curar do que doía ali dentro. Sem culpa por ser quem ela era e estar passando pelo que estivesse passando naquele momento.

Mas, antes dele, ela jamais havia aberto mão de nenhum sonho dela por ninguém. Sonho nenhum porque, talvez, quando ela o conheceu, ela julgou que todos os sonhos que ela pudesse ter tido até aquele exato momento, estavam sendo realizados. E ela rezou baixinho agradecendo por ter tido tanta sorte na vida, como se a luta dela tivesse mesmo acabando exatamente ali, onde começava a participação dele. E esse foi o erro.

O que ela não percebeu lá – e que agora se arrepende tanto – é que alguém sem sonhos é alguém que já morreu. Que alguém que já tem tudo é alguém que não pode conquistar mais nada e que, sem nada pra se querer muito, não se pode ser feliz. O que aconteceu com aquela mulher incrível dentro dela é que ela se perdeu na sombra de um homem, também absolutamente incrível, mas que já não precisava mais de tanto esforço pra fazê-la feliz já que ela, agora meio sem graça, sem ambição e sempre triste, já não tinha mais nada de personalidade pra oferecer a ele.

E enquanto ele respirava forte e profundo no seu sonho tranqüilo, ela continuou de olhos bem abertos no escuro, procurando naquilo que ela não podia ver, a resposta pro caminho que ela teria que tomar, gostando ou não, com medo ou não, sozinha ou não, agora que ela percebeu que embora ela tivesse depositado tudo o que ela sempre foi num amor que deveria ter dado vida melhor à vida dela, tudo o que ela conseguia sentir naquele exato momento era a paralisação de quem, por algum motivo, se deixou fazer morta.

Sábado a noite, sem programa

O que será que dói mais, perder um grande amigo ou um grande amor? Porque a gente aprende que, desde que nasce, deve procurar pelo príncipe encantado e, muitas vezes é fato, esse cara nunca vem. E amizades também têm assim, um pouco de amor no contexto. Virar amigo de alguém também tem muito a ver com se apaixonar, com acreditar no que aquela pessoa representa, em quem ela é. Conseguir um amigo fiél, que vai estar do seu lado quando o seu possível príncipe encantado fodeu sua vida ou quando você tem uma crise e não sabe mais – pela milésima vez – o que quer fazer da sua vida, muitas vezes é bem mais complicado do que encontrar amor.

A gente aprende com o tempo que, assim como as fases da nossa vida, os amigos passam às vezes. A sensaçao que dá, inclusive, é que algumas pessoas ficaram presas naquela parcela de passado que nosso cérebro é capaz de lembrar. A sua melhor amiga de primário; uma vez, nas férias, vocês resolveram brincar de cabalereiro e você acabou cortando metade da franja dela na metade da altura da texta – que já não era das menores. Ao invés de chorar, e percebendo que a mãe dela ia querer matar a sua e, possivelmente, vocês não poderiam ser mais amigas, ela sugeriu que você cortasse a sua também. E você cortou. Duas franjas tortas, problema e cumplicidade resolvidos.

Ou a sua melhor amiga do ginásio. Ela estava lá quando você menstruou, quando você se apaixonou pela primeira vez e, pela primeira vez, teve seu coração partido. Ela também estava lá quando você resolveu fugir de casa porque seu pai não te deixou sair à noite porque você ainda não tinha dezoito; mal sabia o seu pai que pra você, quinze era definitivamente o novo dezoito e, era só ele piscar o olho no sofá, que a sua identidade falsa ia passear com sua melhor amiga na Vila Olímpia.

Com sorte, sua melhor amiga do ginásio ainda era sua melhor amiga no colegial e, meio que inevitavelmente com o tanto de hormônios que correm nessa fase, vocês podem ter tido uma briga sem volta ou porque ela achou que você gostava do namorado dela, ou porque ela achou que você era muito mais magra que ela, ou porque, simplesmente, todos os motivos anteriores aconteceram e ela achou que a vida dela, agora, precisava de um rumo que não incluía você. E aí, alguns anos depois ela se arrependeu e resolveu pedir desculpas. Mas aí, veja, aí já era tarde demais porque amizades – assim como amores – são relações interpessoais que precisam não só de carinho, mas também de esforço pra que haja compatibilidade. Em amor ou amizade, só o sentimento, infelizmente, não é suficiente pra manter tudo de pé. Você tem de ceder e a pessoa tem de ceder também. Amizade, amor e qualquer coisa que liga a alma de duas pessoas exige, no mínimo, convivência e paciência.

Aí você vai pra faculdade e encontra seus novos amigos de infância, sem discriminação de sexo – inclusive literalmente. Você se sente mais adulta porque achou que descobriu finalemente o que quer fazer da sua vida e, no meio de muita gente nova, a empolgação te cega na hora de enxergar que, na vida, ninguém nunca tem certeza do que vai acabar fazendo com ela. Você faz mil amigos homens; e os que são bonitos, fazem você. E faz duas – com sorte -, três amigas que você vai carregar pra sempre. Elas passam pela fase da probreza universitária com você; aquela fase que você vai à pé ou de ônibus pra festa depois de ter estudado de manhã e passado a tarde no estágio não remunerado. O incrível dessa época é que, mesmo na pobreza, vocês pareciam conhecer todo mundo que precisavam conhecer em São Paulo, pra entrar em qualquer lugar sem precisar da moeda de troca usada pelos outros.

Aí a faculdade acaba e você – mais uma vez na dúvida do que fazer com a própria vida e agora, também, com a carreira que escolheu pra você – resolve mudar de país, largar mão de tanta festa e encontrar o amor. E assim você se enxerga depois de alguns meses, cheia de amor e sem amigos. Sem amigas. Não está completo.

Alguns anos depois, você e sua melhor amiga da faculdade têm o primeiro estranhamento. Você voltou mas as vidas de vocês andaram separadas. Amizade, como amor, precisa de dia a dia, precisa de “Como foi o seu dia?”, precisa de frescurinhas e cuidados pra não estremecer.

Meses de insistência depois, quando você quase conseguiu enfiar a amizade de volta no eixo, quando fez novas amigas de infância pra quem pôde ligar na hora que algum dos seus amigos deu em cima de você e te deixou surtada, ou na hora que sua chefe gritou com você no meio da redação e você correu pro banheiro, sentou na privada e ligou pra ela ao invés do seu namorado porque ela, diferente dele, não ia te mandar engolir o choro e ia te entender. Bem nesse momento então, a vida muda de novo, você muda de país de novo e, mais uma vez, suas amigas de infância de verdade, as de infância da faculdade e as de infância do trabalho ficam pra trás enquando você vai.

Aí você chega aqui, de novo com o amor que sempre precisa de manutenção, mas tendo a difícil tarefa de manter à distância as outras relações da sua vida.

Alguns amores começam de amizades, e alguns amores, terminam em amizade; ou pelo menos é isso que ouço dizer. Mas eu não acredito muito nesse estatuto que estipula regras de boas vizinhanças entre ex-namorados e, tampouco, naquele que estabelece que uma amizade entre homem e mulher – heterossexuais, obviamente – pode ser complemente imune do fator que todo mundo que já teve um grande amigo do outro sexo um belo dia encontra pela frente, a curiosidade.

O fato, e a desculpa pra esse texto sem propósito e tão bagunçado, é que só amizade e só amor, sozinhos, não conseguem suprir tudo o que a gente precisa. Você pode reclamar da melhor amiga pro namorado e pode – e vai – xingar o namorado de tudo o que precisar pra melhor amiga. Mas não, o namorado não pode ousar falar da melhor amiga e a melhor amiga nunca pode entrar muito no calor do momento e acabar xingando seu namorado.

No final, a nossa vida não muda de curso e nem pára de andar em frente pelos desejos de mais ninguém, além dos nossos próprios. E se a gente fez a burrada de ter uma cabeça avoada e um coração cheio de sonhos e vontades de conhecer o mundo, viver um grande amor e fazer grandes loucuras em nome disso, a gente têm que, também, aceitar que muitas vezes é possível perder quem se deixou pra trás.

Feliz das pessoas que nasceram com as cabeças nos lugares e resolveram amar só quem apareceu pela frente, nunca quem estava fora do alcance da vista.

Quanto à mim, meu coração continua por toda parte e minha cabeça não tem nem meios de ser mais bagunçada. Vai ver é por isso que jamais vou saber qual é a sensação de estar completa, sem sentir saudade de absolutamente ninguém.

Aquele brilho que ofusca, é mentira.

Aquele dia eu tive medo. De verdade, de cair.

Eu despenquei no meio dos fatos porque as pernas cediam já havia um tempo. Já passavam algumas fases que a minha crença ia indo, fundindo com os atos, as conseqüências, as faltas de medida. Desmedido estava o pavor em mim, de ver você daquele jeito, bem na minha frente.

Não era falta de compreensão. Eu juro que queria entender. Havia anos que a minha vida, pra mim, era simples, líquida, transcorrente pelos meus dedos.

Ok. Não no sentido de simplicidade, não neste. Mas, pelo menos, eu sempre soube que as confusões, misturas, sensações, tumultos, revoltas, amores, bagunças, enfim, tudo existia ali por um porquê, por um - ou vários - motivos que eu mesma criei de um jeito ou de outro, agora, ontem ou depois. Por mais que estivesse difícil, eu sempre tinha estado no controle. Era eu, meu egocentrismo, o meu lado narcizo e a minha coragem de estampar, pro mundo, os meus medos.

As nuvens andaram tortas e se confundiram de estação. O céu resolveu escurecer em cima das nossas cabeças mostrando que egoísmo, agora, não ia ajudar muito, não ia resolver o problema, os problemas, os lapsos de sanidade que existem nas vidas das pessoas todas. Nós fazemos parte, ao menos disso.

Eu ria, mas tremelicava toda por dentro. Eu queria chorar até alagar todas as burradas pra afundar o que foi e ser a partir dalí. Não dava. Latejava estranho por todas as partes do meu corpo os pecados que eu não cometi. Os joelhos continuavam ralados e sangrando, aquele sangue que não era meu, nem dela, mas seu. E ele precisava jorrar.

E o céu já não era mais azul, era vermelho como no filme onde nada se via, de luz apagada pra sempre. Como se num minuto tivessem roubado todas as nossas certezas e só uma permanecesse. Eu continuava lutando por ela, de mãos fechadas, dentes cerrados e olhos entre abertos.

A gente não podia exergar tudo porque era a incerteza do muito que confortava de certa forma. Era o medo de um futuro errado que empurrava pra frente. Eu precisava caminhar. Certas ruas ficaram estreitas, algumas estrelas perderam o brilho. A minha música preferida já não dizia muitas coisas porque o meu conceito de amor mudou, e muito.

E eu já não quero brilhos. Percebi, só agora, que a luminosidade me cansa. É na penumbra que os medos se descobrem, se roçam e se encaixam. É na sede de querer se salvar que a gente bebe o outro, gelado ou quente, tanto faz. As sombras, que não têm feição mas sim formato, me mostraram que eu errei tanto quanto você.

Vou deitar quente no seu peito até o dia chegar, mas aí eu vou fechar as cortinas e ficar. Só mais um pouco, eu juro.

E você vai fugir de você, porque assim há de ser. Mas eu, vou estar aqui, no escurinho da sua única certeza, te esperando com o amor que eu nunca duvidei poder te dar.

Feche a porta.

Ele ficou por lá

Pensando bem, não era exatamente à isso que eu me referia quando falava de amor. Não era à uma coisa doída, unilateral, pesada e ressentida. Não era, nem de longe, uma conversa sobre arrependimentos e, nem, nenhuma lágrima caía. Pensando bem, quando eu esperava tantas outras coisas do amor, eu, ainda e simplesmente, não compreendia.

As meninas estão aí. Estão aí todas elas como sempre, correndo, fugindo, ficando. Estão todas virando mulheres no meio do caos diário, da eterna vontade de não mais precisar correr por ter tanto medo de tudo, a eterna vontade de ficar onde as mentiras são para o bem de verdade, e as verdades só sabem fazer feliz.

Fazia um ano já. Um ano e ainda mais um pouco.

Eu passava segura e distante de tudo o que cortou um elo porque, se não havia mais conectividade, não havia, tampouco, motivo para se manter, então, qualquer espécie de relação. Mas as coisas na vida da gente voltam à qualquer momento. De repente, de sopetão, do nada, alguma coisa palpita forte lá embaixo, na boca do estômago.

Era pra eu estar rindo de tudo isso já. Era pra eu pensar que as coisas tinham se acertado e que isso tudo era certo.

Mas o caminho foi abrindo na minha frente: a reforma tinha acabado, a pista tinha crescido, fecharam o lugar das nossas confissões mais secretas, abriram um novo restaurante fantástico que nenhum de nós - sendo um nós - chegamos a conhecer. Eram muitas coisas juntas, ao mesmo tempo, contando pra mim vez após vez que a vida tratou de seguir seus rumos mesmo sem eu estar ali, perto de você.

A gente andou tanto aquele dia que o rumo se perdeu. Eu me perdi de você, mas as coisas todas estavam lá, eternizadas bregamente na minha cabeça - e tão somente nela.

Ainda estava lá a pracinha de bairro, com os cachorros todos, o guardinha, os bancos, as árvores, flores, cantinhos e tudo mais que fizesse dalí um lugar romântico ao qual eu nunca tinha prestado a mínima atenção antes porque, antes, o mundo lá fora não importava muito. Só que, agora, o mundo aí fora é tudo o que eu tenho pra me lembrar de tudo.

Ela chorou três litros de lágrimas tristes de verdade na minha frente e eu, simplesmente, não soube o que dizer. Fiquei parada tentando usar alguma eloqüência pra explicar que ela não precisava chorar por ele. Ele não mereceia, ele não sabia, ele era só mais um babaca, só mais um cara que mente, que some, que liga pra manter quente, pra não perder a possibilidade sempre que tiver vontade. Tentei falar que ele era só mais um homem, como são todos os outros, e que, um dia, ela acharia alguém que não ia mais fazer ela se sentir assim.

Quando eu percebi, éramos as duas babacas em prantos. Chorando por todos os fantasmas do passado que não mais estão aqui mas que, também, nunca vão embora de vez.

A pracinha, a avenida, as ruazinhas, as lanchonetes, os lugares de segredo, o meio fio, os cachorros, tudo tão diferente. Mas tudo continuava lá.

E dessa vez, quem foi embora fui eu. Porque, afinal de contas, se a vida andou sem mim, não faz sentido nenhum eu parar por alguém que eu, em algum momento, resolvi deixar pra lá.

O melô da caretinha

Eu ando em círculos tortos tentando achar o equilíbrio que eu preciso pra não desmoronar no meio fio, sozinha. Ficando tonta por tentar entender, pela milésima vez, o que me segura tão fundo no chão, que deposita vinte toneladas nas minhas costas e eu não consigo voar.

Tento achar culpados, xingar os meus e os seus medos, reprimir todos meus impulsos assassinos por todas as pessoas que eu sou obrigada a odiar simplesmente por não poder amar. Tento sofrer menos por tudo no mundo, mas a vida me envolve de verdades o tempo todo e é difícil sorrir pras desgraças quando a sobriedade é parte inerente do meu todo. Encarar a vida de frente, com todas as merdas que cagam gostoso na minha cabeça todo santo dia, não é fácil. Viver não é fácil, nem bonito e nem me dá tesão muitas vezes.

E eu choro sem saber o porquê enquanto a vida acontece lá fora. Tanta gente desgraçada por coisas de verdade e eu, ainda presa às dúvidas atrasadas de tudo que não se explica, não consigo definir porque tudo fica tão aguado ao meu redor. Eu fico parada olhando tudo acontecer comigo, tudo acontecer com os outros. Eu choro sabendo que o mundo não é bom, que crianças morrem arrastadas por sete quilômetros presas a um carro em movimento. Choro pensando que é um adulto, que provavelmente nunca foi criança, que dirige esse carro. Choro sabendo que muitas outras crianças vêem seus pais morrerem numa guerra de adultos e que elas não pediram pra estar lá, mas estão.

Os meus problemas são tão pequenos. As minhas dores são tão precisas.

Mas olhar ao meu redor me perturba e dói saber que viver machuca. Só que viver é tão bom, apesar de tudo isso, que mesmo no dia mais difícil de muitos, de todos, de tantos, eu não consigo entender, nem por um instante, a coragem do suicida.

Ter coragem de ser covarde.

Nunca mais ver o sol nascendo, nunca mais sentir o cheiro do mar, nunca mais acordar amassado porque perdeu a hora, nunca mais trocar o almoço saudável por um chocolate bem grande e gorduroso, nunca mais ter medo de altura, nunca mais abraçar um amigo, nunca mais olhar nos olhos da sua mãe, nunca mais se apaixonar, nunca mais sentir o quente da boca de outra pessoa na sua nuca, nunca mais sofrer, nunca mais querer tanto uma coisa com tanta força que o universo conspire, mesmo, a seu favor, nunca mais errar, nunca mais amar, nem odiar, nunca mais escrever o que sente, nunca mais sentir.

Desistir da vida é olhar de frente pro nunca mais.

E por mais que doa, por mais que seja injusto, por mais que eu chore e que a minha sensibilidade excessiva cause em mim muitas outras coisas que não só alegria ou amor, eu não quero desistir das sensações - as boas, as ruins e as idiotas - nunca. Eu não quero desistir dos finais definitivamente felizes ainda, mesmo que, esses finais tenham vindo, até agora, só pela metade.

Eu ando em círculos tortos tentando achar um jeito de enxergar as coisas com menos precisão pra eu não precisar tanto de motivos exatos pra continuar caminhando. E, ainda que, minha vida titubeie aqui ou ali, tudo o que eu posso fazer por mim mesma, no final das contas, é fingir que a vertigem não enjoa, e seguir em frente.

Pra mim, espertos não são os suicidas de póstuma, aqueles que maquiam a realidade com seus entorpecentes-amigos, e matam a vida de pouquinho em pouquinho só porque não têm coragem de fazer isso de uma vez, como os de véspera.

Sábio, mesmo, é Johnnie Walker, que há anos mata um mundo de covardes, mas continua andando.

Felicidade é uma coisa estranha

Estar feliz, eufórica, fora de si por alguns minutos gigantescos do dia, sorrir pro nada, ficar linda com qualquer roupa. Deus, como é estranho.

Ela olhou pro espelho encantada com a imagem refletida e fez força. Tanta que quase chorou de verdade. Mas nem mesmo a força conseguiu fazer com que ela enxergasse a si mesma naquela imagem marcada por lápis, rimeis e sombras. Era por debaixo das cores vibrantes que se escondia a mulher que ela guardava tanto no colorido pra poder desabrochar um dia, sem cor, no romance preto e branco que ela sonhava quando fechava os olhos de supercílios.

Dançava desleixada de propósito, pra forjar a emoção inata aflorando por todas as células do seu corpo penso, no meio da multidão de mulheres padronizadas, dançando pé direito-pé esquerdo, suas blusas balonê, suas pulseiras exageradas, seus sorrisos precisamente moderados até a vodka subir pra cabeça arrependida das meninas perdidas.

Ficou pensando, por um tempo, que talvez ela fosse a única das mulheres a gastar muito mais do que as 24 poucas horas de um dia pensando em bobagens. Mas descobriu que, por mais bem resolvida que seja a mulher, por mais pose, por mais que o salto seja quinze e agulha, por mais que o decote não esconda nem a emoção, por mais que o cabelo seja tão liso que deslize os medos, por mais que os olhos sejam tão marcantes que deixem as inseguranças pra depois, enfim, por mais que fossem lindas, seguras e bem decididas, eram ainda assim, mulheres.

Dançava ao ritmo da melodia que desconhecia, mas se entregava às vibrações dentro dela dizendo que, se estava feliz, que assim fosse, que assim estivesse, que não procurasse tanto pêlo em ovo porque, uma hora, acabaria por achar, mesmo, uma peruca inteira. E não era por medos inteiros que, agora, ela estava feliz.

O sem cor, não necessariamente, significava a felicidade - pensava ela -, apoiada pelo blues da tristeza que ela ouvia todas as noites. O azul das vozes doídas e profundas. Ela não agüentava mais sofrer profundo esperando o dia do escuro quentinho chegar.

Dançava por horas seguidas dentro da sua cabeça amargurada pela falta de ritmo das coisas, pela melodia apagada das pessoas, pelos sons perdidos nos silêncios que faziam o mundo girar ao contrário e as pessoas se olharem torto, tanto.

E foi no canto da pista, olhando ao redor dela mesma que ela descobriu que viver não emocionava sempre, mas emocionava muito. E que o importante não era o espetáculo central, as grandes luzes e os passos simétricos. Simetria demais era chato e ela precisava de emoção à flor da pele para continuar rodando.

Dançava circulando sua alegria fugaz, então. E agradecia baixinho dentro de si que os frios na barriga fossem, assim mesmo, atípicos. Viver de borboletas no estômago poderia causar enfarto do miocárdio, e ela, ela ainda precisava rodopiar muito.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

música,

Ela vai mudar, vai gostar de coisas que ele nunca imaginou. Vai ficar feliz de ver que ele também mudou, pelo jeito não descarta uma nova paixão, mas espera que ele ligue a qualquer hora… Só pra conversar e perguntar se é tarde pra ligar; dizer que pensou nela, que estava com saudade, mesmo sem ter esquecido que é sempre amor mesmo que acabe. Com ela, aonde quer que esteja. É sempre amor mesmo que mude. É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou.

Ele vai mudar, escolher um jeito novo de dizer “alô”. Vai ter medo de que um dia ela vá mudar, que aprenda a esquecer sua velha paixão, mas evita ir até o telefone para conversar, pois é muito tarde pra ligar. Tem pensado nela, estava com saudade mesmo sem ter esquecido que é sempre amor, mesmo que acabe, com ele aonde quer que esteja. É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou.

Olho no olho;

quero transar com beijo na boca profundo, olhos nos olhos, eu te amo e muita sacanagem, quero cineminha com encosto de ombro cheiroso, casar de branco, ser carregada no colo, filhos, casinha no campo com cerquinha branca, cachorro e caseiro bacana. Quero ouvir Chet Baker numa noite chuvosa e ter de um lado um livrinho na cabeceira da cama e do outro o homem que amo.
Quero sambão com churrasco e as famílias reunidas. Quero ter certeza, ali no fundo da alma dele, de que ele me ama. Quero que ele saia correndo quando meu peito amargurado precisar de riso. Que ele esqueça, de vez em quando, seu lado egoísta, e lembre do meu. Que a gente brigue de ciúmes, porque ciúmes faz parte da paixão, e que faça as pazes rapidamente, porque paz faz parte
do amor. Quero ser lembrada em horários malucos, todos os horários, pra sempre. Quero ser criança, mulher, homem, et, megera, maluca e, ainda assim, olhada com total reconhecimento de território. Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura. Quero foto brega
na sala, com duas crianças enfeitando nossa moldura. Quero o sobrenome dele, o suor dele, a alma dele, o dinheiro dele (brincadeira...). Que ele me ame como a minha mãe, que seja mais forte que o meu pai, que seja a família que escolhi pra sempre. Quero que ele passe a mão na minha cabeça quando eu for
sincera em minhas desculpas e que ele me ignore quando eu tentar enrolá-lo em minhas maldades. Quero que ele me torne uma pessoa melhor, que faça sexo como ninguém, que invente novas posições, que me faça comer peixe apimentado sem medo, respeite meus enjôos de sensibilidade, minhas esquisitices depressivas e morra de rir com meu senso de humor arrogante.
Você está bem, e eu estou bem. Você está namorando e eu solteira. Tem razão, nas primeiras semanas de namoro você já traiu ela, e eu continuo solteira. É, foi melhor assim. Realmente eu sou mulher demais para você. Tome cuidado, eu acredito nas voltas do mundo e ele pode demorar, mas vai trazer a verdade a tona. Cuide bem dos seus disfarces, e não vem querendo mostrar o seu lado de bom moço, sou bem pior do que você imagina, e você não me engana.
E hoje não vou fazer isso. Não vou ceder, não vou me preocupar. Vou entrar em férias de mim, balancear os pneus, checar o óleo. Vou me amar. Pra depois tentar, quem sabe, amar alguém.
Se verdadeiramente a alma é imortal, cumpre que zelemos por ela, não só durante o tempo atual, mas também pela totalidade do tempo; pois seria um grande perigo não se preocupar com ela. Admitamos que a morte nada mais seja do que uma total dissolução de tudo. Que admirável sorte não estaria reservada então para os maus, que se veriam nesse momento libertos de seu corpo, de sua alma e da própria maldade! Mas, em realidade, uma vez evidenciado que alma é imortal, não existirá para ela, nenhuma fuga possível a seus males, nenhuma salvação, a não ser tornando-se melhor e mais sábia. A alma, com efeito, nada mais tem consigo, quando chega ao Hades, do que sua formação moral e seu regime de vida – o que aliás, segundo a tradição [órfica], é justamente o que mais vale ou prejudica ao morto, desde o início da viagem que o conduz ao além.